Preparando um ATÉ BREVE!
As eleições presidenciais aconteceram. O homem foi eleito à tangente, mas lá está instalado. O núcleo duro dos seus apoiantes, que foi necessário calar no período final da campanha, rapidamente voltará a falar ainda mais alto (alguns democratas do outro lado da barricada poderão ficar com os cabelos em pé, se os tiverem). Sócrates, que dificilmente poderia ter feito mais do que fez para que Cavaco fosse eleito, vai encontrar nele uma alma gémea.
Para os trabalhadores, para o povo, para o regime democrático as perspectivas são bem sombrias.
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E os outros candidatos?
Alegre alcançou a única coisa que realmente o animava: ajustou contas com o PS e com Soares. Que, de caminho, tenha dado uma forte ajuda à eleição de Cavaco é coisa que não o aflige. Tendo feito a campanha sem perceber muito bem ao que andava, está sem perceber os votos que teve. De qualquer modo a coisa já não nos diz respeito, é um assunto interno do PS, seja lá o que for que o PS é actualmente.
A Soares, de quem os trabalhadores e o povo têm tanta e tão justa má memória, que teve um papel tão negativo na contra-revolução, há, nesta altura, que tirar o chapéu. Abandonado por um PS a quem o combate contra a direita não diz nada, obrigado a uma campanha improvisada, inábil e tantas vezes caricata, apoiado no final da campanha por ministros de um governo desacreditado, comportou-se com uma energia que merece respeito. Fez o que nenhum dos yuppies que comandam o PS seria capaz.
Louçã teve o resultado que se viu, e que os amigos da comunicação social misericordiosamente já esqueceram, entretidos com questões metafísicas da maior importância como “Louçã vale mais que o BE?”, ou “o BE vale mais que Louçã?”. Com aquela "nova forma de fazer política" que se sabe, Louçã quis primeiro embrulhar a sua derrota numa derrota "da esquerda" e do "povo de esquerda" e depois num rol de eufemismos. Não cabe no vocabulário arrogante e triunfalista do BE o reconhecimento do facto de que o seu "crescimento exponencial" se traduz em duas significativas derrotas sucessivas. Seja como for, o assunto diz-nos tão pouco respeito como o futuro de Alegre.
Garcia Pereira deixou no ar o habitual enigma: de onde vieram as 7.500 assinaturas? Quem promove esta candidatura? Nas outras eleições, compreende-se. Faz sempre falta outra foice e martelo no boletim de voto para lançar alguma confusão. Mas nestas eleições? Ou estariam a pensar que a fotografia dele vinha com a foice e o martelo na testa?
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A engrenagem portou-se do princípio a fim com uma inabalável coerência. Os mesmos comentadores que silenciaram e minimizaram a campanha de Jerónimo, silenciaram e minimizaram o importante êxito eleitoral alcançado. As mesmas televisões que minimizaram e silenciaram o (o adjectivo é de um deles, tarde e a más horas) avassalador comício do Pavilhão Atlântico, cortaram a palavra a Jerónimo mal tinha começado a falar na noite das eleições. Para mostrar que a lata não tem limites, as mesmas sondagens que aldrabaram persistentemente a campanha, desmentidas pelos resultados de Jerónimo, logo avançaram com nova aldrabice na própria noite eleitoral, com os resultados ainda à vista.
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Há razões para apreensão, e não são poucas.
Mas há também razões para confiar. Uma das mais importantes, mais do que o bom resultado alcançado, reside na grande campanha de massas que se desenvolveu em torno da candidatura de Jerónimo, que ficou longe de se exprimir inteiramente no voto.
É nesta grande força popular e democrática que reside a principal razão para confiar.
A luta continua.
















O voto na candidatura de Jerónimo é um voto para derrotar a candidatura da direita e um voto na única candidatura que se bate por uma ruptura democrática e de esquerda com as políticas de direita!


















