<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener("load", function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <iframe src="http://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID=19104083&amp;blogName=Mais+Livre&amp;publishMode=PUBLISH_MODE_BLOGSPOT&amp;navbarType=BLUE&amp;layoutType=CLASSIC&amp;searchRoot=http%3A%2F%2Fmaislivre.blogspot.com%2Fsearch&amp;blogLocale=pt_PT&amp;homepageUrl=http%3A%2F%2Fmaislivre.blogspot.com%2F" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" frameborder="0" height="30px" width="100%" id="navbar-iframe" allowtransparency="true" title="Blogger Navigation and Search"></iframe> <div></div>

Preparando um ATÉ BREVE!

Há nesta experiência do Mais Livre algumas coisas que não se podem perder: a troca de opiniões e de informações diária, o diálogo tanto com os que quiseram comentar como com outros blogues (com alguma acidez à mistura), a ideia de que preenchíamos um espaço próprio (e nesse aspecto aprendi que na blogosfera, como no outro universo, o espaço ocupado não retira espaço). Achei notável os cumprimentos que nos enviaram do outro lado da barricada, e aqui os retribuo. Enquanto houver democratas dos dois lados da barricada, a coisa não está perdida, embora, por mim, não seja fácil perceber o que é que alguns estão a fazer do outro lado.
As eleições presidenciais aconteceram. O homem foi eleito à tangente, mas lá está instalado. O núcleo duro dos seus apoiantes, que foi necessário calar no período final da campanha, rapidamente voltará a falar ainda mais alto (alguns democratas do outro lado da barricada poderão ficar com os cabelos em pé, se os tiverem). Sócrates, que dificilmente poderia ter feito mais do que fez para que Cavaco fosse eleito, vai encontrar nele uma alma gémea.
Para os trabalhadores, para o povo, para o regime democrático as perspectivas são bem sombrias.
*
E os outros candidatos?
Alegre alcançou a única coisa que realmente o animava: ajustou contas com o PS e com Soares. Que, de caminho, tenha dado uma forte ajuda à eleição de Cavaco é coisa que não o aflige. Tendo feito a campanha sem perceber muito bem ao que andava, está sem perceber os votos que teve. De qualquer modo a coisa já não nos diz respeito, é um assunto interno do PS, seja lá o que for que o PS é actualmente.
A Soares, de quem os trabalhadores e o povo têm tanta e tão justa má memória, que teve um papel tão negativo na contra-revolução, há, nesta altura, que tirar o chapéu. Abandonado por um PS a quem o combate contra a direita não diz nada, obrigado a uma campanha improvisada, inábil e tantas vezes caricata, apoiado no final da campanha por ministros de um governo desacreditado, comportou-se com uma energia que merece respeito. Fez o que nenhum dos yuppies que comandam o PS seria capaz.
Louçã teve o resultado que se viu, e que os amigos da comunicação social misericordiosamente já esqueceram, entretidos com questões metafísicas da maior importância como “Louçã vale mais que o BE?”, ou “o BE vale mais que Louçã?”. Com aquela "nova forma de fazer política" que se sabe, Louçã quis primeiro embrulhar a sua derrota numa derrota "da esquerda" e do "povo de esquerda" e depois num rol de eufemismos. Não cabe no vocabulário arrogante e triunfalista do BE o reconhecimento do facto de que o seu "crescimento exponencial" se traduz em duas significativas derrotas sucessivas. Seja como for, o assunto diz-nos tão pouco respeito como o futuro de Alegre.
Garcia Pereira deixou no ar o habitual enigma: de onde vieram as 7.500 assinaturas? Quem promove esta candidatura? Nas outras eleições, compreende-se. Faz sempre falta outra foice e martelo no boletim de voto para lançar alguma confusão. Mas nestas eleições? Ou estariam a pensar que a fotografia dele vinha com a foice e o martelo na testa?
*
A engrenagem portou-se do princípio a fim com uma inabalável coerência. Os mesmos comentadores que silenciaram e minimizaram a campanha de Jerónimo, silenciaram e minimizaram o importante êxito eleitoral alcançado. As mesmas televisões que minimizaram e silenciaram o (o adjectivo é de um deles, tarde e a más horas) avassalador comício do Pavilhão Atlântico, cortaram a palavra a Jerónimo mal tinha começado a falar na noite das eleições. Para mostrar que a lata não tem limites, as mesmas sondagens que aldrabaram persistentemente a campanha, desmentidas pelos resultados de Jerónimo, logo avançaram com nova aldrabice na própria noite eleitoral, com os resultados ainda à vista.
*
Há razões para apreensão, e não são poucas.
Mas há também razões para confiar. Uma das mais importantes, mais do que o bom resultado alcançado, reside na grande campanha de massas que se desenvolveu em torno da candidatura de Jerónimo, que ficou longe de se exprimir inteiramente no voto.
É nesta grande força popular e democrática que reside a principal razão para confiar.
A luta continua.

O fim do Mais Livre

O Mais Livre foi um blog de apoio à candidatura de Jerónimo de Sousa às eleições presidenciais, e por isso já desempenhou o seu papel na blogosfera. Contudo, a luta continua de diversas formas e feitios, e continuará pela blogosfera.
Se o colectivo dos autores do Mais Livre estiver de acordo, encerraremos este blog no próximo dia 1 de Fevereiro, sendo que até lá, continuaremos a publicar os nossos últimos textos. Aos autores dos textos, e àqueles que por aqui foram passando e comentando um abraço pela disposição e vontade de participar na vida deste país.
A última palavra vai para a Margarida, camarada (que nenhum de nós conhece) que teve sempre uma voz activa e participação fundamental neste espaço de intervenção e participação.

A ser verdade, o Sócrates é mesmo Engenheiro

Circula pela net este fax com cabeçalho da Presidência do Conselho de Ministros, endereçado ao Dr. Frausto Correia, como documento confidencial, e assinado por Carlos Guerra(?), segundo explica a pedido do primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates.Não é seguro que seja genuíno (por exemplo, aspectos da sua linguagem são demasiado informais para uma carta com este conteudo) pelo que leiam-na ponderadamente. Fica para vossa consideração. A verade é que o conteudo da carta corresponde a uma suspeita generalizada, reforçada pelo comportamento distanciado do PS durante a campanha, e tendo em conta o alinhamento político entre Cavaco e Socrates.

"Na impossibilidade de o fazer pessoalmente, o Engº José Sócrates pediu-me para o contactar com urgência, para este fax privado na certeza de que o meu amigo compreenderá a necessidade de que esta mensagem não seja amplamente divulgada, pois destina-se apenas ao núcleo de pessoas do partido envolvidas na campanha do Soares. O que se passa é bastante grave e exige da nossa estrutura uma intervenção rápida e sigilosa. A sondagem porque aguardávamos foi-nos entregue hoje de manhã e indica claramente uma derrota de Soares em relação ao Alegre, numa diferençaque ultrapassa os 5%, sendo que a margem de erro desta sondagem é deapenas 3%. Também nas últimas sondagens a publicar esta noite e amanhãpela comunicação social esta derrota é evidenciada. Por outro lado, a hipótese do Cavaco não ganhar logo à primeira volta existe e não estácompletamente afastada. Na sondagem do PS indica 51%, mas como a margem de erro é de 3%, e com a tendência de descida que se verificou,é muito provável que o Cavaco fique abaixo dos 50% obrigando a umasegunda volta, por uma muito pequena diferença de votos. Neste caso,teríamos um cenário desastroso para o governo, para o PS e deixaria o Engº Sócrates numa posição fragilizada, ao ter avançado com acandidatura de Soares e ver-se depois obrigado a apoiar o Alegre paraa segunda volta, sendo certo que este poderá recusar publicamente esteapoio. Assim, o pedido que tem sido dirigido apenas ao núcleo de apoiantes da candidatura do Soares é de que tentem influenciar as pessoas que estão mais próximas de vós, sempre pessoalmente, para que votem em branco,ou mesmo que votem no Cavaco, para assegurar que não haja segunda volta, e o governo não saia fragilizado desta eleição. O melhor argumento a apresentar é de que uma segunda volta, a existir, será um desperdício de verbas do orçamento, uma vez que as sondagens indicam que se não passar na primeira volta o Cavaco ganhará folgadamente
contra o Alegre na segunda volta.
Escusado será insistir na confidencialidade deste assunto."

Um alerta que se dirige a todos os democratas

A Comissão Política do CC do PCP aprovou o documento que se publica a seguir.
A ler por todos aqueles que julgam que deixou de existir a ameaça do fascismo. Não só persiste, como está muito mais encorajado, e avança sob a capa de sempre: o anticomunismo.

Sobre o Projecto de Resolução anticomunista em consideração na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa
Declaração da Comissão Política do PCP
23 de Janeiro de 2006

1. A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa vai pronunciar-se no próximo dia 25 de Janeiro sobre um Projecto de Resolução intitulado “Necessidade de uma condenação internacional dos crimes dos regimes comunistas totalitários”. Trata-se de um passo novo e de grande gravidade na ofensiva anticomunista, que o PCP desde já condena e rejeita inequivocamente, ao mesmo tempo que alerta todos os democratas para o carácter fascizante desta operação.

2. Este Projecto de Resolução toma como objectivos, nomeadamente, a criminalização daquilo que designa como “comunismo totalitário”, procedendo à associação do comunismo a uma infindável lista de crimes, e à consideração de que esse «carácter criminoso» está na própria natureza do comunismo e na sua ideologia, o marxismo-leninismo. A essa luz pretende a condenação de toda a acção passada e presente dos comunistas, a tomada de medidas que impeçam a acção futura das forças que, como escreve, “ainda” são comunistas, e a condenação dos países que continuam a afirmar a sua opção pelo socialismo. Pretende intensificar um processo de ameaça e chantagem sobre os partidos comunistas e outras forças de esquerda no sentido da abjuração dos seus objectivos e ideais, ameaçando com a ilegalização.

3. Como pano de fundo desta representação fascizante, o Projecto de Resolução estabelece uma equiparação entre comunismo e nazismo - assim procurando, por um lado, branquear o nazi-fascismo; por outro lado, fazer esquecer que o fascismo e o nazi-fascismo são formas de organização do estado a que o capitalismo recorreu (e recorrerá sempre que necessite e possa) para garantir a dominação e assegurar a exploração dos trabalhadores e dos povos; por outro lado, ainda, ocultar que o antifascismo e o anticapitalismo estão na própria essência da acção e da luta dos comunistas, luta libertadora pela qual milhões de comunistas deram as suas vidas. Ao contrário do que afirmam os que se entregam à revisão contra-revolucionária da história das revoluções, a Revolução de Outubro e o empreendimento de construção da uma sociedade nova, constituem o acontecimento fundamental do nosso tempo, a etapa maior do caminho da emancipação humana em relação a todas as formas de dominação e opressão.

4. A fundamentação do Projecto de Resolução tem o significado concreto de uma legitimação retroactiva de todas as exclusões, perseguições e violências de que milhões de comunistas foram e continuam a ser alvo. No caso particular do nosso país – onde o PCP constituiu e constitui a referência primeira na luta contra o fascismo, pela democracia, pela liberdade, pelos direitos humanos, pela independência nacional – ela representa uma falsificação e uma indignidade sem nome. Ela tem o significado concreto de justificar o opressor e condenar o oprimido, de justificar o torturador e condenar o torturado, de justificar o assassino e condenar o assassinado, de justificar a repressão fascista e condenar todas as suas vítimas, de justificar o fascismo e condenar os que lhe resistiram.

5. As ameaças e perigos que este Projecto de Resolução comporta são enormes. Nele é definida uma doutrina, o anticomunismo – que, como a história mostra, é sempre antidemocrático - e um programa para a acção no plano político, institucional e ideológico. Um tal programa conjugado com o conjunto de medidas de grave restrição das liberdades que, à escala internacional, vêm sendo desenvolvidos a pretexto do chamado «combate ao terrorismo», conduziria a um brutal salto qualitativo e quantitativo na repressão, tanto sobre os trabalhadores e as populações como sobre partidos, sindicatos e outras organizações empenhadas na sua defesa.

6. Este Projecto de Resolução é inseparável do quadro actual de agudização da crise do capitalismo e das suas contradições, da escala gigantesca dos problemas que gera e é incapaz de resolver, do próprio facto de as aventuras militares em que se envolve, longe de resolverem contradições, antes as acentuarem. É este quadro de crise que ajuda a compreender o seu carácter fascizante, o seu propósito de criminalizar, ilegalizar, reprimir, não apenas a acção dos comunistas mas de todos os democratas que se oponham à dominação e à exploração capitalistas, o seu propósito de perseguir e reprimir todos os que, de alguma forma, resistam e lutem organizadamente.

7. Mas este Projecto de Resolução é igualmente um sinal visível de fraqueza. Perpassa nas suas linhas o temor de que ideias como as de «igualdade e justiça social» mantenham o seu poder de atracção, o temor da recuperação de influência dos partidos comunistas e forças de esquerda, sobretudo os que, nos antigos países socialistas, voltam a ganhar apoios entre as populações martirizadas pela re-instauração mafiosa do capitalismo, nomeadamente entre a juventude.

8. O PCP afirma a sua frontal condenação deste Projecto de Resolução de carácter abertamente antidemocrático, anticomunista, fascizante e, como tal, inaceitável para qualquer força política democrática e progressista. Mesmo que não venha a ser aprovado, ele representa já, só por si, uma vergonha para a instituição internacional que o mandou elaborar. E não é apenas no Conselho da Europa que ele deve ser repudiado e condenado. É num grande movimento de opinião democrática de denúncia e condenação do seu conteúdo e objectivos, que tenha expressão à escala nacional e à escala internacional.

9. Independentemente do destino deste Projecto de Resolução, o PCP sublinha desde já que, hoje como no tempo do fascismo, nenhuma condenação do ideal e das razões da sua existência pode abalar a profunda certeza na justiça da causa pela qual se bate nem a profunda confiança em que o futuro pertence não aos que oprimem e exploram mas aos que lutam em defesa dos trabalhadores e dos povos; não aos que, tendo decretado o fim da história, julgam que a detêm a golpes de violência e de repressão, mas aos que resistem, organizam e lutam, e fazem a história avançar. Não ao capitalismo, mas ao socialismo e ao comunismo.

A LUTA CONTINUA

Sobre a reunião do Comité Central do PCP

O Comité Central do PCP, procedeu à apreciação dos resultados das eleições presidenciais, analisou a situação económica e social do País e definiu as principais linhas de trabalho com vista ao desenvolvimento da sua actividade futura.

Relativamente às eleições Presidenciais, o Comité Central do PCP, realçou que elas foram marcadas por dois aspectos essenciais: a eleição de Cavaco Silva e a grande votação obtida pela minha candidatura, a candidatura apoiada pelo PCP.

No que diz respeito à eleição de Cavaco Silva e o facto de o ter sido eleito à primeira volta, marca negativamente esta eleição para a Presidência da República. No entanto há que notar que este resultado foi obtido por uma escassa margem de votos, contrariando as coroações antecipadas a que se assistiu e confirma ter estado ao alcance dos que se opunham à candidatura da direita impedir tal desfecho. Bastaria que tivesse existido um outro empenhamento por parte de outras forças políticas e teria sido possível impor-lhe a derrota que o seu projecto exigia.

Graças a uma longa e bem preparada operação de branqueamento do seu passado político e à ocultação dos seus projectos e ambições para o futuro, a direita conseguiu, trinta anos volvidos sobre o 25 de Abril, apoderar-se deste órgão de soberania.

São hoje evidentes o conjunto de factores que favoreceram a eleição de Cavaco Silva.

Beneficiou, para além de poderosos meios e das facilidades dos principais grupos de comunicação social, das hesitações, ambiguidades e posicionamentos do PS e do seu Governo que, desde a primeira hora, contribuíram para ampliar as suas possibilidades eleitorais.

Isso foi evidente na notória falta de empenhamento posta na campanha pelo PS, associada ao baixar de braços e à resignação patenteada pela sua direcção e a que se associou ainda, e não com menor peso, o aumento do descontentamento social motivado pelo prosseguimento da política de direita do Governo de Sócrates com a multiplicação de decisões anti-populares que Cavaco Silva soube capitalizar.

Ao contrário do que alguns sustentam para iludir as suas responsabilidades uma das vantagens de que Cavaco Silva beneficiou residiu, não na existência de mais do que um candidato à sua esquerda, mas sim, nas divisões, desmobilização e rendição antecipada que o PS protagonizou, bem patente na simples leitura dos resultados eleitorais.

O Comité Central sublinhou que, com a vitória de Cavaco Silva, não foi o país que ganhou em estabilidade mas sim a política de direita e os sectores mais reaccionários do capital nacional que há muito formulam a aspiração à liquidação de direitos e ao apagamento de importantes conquistas de Abril e da sua consagração na Constituição da República.

A eleição de Cavaco Silva introduz factores negativos no actual quadro político e social e não deixará de animar os sectores mais reaccionários e revanchistas da direita e do grande capital e o seu desejo de voragem dos recursos e da riqueza nacional.

Tudo isto torna mais exigente e complexa a luta por uma ruptura democrática e de esquerda com a política de direita.

Em relação aos resultados da nossa candidatura, o Comité Central sublinha o importante resultado obtido, confirmando a justeza da decisão tomada de apresentação de uma candidatura própria, ao mesmo tempo que salienta a sua contribuição insubstituível para a mobilização dos eleitores, para o debate político dos problemas nacionais e para a afirmação e exigência de uma ruptura com as políticas de direita.

O resultado obtido – mais de 8,5% e 470 mil votos, não só duplica a votação das últimas eleições presidenciais, como representa um importante avanço se comparado com o resultado obtido pela CDU nas Legislativas de 2005, traduzindo-se em significativas vitórias de que são exemplo o Distrito de Beja e numerosos concelhos — constitui um importante sucesso eleitoral e um factor de ânimo para os que não se conformam com a política de direita e lutam por um alternativa e uma política de esquerda.

Resultado que desmentiu as sondagens e desautorizou todos quantos, precipitada e tendenciosamente, a quiseram apresentar como subsidiária.

No que se refere aos outros candidatos que se opunham a Cavaco Silva, ao contrário do verificado com a candidatura apoiada pelo PCP, os dois candidatos da área do PS ficaram a dez pontos percentuais (baixam de 45 para 35%) do seu resultado de Fevereiro passado e com menos 675 mil votos e o candidato do BE ficou a mais de 1 ponto percentual do obtido nas legislativas (baixando de 6,4 para 5,3%) e perdendo 77 mil votos.

O Comité Central sublinha que mais que uma «derrota da esquerda» a eleição de Cavaco Silva traduz sobretudo uma derrota dos que, promovendo ou caucionando a política de direita, contribuíram para o desânimo e desesperança de largos sectores da população portuguesa.

Mas também dos que, fazendo coro contra os partidos e idolatrando a «cidadania» em abstracto (como se a participação partidária não fosse uma expressão plena de cidadania e uma conquista de Abril), alimentaram a desconfiança contra a política e os políticos, que Cavaco soube na mesma linha, capitalizar.

O Comité Central do PCP salienta o significado da alargada corrente de apoio e simpatia que rodeou a campanha da nossa candidatura e a adesão aos seus valores e projecto, como uma referência de esperança num Portugal com futuro.

O Comité Central reafirmou a inabalável determinação do PCP de honrar o apoio recebido e de prosseguir o trabalho e a luta em defesa dos direitos e conquistas sociais, pela melhoria das condições de vida, por uma viragem democrática e de esquerda na vida política nacional.

O Comité Central do PCP saúda todos quantos – militantes do PCP e da JCP, membros do Partido Ecologista «Os Verdes» e da Associação Intervenção Democrática, independentes, e muitos apoiantes doutras forças – com a sua acção, o seu apoio, a sua palavra de incentivo deram força a esta candidatura e aos valores de Abril que comporta. A todos quantos com o seu apoio e o seu voto levaram mais longe a exigência de uma ruptura democrática e de esquerda.


(ver todo o texto)

Próximas eleições

Sem querer pôr o carro à frente dos bois, não consigo deixar de notar que todos os presidentes da República eleitos após o 25 de Abril foram re-eleitos para um segundo mandato: Eanes, Soares e Sampaio. Em 30 anos de democracia tivemos apenas 3 homens eleitos para a presidência. Repito porque remete para uma relfexão sobre o cargo, e também para a preocupação de o Cavaco ser re-eleito. Sem querer agravar a sua vitória ainda fresca na experiência, temo que o tenhamos no cargo não para cinco, mas dez anos. Com a agravante de ser possível ainda neste mandato, ser eleito um partido mais à direita do PS para o governo, e assim se ver cumprido o sonho de Sá Carneiro. É certo que mesmo com o PS existe uma aliança neo-liberal entre o governo e a presidência. Jerónimo referiu-se ao "Partido Único Neoliberal" (PUN), que existe informalmente pela convergência entre PS, PSD e PP. Havendo divergências entre eles, não são maiores nem mais profundas que as divergências entre membros de um deles em particular - como a fracção do PS ou a dispersão do demonstram. Cavaco na presidência vai permitir ao governo Socrátes uma ainda maior inclinação à direita. Mas também não tenhamos ilusões que um governo PSD, ou PSD-PP, com Cavaco na presidência constitui uma ameaça ainda maior à nossa democracia, à nossa economia, à natureza do programa constitucional de Abril. Levanto este espectro para que o perigo que se nos apresenta seja claro até um horizonte mais distante no tempo, e para que a luta continue já e em força. Eleições legislativas só em Outubro de 2009. Autarquicas por volta dessa altura. Não contemos com mudanças apenas nessa altura. Como diz um amigo, isto não vai lá com eleições. Temos de lutar noutras frentes. Mas conscientes que chegado novo momento de eleições temos de estar reforçados e alargados.

Orçamentos eleitorais II

Lembram-se das planos orçamentais, e das componentes de sbvenção estatal que implicavam um previsão do resultado eleitoral. O Diário Económico de hoje faz uma comparação entre a subvenção prevista e a receber (tendo em conta os resultados do escrutínio). Em resumo, apenas na candidatura de Jerónimo de Sousa asubvenção prevista ficou aquem da que irá ser recebida.

Candidato..........%prev......%votação.....Subv. prevista.......A receber......Diferença

Cavaco.............50,9.........50.6.......1.678.000€......1.668.000€.......-10.000
Alegre
..............25,0.........20.7.........900.000€..........771.000€......-129.000
Soares.............24,9..........14.3..........899.280€.........570.000€.....-329.000
Jerónimo..........6,6............8.5..........350.000€.........405.000€......+55.000
Louçã................9,1............5.3..........425.000€.........309.000€......-116.000


Texto do Diário Económico:
Os candidatos foram optimistas e a factura vai chegar: entre as previsões para as verbas de subvenção estatal e o que os votos ditaram, há uma diferença que chega a 329 mil euros, no caso de Mário Soares.
O candidato apoiado pelo PS, aliás, é o mais afectado pelo fraco resultado que obteve. Soares previa receber quase 900 mil euros, mas vai ficar-se pelos 570 mil. O resultado foi pior que as piores previsões, conclui-se. Contactado pelo DE, o porta-voz da candidatura admite não saber “se os donativos e as angariações de fundos compensam a descida da subvenção estatal”.
Um discurso que trespassa quase todas as candidaturas com quem o DE falou ontem. O responsável financeiro pela campanha de Francisco Louçã assume que as despesas ficaram abaixo do previsto, e portanto o resultado negativo da campanha “deve rondar os 50 mil euros”, e Rogério Moreira assegura que “será o partido a compensar” a diferença entre as receitas e a despesa.

Cavaco ganha a previsão
A campanha de Manuel Alegre apresenta também um resultado negativo a nível da subvenção estatal, fruto da diferença de quase cinco pontos percentuais entre as previsões e o resultado nas urnas.
Ao DE, no entanto, o mandatário financeiro garante que “não haverá défice financeiro”. Pina Pereira diz que Alegre “fez uma campanha parcimoniosa, e por isso as despesas serão bastante menores do que o previsto”. Só assim se explica que, apesar de uma diferença de 129 mil euros entre a subvenção prevista e a que vai receber, a candidatura de Alegre garanta que “a campanha é solvente”.
Já o Presidente da República eleito, Aníbal Cavaco Silva, fica apenas a 10 mil euros daquilo que tinha estipulado como provável. “O diferencial não nos afecta minimamente, porque poupámos e vamos ficar ligeiramente abaixo do orçamento definido”, explica ao DE o coordenador da campanha, Alexandre Relvas. O DE tentou falar com a candidatura de Jerónimo de Sousa, mas sem sucesso.

Cavaco

Para quem sempre fez política, mas nunca dela viveu é pelo menos irónico, olhar para Cavaco que nunca se assumiu como político, mas sempre viveu como tal. Por isso, mas não só por isso, não inicio este texto pós-eleitoral, por saudar o novo Presidente da República.
Penso que Portugal, embora votando em liberdade, votou mal. Portugal votou esquecido, num candidato que apenas procurou não emitir opiniões, para que ninguém se recordasse do que é, e representa. Portugal votou esquecido, no candidato que sempre procurou esconder as bandeiras que lhe estiveram por trás, os partidos que o apoiam e os interesses que protagoniza (e que se revelaram imediatamente após o anúncio da vitória). Portugal votou de olhos tapados por uma candidatura que os media diziam vencedora por 55%, 60 ou 63% e depois apenas teve 50,6% dos votos e 49,66% dos votos expressos - se contarmos com brancos e nulos. Portugal ficou a perder.
Cavaco não é, nem será o Presidente de todos os portugueses. Cavaco Silva é um Presidente que divide Portugal em dois. Eu continuarei por aí. Sempre do outro lado.

O Partido

Apesar da derrota que representa o resultado de Cavaco Silva, o PCP, sai destas eleições como o único partido de esquerda que conseguiu somar mais votos para uma eventual maioria de esquerda na primeira volta.
Jerónimo terá feito a melhor campanha alguma vez feita por um candidato do PCP à Presidência da República, afirmando a sua diferença com "as outras esquerdas" sempre ficou claro que o adversário era o candidato da direita.
Cá estaremos para a luta.

O Presidente da República menos legitimado

Se para as contas finais, tivessem contado os votos brancos e nulos, Cavaco não teria sido eleito à primeira volta.

As sondagens

Na noite eleitoral enquanto os "politólogos" das sondagens reafirmavam a sua capacidade de prever os resultados e a sua cientificidade, recordava os 63%, 57% ou no mínimo os 53% com que dias e dias tinham brindado Cavaco. Interrogava-me se o resultado final teria sido o mesmo se as sondagens tivessem continuamente acertado em dar a Cavaco os 50%, com que ficou. Interrogava-me também se as sondagens tal como erraram, hiper-valorizando a campanha de Cavaco, tivessem errado subvalorizando-o e retirando-lhe a áurea de imbatível com que sempre contou, dando-lhe 47%, 43% ou 37%...
Aplicando o mesmo raciocínio à campanha de Jerónimo, continuamente apresentada em quinto lugar, com 4%, 6% ou 7%, o que teria sido se lhe tivessem dado os 8,5% ou errado para cima atribuindo-lhe 10%, 11% ou 14% o que abriria uma clara possibilidade de disputar com os candidatos do PS a passagem à segunda volta.
As sondagens não terão influenciado directamente o voto, mas fizeram-no indirectamente, construindo uma realidade que, conforme várias vezes aqui fomos tentando desconstruir, não reflectiam aquilo que se passava nas ruas.
Muita gente não terá ido votar, julgando que a vitória de Cavaco era certa. Muita gente simpatizante de Jerónimo terá votado Alegre por pensar que este poderia derrotar Soares (e com isto o PS) e muita gente terá votado em Cavaco por tantas vezes se ter ouvido dizer que "todos" achavam que seria o melhor para o país.

A Esquerda

A esquerda perdeu as eleições. Nenhum partido de esquerda ou candidato de esquerda, por melhor votação que tenha tido, pode sair satisfeito destas eleições.

Sócrates

Não se envolvendo na campanha e envolvendo o PS quanto baste, para não parecer mal, Sócrates desmanchou-se na noite eleitoral com um gesto sectário e pouco ético para com um seu camarada de partido.
No dia da maior derrota de Mário Soares, fundador do PS, Sócrates jogou um braço de ferros mediático com Alegre (teoricamente mais protagonista na eleição presidencial) ao
rasteirá-lo em plena noite eleitoral, interrompendo as declarações do candidato socialista, não apoiado pelo aparelho, e que havia ficado em segundo lugar. A comunicação social, com a respectiva subserviência por quem mais manda, resolveu ao contrário do que seria lógico, transformando imediatamente o primeiro-ministro em protagonista.

O PS e o Governo

Fizeram tudo para perder as eleições. Aumentaram os preços de bens determinantes durante a campanha, o pão, a gasolina, o gás e a electricidade. Nomearam e redistribuíram boys, na cultura (de uma forma mais visível) e por todo o aparelho de Estado. Durante a campanha anunciaram o aumento dos funcionários públicos apenas em 1,5% e defenderam a medida com intransigência. Fizeram aprovar mais um orçamento de estado de apertar o cinto, quando o povo já não tem calças para vestir.
Aproveitaram estes dois meses de campanha para nos encher de um pacote de medidas de direita, abrindo o flanco para que Cavaco aparecesse como um candidato cheio de preocupações sociais e mais próximo do povo.
No fundo o que sai destas eleições embora seja a menor votação de um candidato com o apoio do PS, traduz-se na vitória do candidato que mais serve aos interesses de quem nos governa em absolutíssima maioria.

Declarações de Jerónimo de Sousa

Alguns destaques das declarações de Jerónimo de Sousa aos resultados eleitorais.

Sempre uma mensagem de esperança:
«grande votação obtida pela minha candidatura que, independentemente do desfecho final, constitui um estímulo para a afirmação do projecto que a norteou e uma garantia de que prosseguirá com confiança e determinação o combate por um Portugal com futuro.»

Críticas ao PS e CS (comunicação social):
«(...) beneficiando de apoios e simpatias indisfarçáveis dos principais grupos de comunicação social e projectada para branquear o passado do candidato e esconder os seus projectos e ambições para o futuro (...) Na verdade Cavaco Silva beneficiou (para além dos poderosos meios e facilidades) das hesitações, atitudes e posicionamentos do PS, e do seu Governo, (...) a notória falta de empenhamento posta na campanha associada ao baixar de braços e à resignação patenteada pela direcção do PS perante as exigências deste combate político jogaram a favor do desfecho final destas eleições.»

Alertas para o futuro:
«Com a vitória de Cavaco Silva não foi o país que ganhou em estabilidade mas sim a política de direita e as condições para ser prosseguida. Com a vitória de Cavaco Silva é, não Abril e a Constituição que saiem defendidos e reforçados, mas sim, a aspiração à liquidação de direitos e ao apagamento de importantes conquistas de Abril que os sectores mais reaccionários do capital nacional há muito formulam.»

Sempre um sinal de confiança:
«Este resultado, confirmando a corrente de apoio que acompanhou esta candidatura, é sobretudo um sinal de confiança de muitos milhares de portugueses e portuguesas que não se resignando perante as injustiças e as desigualdades acreditam que é possível um novo rumo para o país. »

Sempre um sinal de determinação:
«quero aqui reafirmar a inabalável determinação de honrar o apoio recebido e de prosseguir o trabalho e a luta em defesa dos direitos e conquistas sociais, pela melhoria das condições de vida, por uma viragem democrática e de esquerda na vida política nacional.»
«quero reafirmar que o seu apoio e os seus votos encontrarão em mim e no projecto colectivo pelo qual luto – hoje, amanhã e sempre – uma presença activa na defesa dos seus direitos e das suas aspirações a uma vida melhor.»

Este sentimento de esperança no futuro, de confiança que um combate determinado pode fazer frente aos avanços da direita é um imperativo.
Há que combater algum desalento que se possa manifestar no rescaldo das eleições.
Há que combater o regresso à toca, mantendo vivo o espírito de luta, entrega e trabalho que caracterizou esta campanha.
Há que reforçar o orgulho de ter participado e apoiado uma candidatura colectiva de todos quantos «elevaram mais alto a exigência de uma ruptura democrática e de esquerda com as políticas de direita que tantas dificuldades têm lançado sobre o povo e o país.»
Cavaco pode ter ganho, mas apesar disso e por isso mesmo, A LUTA CONTINUA.

Versão completa das declarações disponível aquí.

Más notícias

Por sessenta mil votos num universo de quase nove milhões, Cavaco foi eleito.
Alegre, Soares, Louçã cumprimentaram o vencedor, disseram que fizeram o seu melhor, que têm o futuro à frente, e foram embora para casa.
Jerónimo alertou, hoje como antes, para as graves consequências que este resultado poderá ter para os trabalhadores e para o povo, e para o regime democrático.
Se um Governo Sócrates é mau, um Governo Sócrates associado a um presidente Cavaco é ainda muito pior. O grande patronato, que apoiou Cavaco a toda a força, esfrega as mãos.
Amanhã, como ontem, muitos trabalhadores que votaram Cavaco como antes tinham votado Sócrates voltar-se-ão para o PCP para que aja em sua defesa. E o PCP vai defendê-los, como sempre defendeu.
Em condições mais difíceis.


A LUTA CONTINUA!
O Ivo escreve num post anterior que a esquerda foi derrotada. É colocar mal a questão.
O que aconteceu é diferente: foi a confirmação de que este PS (e não há outro) é, em todos os momentos decisivos, inútil para dar combate à direita.

Resultados finais

Com 4258 (de 4260) freguesias apuradas, e uma percentagem de votação de 62,61%, os resultados eleitorais são os seguintes

Candidato ......................Votos ........... %

CAVACO SILVA.......... 2745491..... 50,59
MANUEL ALEGRE..... 1124662..... 20,72
MÁRIO SOARES......... 778389...... 14,34
JERÓNIMO SOUSA... 466428........ 8,59
FRANCISCO LOUÇÃ.. 288224......... 5,31
GARCIA PEREIRA........ 23650........ 0,44

Os resultados finais das eleições presidenciais, como indicadas pela STAPE, indicam que Cavaco Silva ganhou as eleições na primeira volta. Algumas primeiras reacções ao escrutínio final:
  • a vantagem de Cavaco Silva esteve muito longe das expressas na maioria das sondagens, e teve uma margem pouco acima da suficiente para uma maioria na primeira volta
  • a vontação de Manuel Alegre foi confortavelmente superior à de Mário Soares, expressando uma divergência grande entre o eleitorado da área do PS e a escolha da sua liderança partidária e significativamente as escolhas económicas e política do seu governo
  • a percentagem muito assinalável de Jerónimo de Sousa, superior às constantes nas sondagens, superior à de Mário Soares em várias concelhos (e.g., Loures, Vila Franca de Xira, Almada, Montijo, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sines, Ponte de Sor, Chamusca, Marinha Grande) e tendo sido inclusivamente a candidatura mais votada no Distrito de Beja e em alguns concelhos (e.g., Grandola, Barreiro, Moita, Avis, Elvas, Alter do Chão, Coruche, Alpiarca)
Agora há que recuperar da desilusão da vitória de Cavaco à primeira, da eleição pela primeira vez de um presidente de direita. Aos que contavam já com a batalha da segunda volta, preparem-se agora para estar vigilantes: a batalha de defesa da Constituição começará agora a sério. O "partido único" do neoliberalismo tem agora maior cobertura para as reformas constitucionais que tem ambicionado. A necessária defesa das conquistas de Abril que iremos enfrentar já não se fará nas urnas. Irá ser travada no campo de batalha das ideas, junto de cada cidadão e se necessário nas ruas e barricadas.

Algumas notas

Ponto 1. Confirma-se a derrota da esquerda.

Ponto 2. Confirma-se a "qualidade" das nossas sondagens! Nos próximos estudos de opinião, no rodapé das previsões, vai passar a constar uma margem de erro específica para o PCP (entenda-se, seu eleitorado) que rondará os 99%.

Ponto 3. O PSD teve a sua festa estragada por alguns momentos. Marques Mendes resolveu aparecer, vindo sabe-se lá de onde, para proferir um "saboroso" discurso de vitória. Descendo à terra, os militantes sociais-democratas voltaram a lembrar-se que, afinal, o líder do partido ainda é Marques Mendes e não Cavaco Silva, como tinham desde Outubro profundamente e espiritualmente interiorizado.

Ponto 4. O PS anda a refugiar-se em culpas e desculpas. Bem pode responsabilizar-se por esta derrota. Afinal de contas, não foram os comunistas que deram a vitória a Cavaco.

Primeira reacção

Nenhuma sondagem havia dado a Jerónimo mais do que 7,2 %! Neste momento as projecções dão-lhe no mínimo 8%...

Hoje vota-se

Este é um post com espaços, para não parecer que estamos a fazer apelo ao voto neste dia (as "regras democráticas" estão firmemente enraizadas, não é verdade? Bastou ver o comportamento dos grandes media para confirmarmos que estão...).
Portanto, hoje é dia de obrigar ............ ........ à 2ª volta, para, na 2ª volta, arrumar com ele de vez.
Hoje é dia de alcançar um grande resultado para .................. .
Com toda a confiança!

O blogue Mais Livre da blogosfera

Entre coisas positivas, coisas que marcam e que por isso mesmo não estarão omissas na nossa memória, o blogue Mais Livre constituiu, para mim pessoalmente, uma dessas experiências colectivas de grande valor, de grande vontade, de afirmação, determinação e, claro está, de confiança! Marcámos uma presença, definimos um rumo e uma intenção, o que acabou por colocar com alguma naturalidade o blog Mais Livre como parte incontornável da discussão presidencial na blogosfera. Para todos os que de forma determinada cooperaram nesta iniciativa, a todos os que nos visitaram e que também foram parte integrante deste debate plural, vai o meu mais sincero agradecimento e as mais cordiais saudações democráticas.

Ivo Rafael Silva

Mais Livre

Este blog tem sido enormemente enriquecido pelos contributos e comentários de muitos apoiantes e pessoas próximas da candidatura de Jerónimo de Sousa (e também de algumas não tão próximas). Alguns destes contributos não foram visíveis a todos os visitantes do blog, tendo-se manifestado em correios individuais ou demonstrações de apoio e interesse quando nos encontramos no mundo real. Como plataforma congredadora, como veículo addicional de troca de ideias e informações, sinto que este blog foi verdadeiramente uma obra colectiva.
É disso exemplo os seguintes videos e fotos, que me chegaram às mãos vindos de um leitor do Mais Livre, que tendo recolhido imagens no exterior do Pavilhão Atlântico (a 14 de Janeiro) e na arruada em Almada (a 18 de Janeiro) me abordou electronicamente para os partilhar.
A este amigo, e a todos os que contribuiram e apoiaram este blog, o meu mais sincero agradecimento.

Arruada em Lisboa

A baixa de Lisboa ficou cheia de centenas e centenas de apoiantes da candidatura de Jerónimo de Sousa. Dizia uma comerciante que das três arruadas que pela Baixa haviam passado, esta tinha sido a maior. Grandes demonstrações de apoio popular são sem dúvida importantes para a construção de um movimento social e uma consciência social fortes e progressistas. Mas não são suficiente para garantir resultados eleitorais robustos.
Até domingo falta falar com amigos e convencê-los a ir votar, votar em consciência no que reconheçem ser o candidato mais capaz, conheçedor e respeitador da Constituição da República. Há amigos que terão hesitações, preconceitos, que farão contas de "voto útil", que pensam que o seu voto não fará diferença. Há que presuadí-los a irem votar, e votar Jerónimo de Sousa. Com toda a confiança.


Fica um link para um video da arruada.
(e as minhas desculpas para quem já não podia mais ouvir o video do Pavilhão a abrir automaticamente.)

Jerónimo Carvalho de Sousa



"Para sermos mais de cada vez..."
Retirado de um comentário do João Delgado feito aqui (relembrando Ary).

Somos muitos mil para continuar Abril


Ainda o comício do pavilhão Atlântico.
Este é o tipo de imagem que televisões e jornais não ousam publicar.
(clicar na imagem para a ver ampliada)

Ainda é tempo... ainda é tempo!

Ainda é tempo, caros amigos, ainda é tempo!

É tempo de todos contribuirmos para que Portugal tenha um presidente da república que cumpra e faça cumprir a constituição!

É tempo de, através do voto, impedirmos que a personificação dos interesses económicos se apodere do mais importante órgão de poder constitucional.

É tempo de dar um sinal de que neste nosso país de Abril, o povo ainda é quem mais ordena!

É tempo de rejeitar complexos e de exercer o livre direito de voto naquele que nos transmite verdadeiramente a confiança e não naqueles em quem nos vão dizendo (por sondagens e outras manipulações) que deveríamos votar.

É tempo de votar porque - é preciso ter consciência disso - uma elevada abstenção favorecerá Cavaco Silva.

É tempo de reunir vontades e de levar até ao boletim, a confiança inabalável de exercer um voto no único candidato da verdadeira esquerda!

É tempo de levar a determinação até ao voto!

É tempo de ter plena consciência de que o voto é a melhor arma para derrotar a incompetência, a desigualdade e a arrogância elitista!

É tempo de mudar e de transformar!

É tempo de mobilizar, de acompanhar, ajudar e cooperar naquilo que muitos querem destruir... a democracia de Abril!

É tempo de votar...

É tempo de confiar em Jerónimo de Sousa!

DETERMINAÇÃO! CONFIANÇA!

A engrenagem acaba a campanha como a começou. Há três meses era Cavaco vai ganhar! Hoje é Cavaco já ganhou!
O problema continua a ser fazer isso acertar com a realidade dos votos contados. Basta somar a percentagem de indecisos, dos que ainda não decidiram ir votar e a margem de erro das sondagens para constatar que o que hoje querem apresentar como um facto poderá muito bem não o ser domingo à noite.
Era possível há três meses e é hoje ainda mais possível derrotar Cavaco, o que significa, para já, obrigá-lo à segunda volta.
Cavaco progrediu onde se instalou o desânimo e a descrença, onde lhe foi possível fazer silêncio sobre o seu passado e sobre as suas intenções (e as intenções do núcleo fundamental dos seus apoiantes), onde não houve contrapartida para a desinformação e a manipulação mediática. Teve a ajuda inestimável das políticas de Sócrates e da balbúrdia e desorientação no PS.
Mas Cavaco perdeu terreno onde foi reavivada a memória do que ele é, do que fez, do que representa. Onde renasceu a confiança, a combatividade, a esperança, a determinação em mudar de rumo.
Cavaco perde terreno onde Jerónimo avança.
Até domingo continua a haver votos a ganhar e um Cavaco que é possível derrotar.
Há uma batalha a ganhar.
Há uma batalha já ganha. A de um forte alargamento do campo dos que, sejam quais forem as dificuldades, lutam e abrem caminho a um Portugal com futuro.

VOTA JERÓNIMO! COM TODA A CONFIANÇA!

Cá estaremos

Hoje é dia de apelos e das últimas sondagens. Dramatiza-se o discurso, espalham-se os boatos que já não poderão ser desmentidos ou tenta-se referir uma ou outra coisa que ficou por dizer. Eu por mim escolho a terceira hipótese, e tentarei escrever sobre algo de que ainda não falei neste blogue.
Quem me conhece sabe do meu percurso político que, embora militando desde os 18 anos, tem vindo a ser muito mais próximo do associativismo do que dos partidos. Embora reconhecendo que os partidos são uma base fundamental do sistema democrático, tenho e sempre tive, muitas críticas a fazer ao meu partido e assumi-as publicamente por diversas ocasiões. Sempre o disse: sou comunista e, por isso, do PCP (não o inverso).
Contudo desde a eleição de Jerónimo de Sousa para Secretário-Geral do PCP (contra a qual, na altura, me manifestei publicamente) que sinto que as coisas estão a mudar dentro e, sobretudo, para fora do meu partido. Desde o seu discurso no Congresso até à forma de estar e de agir do partido no último ano e meio.
Há um outro momento que para mim me parece muito importante neste último ano e meio, e que hoje neste texto mais pessoal, me apetece falar - o funeral de Álvaro Cunhal. Foram milhares e milhares de pessoas que sentiam a morte do Álvaro como alguém que lhes era próximo e que os defendia. Milhares e mihares dessas pessoas, nunca votaram no PCP nem votarão em Jerónimo nestas eleições, mas sentiam que morria alguém que sempre viveu ao seu lado.
O respeito desse povo é o património, a obrigação e a esperança que um partido comunista (e neste caso uma candidatura comunista) pode e deve ter.

Sondagem da Eurosondagem que sairá no Expresso de amanhã:

CAVACO 53,0%
SOARES 16,9%
ALEGRE 16,2%
JERÓNIMO 7,2%
LOUÇÃ 5,8%
GARCIA PEREIRA 0,9%.

Sondagem da Eurosondagem de 12/11/2005:
CAVACO 52,5%
SOARES 18,0%
ALEGRE 16,9%
JERÓNIMO 5,7%
LOUÇÃ 6,3%
GARCIA PEREIRA -%.

Alegremente Candidato

Ontem entregaram-me este panfleto à porta de um centro-comercial na baixa-chiado, que alberga uma conhecida livraria de origem Francêsa (;-). Na frente do panfleto impresso em papel que alta qualidade, vinha um grande plano do candidato. No interior, vinha a colecção mais sui generis de apoiantes que jamais vi num panfleto político: 2 escritores, 2 actores, 7 músicos, e 7 pessoas ligadas ao desporto. Suponho que a versão alternativa do panfleto (a existir), teria "actores" de telenovela, participantes da Quinta das Celebridades ou suas variantes, habitantes da capa da revista Caras e outras sumidades mediáticas. Ausente neste documento, para além das frases que podem ler e o lema "O poder dos cidadãos" na frente, está todo e qualquer conteudo. Não há explicação das ideias do candidato, suas propostas, seu compromisso com os eleitores. O cidadão mais distraído (muito mesmo) não pode concluir trata-se de um candidato presidencial, pois em parte aluma surge a referência ao cargo. Ao candidato-poeta, faltaram-lhe as palavras, e até as vírgulas.

Junto com este documento foi-me entregue um A5 do mesmo candidato, anunciando o MegaConcerto de hoje. Suponho que também será um comício, pois o nome e foto do candidato vem discretamente no panfleto. Mas o grande destaque é o para os intervenientes musicais, incluindo o Francisco Fanhais, o Jorge Palma, os Paulo de Carvalho, e claro o mandatário para a juventude Pacman. Estou curioso de saber se algum deles irá ter intervenções políticas tão eloquentes e pertinentes como o Manuel Rocha da Brigada Vítor Jara teve oportunidade de nos ofereçer no Mega-Super-Hiper-Comício do Jerónimo de Sousa de sábado passado. Este mega-concerto irá ser também no Pavilhão Atlântico. Com bilhetes à venda (!!!), por 10 euros, nos locais habituais.

Por fim, tenho de mencionar que após ter recebido estas duas pérolas barrocas de propaganda política, fiquei alguns momentos no passeio defronte do dito centro comercial, enquanto o apoiante de Alegre distribuía paulatinamente. Eis que surge um, e depois um segundo, segurança do centro insistindo perante o activista que não poderia estar alí na sua actividade política. Foi tal a insistência dos seguranças que me senti obrigado, por solidariedade, de juntar o meu protesto: então não podia estar a distribuir na via pública?! Certo que era à porta do centro, mas na calçada, fora das suas portas. Ah, mas sob o tejadilho argumentava um segurança, o mesmo que achava que eu não me deveria intrometer. É o nosso espaço público a ser estrangulado. O que antes era praça pública, o espaço entre as tendas de venda, agora é propriedade privada, que se acha no direito de limitar que tem acesso às lojas e o que faz nos seus corredores, e pelos vistos nas suas fronteiras. Mandámo-los ir chamar a polícia. Não sei o terá acontecido depois. Já eram poucos os panfletos para distribuir.

Olhar pela janela

Ontem no metro de Lisboa vivia-se um dia normal com um ambiente de serenidade ritmada pelas vidas de quem desfruta a urbanicidade (gosto deste termo pois a redundância reforça). A determinada altura chegámos a uma estação que é anunciada ao altifalante como sendo ROSSIO. Contudo, olhando pela janela podíamos ver outra estação - BAIXA CHIADO. Dentro da carruagem, as pessoas, confrontavam-se com duas realidades diferentes; a que lhe era transmitida pelos altifalantes e a que podiam ver através da janela. Quem queria sair na BAIXA CHIADO hesitou. Houve alguns que avançaram e sairam, outros(poucos) que acabaram por ficar dentro da carruagem.
É um pouco isto que se passa nas eleições presidenciais. De um lado estão os analistas, comentadores, sondagens e títulos de jornais, do outro, está aquilo que podemos observar de cada uma das nossas janelas.
A 22 de Janeiro compete a cada um decidir se avança ou confia nos altifalantes.

O povo é quem mais ordena

A jornalista Kátia Rebarbado d'Abreu, com a ironia que lhe é característica, levanta uma questão que me parece, nestes últimos dias de campanha, de absoluta relevância. A jornalista aceita que Jerónimo seria o candidato no qual gostaria de votar mas manifesta reservas sobre as suas possibilidades numa segunda volta contra Cavaco. Que votos conseguiria Jerónimo juntar? Em quem votaria Sócrates ou qualquer dos seus ministros? Que indicação de voto daria o PS?
É verdade que para todas estas dúvidas não tenho respostas, ou melhor, podia tentar pôr-me a adivinhar, e até apostar, mas não me interessa fazê-lo.
Aquilo que não é preciso ser-se adivinho ou apostador para prever, é que se a candidatura de Jerónimo passar à segunda volta ganha asas e pode voar até onde o povo quiser. O candidato que surge nas sondagens em 5º lugar e que teve menos relevância para a engrenagem mediática, invertia os dados do jogo e, de derrotado a priori, passava a vencedor da primeira volta. Ou melhor, não era Jerónimo que invertia os dados do jogo, mas sim o povo que o invertia.
Tenhamos consciência que nada ficaria como dantes, que deixava de interessar a opinião de Sócrates e dos seus ministros ou o apoio do PS.
Na segunda volta, só ao povo competiria decidir!

O Mais Livre acordou mal disposto

O Mais Livre acordou mal disposto. Num acto de puro reaccionarismo político decidiu desformatar-se. Este amador de HTML que vos escreve, apenas conseguiu por agora, contornar o problema. Ainda não aparecem os nomes e datas dos autores dos textos, mas o problema da barra do lado esquerdo já está resolvido...

"Horríveis" dilemas de última hora

À medida que se aproxima a hora da verdade aumentam os sinais de que a engrenagem começa a andar às aranhas. A coisa não está para menos.
Ouçam esta conversa, que se ouvia em altos berros na carrinha dos assessores:
"Até as "sondagens" trazem o homem a cair diáriamente. Se lhe damos ainda mais tempo de antena há sempre aquele problema de o homem abrir a boca, seja para falar ou não...
"Aquela bocarra é um pesadelo. Uma hipótese ainda seriam os últimos discursos em playback.... "Depois é as gaffes, e aquele ar de manequim mal articulado (quem foi a besta que se lembrou de o pôr a acenar a bandeira, qual guarda de passagem de nível?)."
"Temos que puxar mais um bocado também por aqueles dois, mas a coisa está no limite..."
"Depois há o outro. Mesmo com o tempo reduzido ao mínimo, as reportagens às três pancadas, o alinhamento grosseiro, basta-lhe meia dúzia de segundos para um momento emocionante como aquele com as crianças em Braga, o que é que se há-de fazer... Talvez acabar com o carro da reportagem, dizemos que se avariou uma peça que tem que vir da Alemanha...".
Por delicadeza, não quis ouvir mais...

Docentes do ensino superior e investigadores apoiam Jerónimo

1. A candidatura de Jerónimo de Sousa assume, clara e inequivocamente, o seu compromisso com os trabalhadores portugueses, os seus anseios e aspirações.
2. A situação política nacional exige uma clarificação das posições respeitantes ao futuro do país. A política de Direita que há trinta anos flagela a imensa maioria dos portugueses tem de ser substituída por uma política assente em quatro grandes pilares: Democracia Política, Democracia Económica, Democracia Social, e Democracia Cultural; uma política de esquerda ao encontro de uma Democracia Avançada, com justiça social. A candidatura de Jerónimo de Sousa é a única que tem este fim, e por isso potencia a mobilização dos Portugueses para este objectivo.
3. De todas as candidaturas à esquerda de Cavaco Silva, a de Jerónimo de Sousa é a única que, numa linha de total coerência, coloca como objectivo primeiro e principal derrotar a candidatura de direita, age em conformidade com esse objectivo e por ele se bate e baterá com todas as suas forças.
4. A candidatura de Jerónimo de Sousa não se esconde por detrás de subterfúgios ou demagogias, é uma candidatura para a qual a verdade constitui uma questão de princípio. Entre ganhar votos mentindo ao eleitorado e perder votos dizendo a verdade, a opção de Jerónimo de Sousa será sempre a de dizer a verdade.
5. O voto em Jerónimo de Sousa é o voto da esperança que resulta: da convicção de que há outro rumo para Portugal; da rejeição das inevitabilidades e dos fatalismos inventados pelos que só pensam em perpetuar a exploração e a injustiça; na esperança que tem na Revolução de Abril uma referencia permanente; na esperança que se constrói com acção, com trabalho, com luta.
Os docentes e investigadores abaixo assinados manifestam ainda o seu total repúdio pela imagem de excelso governante que se pretende transmitir de Cavaco Silva. Na verdade ainda está na nossa memória o debate na Assembleia da República em Outubro de 1986 da nova grelha salarial para docentes e investigadores, aonde, após a sua aprovação por unanimidade que conferia uma melhoria substancial da nossa situação, o Primeiro-Ministro Cavaco Silva fez os deputados recuarem, e nos ofendeu, ao acusar os Professores Catedráticos de fazerem exigências irresponsáveis nessa matéria. Também nunca vimos o Primeiro-Ministro Cavaco Silva dotar as Universidades e Politécnicos de meios financeiros adequados nunca negociados, antes deixando-os afundar em subfinanciamento crónico; ou garantir os meios financeiros para o exercício em plenitude da sua autonomia científica. Noutros graus de Ensino a sua prestação ainda foi pior, tendo sido na sua governação aprofundada a situação de descalabro dos Ensinos Básico e Secundário de tão gravosas consequências sobre o Ensino Superior e sobre o país.
Por todos estes motivos os docentes e investigadores das Universidades e Institutos Politécnicos abaixo assinados apelam ao voto em Jerónimo de Sousa, com a certeza de que este voto permite afirmar, com convicção e confiança, que a luta por um Portugal com futuro continua e que é possível materializar a esperança!
Lisboa, 23 de Novembro de 2005
Subscritores:
Ana Novais; Ana Maria Silva; Ana Pedro; António Armando da Costa; Armando Melo; Carlos A. Mota Soares; Carlos Alberto Rodrigues Martins; Catarina Casanova; Eduardo Chitas; Elmina Gouveia Barreira Lopes; Emygdio Landerset Cadima; Fernando Correia; Fernando Guerreiro; Gonçalo Caroço; Humberto Claro Mateus; Jaime Menezes; João Arsénio Nunes; João Eduardo Coutinho Duarte; João Ferreira; Joaquim Infante Barbosa; Jorge Cadima; Jorge M. S. Alves; Jorge Rezende; José Barata Moura; José Dores Costa; José Ribeiro; Leonor Moniz Pereira; Lucinda Mata; Luís Varela; Luis Vicente; Luísa Consiglieri; Manuel Amadeu Ribeiro do Carmo; Manuel Gusmão; Margarida Pino; Maria Cândida Novais; Maria Clara Grácio; Maria Helena Mira Mateus; Mouhaydine Tlemçani; Pedro Trindade e Lima; Rui Albuquerque; Rui Namorado Rosa; Rui Salgado; Sara Fernandes; Silas Coutinho Cerqueira; Urbano Tavares Rodrigues; Victor Semedo Gonçalves; Victor Paulo Gomes da Silva; Vítor Maló Machado

A estratégia de Alegre - por Manuel A. Pina

"A morte fica-lhes tão bem..."

Segundo noticiou ontem o "Correio da Manhã" ci­tando fontes oficiais do STAPE, existem nos cadernos eleitorais 600 000 votantes fantasmas, na sua grandes maioria mortos. Trata-se de uma faixa do elei­torado negligenciada pela ge­neralidade das candidaturas presidenciais. Só Manuel Alegre se terá apercebido da importância desses 600 000 votos, que constituem 7% do eleitorado. Daí que a sua campanha se tenha desde o início orientado no sentido de ir ao encontro desses eleitores fantasmas, prodigalizando, em cada terra por onde passa, homenagens aos mortos lo­cais ou de qualquer modo re­lacionados com a localidade. Foi Fernando Vale em Coja, Álvaro Cunhal em Peniche, Miguel Torga em S. Martinho da Anta (aqui com beijo na estátua e tudo), foram ontem os nove enforcados liberais em Aveiro e será hoje Sousa Franco em Matosinhos. O que tem gasto em coroas de flores aproveitar-lhe-á decerto em votos no domingo. Por algum motivo, aliás, as sondagens dão a Alegre justamente 7% de votos mais do que a Mário Soares. A confiança de Alegre nesses votos é tal que ontem, em Aveiro, declarou-se já vence­dor das eleições, anunciando depois de interpelado por um eleitor vivo: "Eu não sou o presidente da Câmara, eu sou o presidente da República..."

Manuel António Pina
ontem no Jornal de Notícias

A candidatura de Jerónimo irá até onde o povo quiser

A entrevista à famosa jornalista Katia Rebarbado d'Abreu:

"-- E agora vamos ao Jerónimo...
Mas é que é já a seguir!...
-- Então, o que quer dizer dele?...
-- Quero dizer que foi a única verdadeira surpresa desta campanha, lúcido, correcto e directo, não poupou nenhuma a quem delas precisava. Mostra que o chamado Povo Comunista, ao contrário dos outros sectores da nossa vida democrática, acertou no alvo. O Partido Comunista está de parabéns, e de parabéns estamos todos os que gostamos de bons acontecimentos. O pior vem a seguir...
-- Então?...
-- ... então, quer dizer que, ao eventualmente passar a uma Segunda Volta, Jerónimo de Sousa não poderia congregar aquela massa instável do Centro-Direita/Centro-Esquerda que, para bem ou para mal, tem decidido os destinos deste desgovernado país, de há 30 anos para cá...
-- Portanto, Jerónimo também não pode ser.
-- Se pudessem ir três candidatos à segunda volta, Jerónimo era o único que eu gostaria de ver lá, mas a vida é muito mais dura do que aquilo que gostamos de ver...
-- E vai daí que...
-- Vai daí que... pois..."


Critérios jornalísticos?

Os gráficos da Marktest no post do André Levy são um documento estarrecedor. Não há como um bom gráfico para visualizar o escândalo da discriminação mediática em relação a uma única candidatura.
Os jornalistas ficam muito incomodados quando ouvem críticas à cobertura jornalística da campanha. Pois se querem incomodar-se, incomodem-se com os patrões e os editores que promovem a caricatura de informação que fica à vista.
Como ficam à vista outras coisas: que Cavaco fosse o maior beneficiário já se estava à espera. Agora quem aparece em segundo lugar não é o amigo Louçã? Aquilo é que é uma voz "incómoda"....

Esconder o possível

Voltemos ao comício em que a candidatura de Jerónomo de Sousa esgotou a lotação da maior sala de espectáculos do país, tendo ainda ficado no exterior cerca de 4000 pessoas que ficaram até ao fim. Não é um facto muito comum e os mais ingénuos de nós perguntar-se-ão porque é que a comunicação social e sobretudo as televisões não só não n0s ajudam a compreender o acontecimento, como antes procuram escondê-lo de várias formas e, designadamente, não o entendendo como "facto político". A triste mistura de cegueira e preconceito, de fidelidade aos valores, interesses e 0s desejos de quem manda, e a auto-censura para a qual muitos jornalistas têm vindo a ser empurrados, é um factor que perigosamente sabota, desfigura e degrada a democracia.
Revela o trabalho da manipulação e é uma manifestação de arrogância e de intolerável desprezo em relação àqueles milhares e milhares de portuguesas e portugueses que reconhcem naquele candidato, Jerónimo de Sousa, e no principal partido que o apoia, o PCP, não apenas um representante e uma organização fiel à delegação da vontade popular; mas alguém que vem de entre eles, que trabalha e luta com eles e cujo horizonte é o da inteira liberdade, da justiça e da emancipação individual e colectiva.

Manuel Gusmão

Carta aos candidatos presidenciais sobre a questão iraquiana

A Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque (AP-TMI) enviou a seguinte carta aos candidatos presidenciais em 6 de Janeiro:
«
Ex.mo Senhor:

Com o propósito de contribuir para o esclarecimento do eleitorado, a Comissão Organizadora da Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque vem por este meio colocar-lhe, na sua qualidade de candidato à Presidência da República, dezoito perguntas acerca da crise internacional desencadeada com a invasão e a subsequente ocupação do Iraque.

Para que possa dispor de todos os dados que expressam as posições públicas da AP-TMI sobre o assunto, remetemos em anexo um conjunto de documentos produzidos pela Audiência Portuguesa (Março de 2005, em Lisboa) e pela Audiência Mundial (Junho de 2005, em Istambul) do Tribunal Mundial sobre o Iraque.

Assim:

1. Considera que a invasão e a ocupação do Iraque constituem uma agressão a um estado soberano e, como tal, devem ser denunciadas como crime contra a paz, nos termos da Carta das Nações Unidas?
2. Considera que o uso de mentiras para preparar a agressão deve ser condenado como crime contra a paz?
3. Considera que a violência generalizada das tropas ocupantes sobre a população e os resistentes (que se salda neste momento em muitas dezenas, provavelmente em centenas, de milhares de mortos civis) deve ser condenada como crime de guerra?
4. Considera que o uso pelos ocupantes de tortura sobre prisioneiros deve ser condenado como crime de guerra?
5. Considera que o uso de armas proibidas pelas tropas ocupantes (designadamente, fósforo branco, urânio empobrecido, bombas de fragmentação) deve ser condenado como crime de guerra?
6. Considera que a destruição de infra-estruturas, de património cultural e de recursos vitais pelos ocupantes deve ser condenada como crime de guerra?
7. Considera que a apropriação dos recursos económicos, designadamente, o petróleo do Iraque pelos países agressores deve ser condenada como crime de guerra, e apontada como motivo não confessado da agressão?
8. Considera legítima a resistência do povo iraquiano à ocupação, conforme está consagrado na Carta das Nações Unidas e na Constituição Portuguesa?
9. Considera que é dever da comunidade internacional apoiar essa luta e exigir a retirada incondicional dos ocupantes e a devida indemnização ao povo iraquiano?
10. Considera legítimas as instituições e leis impostas ou tuteladas pelos agressores sob pressão da ocupação militar?
11. Considera os governos portugueses liderados por Durão Barroso e depois por Santana Lopes culpados de cumplicidade nos crimes acima referidos?
12. Como avalia o facto de o actual Presidente da República não ter impedido o envolvimento de Portugal na guerra?
13. Considera que aos órgãos de comunicação social e aos articulistas que veicularam mentiras para justificar a agressão deve ser exigida retractação e pedido de desculpas à opinião pública?
14. Para corresponder à vontade da maioria da população portuguesa, que medidas propõe no sentido de levar o actual governo a rever a política nacional a respeito do Iraque?
15. Tenciona pôr termo à utilização da base das Lajes para fins de manutenção da ocupação do Iraque pelos EUA?
16. Que medidas se propõe tomar para indagar da responsabilidade das autoridades portuguesas no tráfego de aviões­?prisão da CIA por território nacional? E para impedir que tal tráfego prossiga?
17. Que acção pensa desenvolver junto das instâncias da UE para banir as prisões secretas que a CIA instalou na Europa e para condenar os EUA por essa prática?
18. Que esforços políticos e diplomáticos se propõe empreender para a reposição da legalidade no Iraque?
Aguardando resposta, subscrevemo-nos, com os melhores cumprimentos.
Lisboa, 6 de Janeiro de 2006
A Comissão Organizadora da Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque
Berta Macias, Cristina Meneses, Eduardo Maia Costa, Guadalupe Magalhães, Graça Moreira, José Mário Branco, Manuel Monteiro, Manuel Raposo, Margarida Vieira, Mário Tomé, Paulo Esperança, Vladimiro Guinot

'Tá no Papo!

Pacheco Pereira, no Abrupto, escreve sobre os ministros que entraram na campanha, para além das, mais ou menos inócuas, declarações de José Socrates. Assim Pacheco Pereira diz que "é também o Governo que tem que respeitar os poderes do Presidente". Esquecendo-se que para o seu Presidente presidir, os portugueses ainda terão de ser consultados no dia 22 de Janeiro. Depois disso, se Cavaco ganhar (então sim!), poderá colocar em campo todo o ódio e ressentimento acumulado ao longo destes últimos dez anos e, pelo menos, fazer cair dois ou três ministros.

Tempo de antena

Estes gráficos da Marktest são impressionantes e confirmam o que intituivamente já se sabia. Curioso é também ver os números do Soares, que tanto se queixa da atenção da comunicação social. Quem tem sido verdadeiramente e dramaticamente descriminado contra tem sido o Jerónimo.
O evento de campanha mais escandalosamente escondido foi sem dúvida o comício no Pavilhão Atlântico de sábado passado. Como dizia um amigo meu: "Se eu não tivesses estado no lado de fora do Pavilhão Atlântico, pois não pude entrar, até pensaria que tal grandioso comício não teria tido lugar." Outro amigo que esteve presente no Pavilhão escreveu-me ontem a esclarecer que "Os numeros em relação aos presentes no interior eram superiores a 25 mil e não os 20 mil do seu post. Lugares sentados eram 25 mil ( fonte funcionária Pav.) mais todos os outros que estavam ou nas escadas ou em pé no recinto central."
Devemos exigir um tratamento mais equitativo por parte dos media. Está no nosso direito fazê-lo, por respeito à candidatura e seus apoiantes, e por respeito ao funcionamento democrático. Mas também não devemos ter ilusões. Afinal de contas, de quem são os meios de comunicação privados, os jornais e televisões? Devemos protestar esta descriminação, mas devemos, urge, apostar em fazer uso dos nossos próprios meios de passar a informação, pela imprensa mais equitativa, pelos blogs, mandando correios electrónicos, e sobretudo pelo contacto humano. É mais lento, certamente. Não permite chegar a dezenas de milhares ao mesmo tempo. Mas confio que o esclarecimento directo, convicto e apaixonado, informado e fundamentado, é o meio mais persuasivo. Mas é também o mais exigente para quem quer difundir informação e ideias. Há que recolher a informação e chegar às pessoas, falar com elas, prestar todos os necessários esclarecimentos. Outro amigo ainda, cita-me frequentemente o Fidel Castro, para dizer que a grande batalha que temos pela frente, diariamente, é a batalha das ideias. Armem-se e em frente, força!




Tradução de artigo sobre as sondagens

A tradução desde artigo publicado no Margens de Erro, foi feita pela Margarida.

"O uso de sondagens pode alastrar além da razão. Nas eleições nos USA já atingiram este ponto. Como foi relatada pela imprensa americana, uma campanha é uma luta espectacular: seguidores repentinos, encontros de vida ou de morte, estratégia, tácticas, vencedores e perdedores. Uma campanha, para se ter a certeza, tem todas estas coisas, mas é mais do que estas coisas. É uma oportunidade para escolher o líder da nação. (…) A cobertura americana duma eleição conduzida pelas sondagens, enfatiza tende a desvalorizar conteúdos que informarão o julgamento dos votantes.
As histórias induzidas pelas sondagens também distorce a percepção pública dos candidatos. (…) Os candidatos são estrategas, com certeza. Mas o facto deles dramatizarem os seus apelos e encenarem as suas mensagens não é nenhuma novidade. Tais manobras são tão velhas quanto a política. O que é novo é a intensidade penetrante sob a qual as actividades dos candidatos são expostas, dissecadas e criticadas. E não deve constituir surpresa que ao mesmo tempo que os candidatos são apresentados como mestres de estratégia e manipulação, os americanos os tenham em menor consideração.
Nem deve constituir surpresa que os americanos se tenham azedado com as campanhas. As eleições tornaram-se negócios negativos, cheios de comentários e análises de corridas de cavalo. (…) As sondagens não podem ser culpadas por todas ou mesmo a maioria dos males das campanhas americanas. Mas esta técnica poderosa tomou o seu lugar ao lado das grandes fortunas, publicidade negativa, jornalismo de ataque e outros desenvolvimentos que em combinação diminuíram as eleições americanas."

In Thomas E. Patterson, "Of Polls, Mountains: U.S. Journalists and their Use of Election Surveys", Public Opinion Quarterly, Vol. 69, nº 5, pp. 716-724.

O João nos comentários notou um problema na tradução anterior. A frase "America's poll-driven election coverage squeezes out content that would inform voter's judgment" surge traduzida como "A cobertura americana duma eleição conduzida pelas sondagens, enfatiza conteúdos que informarão o julgamento dos votantes" devendo, de acordo com o João, ter a seguinte tradução: "A cobertura das eleições norte-americanas centrada e motivada pelos resultados das sondagens reduz a importância dos conteúdos sujeitos ao julgamento dos eleitores".
Embora me pareça que a frase do João vai no sentido correcto do texto original, não resisto a lançar-me na procura da frase mais correcta (embora ainda não fique muito satisfeito com o resultado): "A cobertura americana duma eleição conduzida pelas sondagens tende a desvalorizar conteúdos que informarão o julgamento dos votantes"

Sondagens - O 7º candidato

Não tenho grandes dúvidas de que os resultados das eleições do próximo domingo assumirão uma particularidade muito mais saliente relativamente às sondagens do que todas aquelas já anteriormente realizadas em sufrágios presidenciais. Resultados esses que não serão somente um teste mas sim "o" grande teste às empresas de sondagens e estudos de opinião bem como aos métodos em voga. Por isso mesmo penso não ser exagerado pensar que a credibilidade dessas mesmas empresas está tão em jogo quanto as próprias candidaturas à presidência da república. Por força de uma mediatização excessiva, uma corrida louca e uma disputa acérrima por novos e "mais abrangentes" resultados, pela sua massificação e disparidade verificadas entre umas e outras entidades, penso que durante esta semana nada mais se fará nesses centros de estudo do que rezar às alminhas para errar o menos possível. A ver vamos.

Colocado também no Ad Argumentandum

Um texto importante

A ler, no Margens de Erro, um interessante post acerca do papel das sondagens, na base da experiência dessa grande democracia que são os E.U.A.
O Margens de Erro, de caminho, vai pondo as barbas de molho...

O post de que se fala

Jerónimo de Sousa por Pacheco Pereira (no Abrupto).

A engrenagem meteu o plano B

O comício do Pavilhão Atlântico desencadeou o efeito esperado na engrenagem: silêncio, ocultação, sobrevalorização de todas as iniciativas (por mais insignificantes, por comparação) de todas as outras candidaturas. Todas são aceitáveis pela engrenagem. Esta mete-lhes medo.
Reportagens das iniciativas de Cavaco e de Alegre (e também, noutro plano, de Louçã) montadas como tempos de antena.
Um novo critério de discriminação nas televisões: as "candidaturas que podem passar à 2ª volta".
E, está claro, mais "sondagens". A do DN (um autêntico caso de polícia, como alguém escreveu há anos) até está à espera de ver se se reflecte no seu estudo o efeito do comício. Os vigaristas fingem ignorar que não é o comício que tem reflexos nas "sondagens". Aquele gigantesco comício é, isso sim, um reflexo daquilo que as sondagens procuram esconder.

Comunício

Não estive no Pavilhão Atlântico, mas o filme que o André nos deixa aqui, vencendo o muro do silêncios da comunicação social, é arrepiante. Um blog também serve para informar e para "espalhar a notícia".

A cábula de Cavaco

Questões sobre o PSD, Marques Mendes, Ribeiro e Castro e o outro partido:
Identificar-se como social democrata, sem dizer o que entende como tal. Dizer que a candidatura foi uma decisão pessoal, tomada com a família. Não esquecer de referir ser um candidato supra-partidário e independente.
Questões sobre a interrupção voluntária de gravidez, casamento entre pessoas do mesmo sexo, legalização da prostituição ou privatizações:
Dizer que é competência da Assembleia da República e do Governo. Não emitir opinião, sobre o que pensa em nenhuma circunstância.
Questões tensas do dia, Procurador Geral da República, caso Casa Pia ou venda da EDP:
Referir que não tem todos os dados da questão, que é um candidato à Presidência da República que pensa vencer as eleições e, como tal, só deve emitir opinião após as eleições e deter conhecimento aprofundado do dossier.
Questões sobre opção clubística, local da cidade onde gosta mais de viver ou prato preferido.
Tentar referir todos.
Questões sobre o Governo, Ministros ou José Socrates.
Dizer que quer ser Presidente da República para ajudar o Governo. Referir termo cooperação estratégica, sem explicar melhor.

NOTAS FINAIS:
No caso de algum jornalista mais impertinente lhe pedir para dar uma ideia daquilo que pretende fazer: Responder utilizando termos como Progresso, Desenvolvimento e Prosperidade dizendo-se muito preocupado com o desemprego. Dar exemplos de índices de desenvolvimento, comparar com Espanha, como tem feito. Não dar nenhuma ideia do que pretende fazer.
No caso de aparecer um daqueles jornalistas mais solicito e disponível para o servir sem lhe fazer perguntas:
Falar de economia (mais do que Louçã), do desemprego e dos mais carenciados (mais do que Jerónimo), dos dossiers (que Soares não estuda), do seu percurso académico (que os outros não têm) e dar um ar que tem cultura de acordo com a definição do Google (que Alegre não conhece). Em "sinal de respeito" nunca referir o nome dos seus adversários.

Também publicado no Cavaco Fora de Belém

O Partido de Garcia Pereira

Garcia Pereira, e o seu MRPP, têm vindo ao longo dos últimos anos a somar uma tipologia de votos de protesto (outrora património do PSR), provenientes de pessoas que querem punir os seus representantes nas diferentes instituições e pelas mais diversas razões. Contudo o MRPP já não existe e é Garcia que o arrasta ao sabor dos amigos e das cumplicidades que vai fazendo na sua agitada vida profissional.
Ontem, Garcia Pereira foi à Madeira e, tal como Soares e Cavaco, piscou o olho a Alberto João dizendo que o PSD vencerá sempre as eleições, porque não há oposição.
Um madeirense, sentindo-se traído, respondeu-lhe que o candidato só dizia isso por ser advogado do vice-presidente do PSD. Garcia chamou-lhe provocador e foi-se embora.

Dentro e Fora do Pavilhão Atlântico

Para quem pôde entrar no Pavilhão Atlântico ontem, houve vários momentos particularmente emocionantes: a moldura humana; o drapejar vermelho e branco; o cantar da "Grâdola Vila Morena", o ecoar dos gritos "Jerónimo avança, com toda a confiança"; o saber que lá fora estavam ainda milhares de apoiantes, e que Jerónimo, na sua disponibilidade e humildade, havia ido ao exterior para aí directamente poder contactar esses apoiantes; a "Carvalhesa" tocada pela Brigada Vítor Jara; o discurso de Jerónimo, etc, etc.
Cerca de 20 mil pessoas no recinto, umas quatro mil no exterior, e outros tantos que não podendo entrar circularam pela parque da Expo, envergando os cachecois vermelhos. Foi um risco terem semanas atrás lançado o objectivo de encher o Pavilhão Atlântico. Diziam que era ambicioso. Pois foi um objectivo superado. Demonstrou uma capacidade de organização e mobilização tremenda, possível pela abrangência da candidatura do Jerónimo. Como Cândido Mota fez notar, não se tratou apenas do máquina do PCP a funcionar, embora esse tenha sem dúvida sido motor importante. Pois alí estiveram milhares de apoiantes que não eram militantes do PCP ou de outras forças. Pessoas de esquerda que se opõem a Cavaco e vêm no Jerónimo o candidato que demonstra conhecer a letra e espírito da Constituição, e revela ter a coragem e verticalidade para a defender e fazer cumprir.

(Um parentesis para sublinhar que, ao contrário do que já tenho visto afirmado, Cavaco não é o único candidato apoiado por dois partidos. Jerónimo é apoiado pelo PCP e pelo Partido Ecologista "Os Verdes", portanto dois partidos com assento parlamentar.)

Deste momento histórico, estão algumas imagens e sons neste link.

Eu também voto no povo

Vale a pena ler na íntegra o texto do guerrilheiro:

"Eu voto no povo. Voto no operário que se candidata a Presidente da República. Voto no comunista que se atreverá a fazer frente aos grandes interesses do capital. Voto no humanista que acredita que um mundo diferente é possivel. Voto nos trabalhadores, nos estudantes, nas mulheres, nos intelectuais e nos reformados e pensionistas. Voto naqueles que todos os dias produzem e fazem este país andar.

Eu voto Jerónimo de Sousa."

Subscrevo.

Votar contra Cavaco já não é mau, mas pode-se votar AINDA MELHOR

Os blogues anti-Cavaco lançaram esta palavra de ordem.
Votar contra a direita é importante.
Mas não será melhor ainda votar contra a direita e contra as políticas de direita, com as quais outros candidatos estiveram e estão comprometidos?
O voto na candidatura de Jerónimo é um voto para derrotar a candidatura da direita e um voto na única candidatura que se bate por uma ruptura democrática e de esquerda com as políticas de direita!
Junta o teu voto a uma maré popular e democrática que já nenhuma manipulação mediática poderá ocultar!

INESQUECÍVEL









Para quem lá não esteve (e, se lá estávamos em massa, ainda há muitos mais de nós que lá não puderam estar) só alguns dados:
O Pavilhão Atlântico estava organizado para a lotação máxima;
A segurança do Pavilhão fechou os acessos antes das 15.30, porque a essa hora já se ultrapassara a lotação máxima;
No exterior do Pavilhão ficou uma multidão de mais de 4000 pessoas.
Quando Jerónimo veio ao exterior falar para os que não tinham podido entrar, falou para quase tantas pessoas como os outros candidatos tiveram a ouvi-los em todo o dia.
Mas, mais do que os números, foi o ambiente. Gente real, que tem mais significado do que mil sondagens.
Para o ambiente, desculpem, mas não consigo encontrar agora as palavras certas.
*
Algumas imagens ajudam.
Entretanto, os jornais de hoje dão alguns exemplos de "jornalismo". O DN consegue encolher a lotação do Pavilhão Atlântico em perto de 11.000 lugares. Isto é que é jornalismo, não é?

TODOS AO PAVILHÃO ATLÂNTICO!!

O comício de amanhã não é mais um grande comício. Durante muito tempo vai ser lembrado como o comício.
A luta política tem por vezes destes momentos irrepetíveis em que tudo se junta: a festa, o entusiasmo, a alegria, a combatividade, a participação em massa, a confiança e a força da determinação colectiva.
Quem lá não for nem poderá viver este momento, nem poderá nunca lembrá-lo.
Quem lá for, nunca mais o esquecerá.

Jerónimo diz ter sido alvo de «vigilância» no tempo de Cavaco

Pode ser lida a noticia a que me refiro em "Jerónimo diz ter sido alvo de «vigilância» no tempo de Cavaco"

Não era Cavaco que nos escutava, mas era para Cavaco que escutavam.
Na altura era dirigente associativo universitário e, todos sabíamos ser escutados. Nas associações de estudantes e nas nossas casas, Dias Loureiro punha sempre a sua orelhinha. A orelhinha, aliás era fácil de perceber pelo eco da comunicação e pelas vozes dos agentes do SIS mais incautos.
O perigo de Cavaco ganhar estas eleições está bem patente nas suas prioridades, destacadas pelos Mandatários Digitais:
"O desafio que temos à nossa frente não é o da liberdade ou da democracia, que estão enraizadas, é o desafio do desenvolvimento e da prosperidade".
Cavaco Silva, no Fundão, em 11 de Janeiro

Cavaco continua a reunir apoios

"Carteiristas com Cavaco". A GNR deteve um carteirista que se fazia passar por apoiante de Cavaco Silva. A detenção, em flagrante, ocorreu, ontem à tarde, em Amarante, durante a jornada de campanha que o candidato presidencial fez no centro histórico da cidade. O que não impediu que a GNR tenha identificado pelo menos 17 vítimas dos carteiristas, só durante a tarde de campanha de ontem.Fonte do destacamento da GNR de Amarante explicou, ao JN, que o carteirista detido, de 40 anos, residente em Gaia, tinha na sua posse uma carteira que acabara de furtar a um cidadão amarantino, aproveitando a confusão gerada pela passagem de Cavaco. Um segundo carteirista, também detectado pela GNR, conseguiu fugir.Registe-se que a presença da GNR na comitiva se ficou a dever à informação chegada da segurança de Cavaco Silva, segundo a qual carteiristas, disfarçados de apoiantes, andariam integrados na caravana eleitoral.Ao final da tarde, aliás, alguém usou, no Porto, um cartão de crédito, que estava numa carteira também furtada em Amarante, durante a tarde, para pagar uma conta de 1500 euros de apostas no Euromilhões. E até às 20 horas, à GNR de Amarante já tinham chegado pelo menos 17 queixas de furtos de outras tantas carteiras.

in Jornal de Notícias

Um método de investigação

Recebi um telefonema algo insólito:
- Boa tarde Filipe Diniz.
- Boa tarde.
- Chamo-me Lourenço Lareira e sou historiador. Tenho um trabalho de investigação que estou certo vos interessará divulgar no Mais Livre.
- Sim? E qual é o assunto?
- É sobre a tentativa de assassinato de Marcelo Caetano por um grupo de dissidentes do regime encabeçados por Sá Carneiro.
- O quê? Nunca ouvi falar nisso.
- Pois não. É um dos segredos sulfurosos do regime. Há uma grande teia de cumplicidades. Um autêntico pacto de silêncio.
- E como é que documenta a sua investigação?
- Foi muito difícil. Os intervenientes destruíram toda a documentação. Nem nos arquivos da Legião Portuguesa consegui encontrar a mais ligeira pista deste acontecimento decisivo.
- Mas isso não prejudicou a sua investigação?
- Um pouco. Mas eu sabia que havia de encontrar testemunhos deste facto que marcou os anos finais do regime.
- E como é que se documentou?
- Bem, tenho vários testemunhos de pessoas que preferem manter o anonimato, por razões compreensíveis. Além disso tive acesso aos arquivos secretos da República Socialista Balcânica do Báltico, onde obtive informação decisiva, infelizmente por um preço exorbitante. Mas acho que valeu a pena.
- Então e outros testemunhos?
- Há silêncios que são os testemunhos mais eloquentes. Alguma vez ouviu Balsemão fazer a mínima referência a esta conspiração? E o próprio C. Silva? Ou acha que isso não tem significado?
- Bem…
- E, sobretudo, tenho o testemunho de Sá Carneiro, confidenciado a uma pessoa que falou com ele, e que não estava só.
- Mas é difícil agora confirmar esse testemunho junto de Sá Carneiro, não acha?
- Mas afinal de contas qual é a sua ideia, Filipe Diniz? Quer a história de um acontecimento fundamental da nossa história recente, ou quer manter o silêncio e a manipulação?
- Oh Lareira, o que eu acho é que a sua investigação é, digamos assim, pouco documentada e um bocado desonesta…
- Pouco documentada? Desonesta? Você está a pôr em causa o método de investigação do Pacheco Pereira?
(Desliguei. Confesso que fiquei um bocado incomodado)

A sondagem diária da Marktest

A sondagem diária da Marktest, embora só amanhã se possa retirar algumas tendências de voto, vai-nos desde já dizendo que é a minha geração (18/34 anos) que menos vota Cavaco. Para verem os dados terão de se registar. É gratuito mas vale a pena.
Contudo, chamo desde já a atenção, para alguns factos sobre quem andam a entrevistar:
- Maioritariamente votantes do PSD (no dia de hoje - 172) - PS (152), BE (19), CDU (23) e CDS-PP (8) - ontem entrevistaram mais votantes no BE do que da CDU
- A faixa etária menos representada é a de 18/34 anos
- Em termos de "classe social" parece-me que não será bem o espelho do país... Alta/Média Alta (109), Média (132), Média Baixa/Baixa (245)
- A região mais representada na sondagem é o Interior Norte (116), abaixo da Grande Lisboa (99) e do Grande Porto (50).
Depois lamentar-se-ão...

Quem vê caras...

Há de facto imagens que valem por mil palavras. É o caso destas.

Os cristãos-novos e a maré

O Ivo chama a atenção, num post anterior, para uma prosa de Francisco José Viegas, um cristão-novo do cavaquismo que, nessa condição, se sente obrigado a manifestar veementemente o seu fervor (que já foi recompensado com um lugarzito proporcionado pela CML, não é verdade?).
Mas a questão não é só essa. É a maré crescente em torno da candidatura de Jerónimo, que ontem teve uma expressão na Baixa do Porto como nenhuma candidatura teve até hoje nesta campanha. Esse é que é o problema dos Viegas todos.

Lê-se por aí...

Com o título "O estalinismo susceptível", uma grande foto de Jerónimo de Sousa e um artigo carregado de ironia, Francisco José Viegas resolveu hoje virar antenas à esquerda atacando o candidato comunista. Fazendo uso de um esquema muito em voga e que mais não é do que interpretar situações ou declarações de forma ficcionada apenas com o intuito de proferir o que lhe interessa, o escritor cola o dito "estalinismo" a Jerónimo de Sousa, justificando-se com a falsa afirmação de que Jerónimo quer ou quis impedir alguém de usar o nome de Álvaro Cunhal. De tão escassa argumentação percebe-se que há quem prefira aventurar-se pelo uso rotineiro do mais pequeno "indício de" (ainda que absurdo, irreal e inventado) como sendo a escapatória para criticar uma ideologia e colocá-la num determinado contexto negativo - isto sim é a verdadeira cassete!

MANIFESTO DE TRABALHADORES DAS ÁREAS DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA

Foi lançado o sequinte manifesto dos trabalhadores das área da ciência e da tecnologia em apoio à candidatura de Jerónimo de Sousa, que poderá ser subscrito neste site.

MANIFESTO DE TRABALHADORES DAS ÁREAS DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA
EM APOIO À CANDIDATURA DE JERÓNIMO DE SOUSA

A resolução dos graves problemas nacionais que hoje enfrentamos exige a concretização de uma política de educação, cultura e ciência como objectivos centrais da sociedade portuguesa.

Uma nova política, que assegure um mais elevado patamar de qualificação e formação aos portugueses e o aproveitamento pleno das suas capacidades, ao serviço de um projecto de desenvolvimento nacional. Uma política corajosa e responsável, que rompa com o actual perfil de especialização da economia nacional, recusando o lugar subalterno a que o País se encontra amarrado no quadro internacional.

A posse do conhecimento científico e a sua aplicação de acordo com as necessidades humanas devem ser justamente consideradas como determinantes do progresso económico e social. Quer no que toca directamente à criação de riqueza, na produção de bens materiais e culturais, quer ao tratamento da doença e à preservação da saúde, à protecção do património natural e construído, à vigilância e prevenção de riscos e catástrofes, ao ordenamento do território e das actividades económicas, e nos mais diversos campos.

A cultura e as competências Científicas e Técnicas são também uma base imprescindível ao exercício da soberania, expressão de vontade de responder mais e melhor aos grandes e difíceis desafios do desenvolvimento do País. Portugal, com a sua dimensão humana, as mulheres e homens do Povo que somos, tem capacidade e inteiro direito a participar no desenvolvimento geral da humanidade, a decidir livremente o seu próprio destino, na base da igualdade de direitos e da convivência pacífica com todos os outros povos.

Portugal não está condenado ao atraso. É nossa firme convicção que este País, próspero e justo, é possível, e que está nas nossas mãos alcançá-lo.

Assim se cumpra a Constituição da República e o caminho que ela preconiza – a construção em Portugal de uma democracia simultaneamente política, económica, social e cultural, capaz de assegurar o futuro do País e uma vida melhor para os portugueses.

A Constituição impõe que para a Presidência da República – ao contrário do que até hoje tem acontecido – seja eleito um Presidente que a cumpra e faça cumprir. Esta é a componente essencial de um grande projecto nacional e patriótico que a candidatura de Jerónimo de Sousa inteiramente assume.

Por estas razões apoiamos e apelamos ao voto em Jerónimo de Sousa: Uma candidatura que não desiste de Portugal e que, com toda a determinação e confiança, vai em frente na construção de um País de Progresso, Desenvolvimento e Justiça Social.

Cavaco Fora de Belém

O Cavaco Fora de Belém reiniciou actividade compulsiva até ao dia das eleições. É preciso recordar!

Sondagens: recordando o testemunho de uma autoridade na matéria

Ocorreu-me um episódio passado nas últimas eleições legislativas: um dirigente partidário, interrogado pelos jornalistas acerca dos resultados de uma sondagem, respondeu: "Eu não acredito em sondagens".
É uma boa resposta.
Sobretudo se se tiver em conta que o dirigente em causa era Paulo Portas, que foi, como é sabido, director do Centro de Sondagens da Universidade Moderna.

Espera resposta... que formidável!

Lá fora.
Na rua, nos cafés e nas lojas.
No contacto, no abraço e na palavra.
Contacto esse que difere, distingue e marca.
Tem tanto de simplicidade quanto de relevância.
O candidato que chega e cumprimenta.
- Os outros também.
Jerónimo pára.
- Os outros também.
Jerónimo escuta...
E é aqui que tudo muda.

Os outros prosseguem.
Tentam bater recordes de apertos de mão...
Mas Jerónimo não.
Cumprimenta e fala... mas ouve.
Espera resposta.
Veja-se... espera resposta!
Que coisa formidável!
Não vira a cara!
Não foge!
Não se escapa!
Não receia a regra de etiqueta!

Porque será?
Porque está perante câmaras?
Porque sabe fingir?
Não...
A resposta é simples!
Porque Jerónimo é um deles!
Desses... de quem "eles" falam,
De quem "eles" querem votos...
Mas são "esses"
Os mesmos
Quem "eles" não ouvem!

Há petições e petições

O Tiago colocou num post anterior uma petição que, admite-se com a melhor das intenções, anda a circular. Acontece que uma coisa é a justa reclamação de uma política cultural coerente e sustentada, outra coisa podem ser manobras de bastidores (a expressão aplica-se bem) que aproveitem essa capa. Tanto quanto sabemos, a Comissão de Trabalhadores do Teatro Nacional D.Maria tem bastantes reservas em relação ao que parece e ao que é neste processo, no qual algumas pessoas mais desconfiadas até vislumbram uma mãozinha do gabinete de Sócrates...

Petição online

Porque quando quero saber o que é cultura não faço uma pesquisa no Google, parece-me urgente divulgar esta petição que me chegou via email:

CARTA ABERTA AO PRIMEIRO-MINISTRO
Lisboa, 8 de Janeiro de 2006
Exmo Senhor Primeiro-Ministro, Engenheiro José Sócrates,
Os abaixo-assinados estão cada vez mais perplexos com a política da Senhora Ministra da Cultura, Prof. Doutora Isabel Pires de Lima, ou seja do Governo de que V. Exa é Primeiro-ministro. Face ao compromisso público de que a opção política fundamental do Governo é qualificar o conjunto do tecido cultural, na diversidade de formas e correntes que fazem a sua riqueza, considerando mesmo que a cultura constitui um dos vectores principais, se não principal, para a afirmação de Portugal no mundo, que nos é dado verificar? Dez meses depois da tomada de posse, não descortinamos um pensamento, não vemos uma estratégia, não vemos trabalho, não vemos direcção vemos hesitações, decisões precipitadas, nomeações incompreensíveis, linhas de acção contraditórias. Vemos o inaceitável desprezo com que as companhias de teatro e dança estão a ser tratadas (em 2005, o caso dos "sustentados" da Região Norte e a inexistência de apoios pontuais ultrapassaram o legítimo). Vemos, no cinema, no livro, na dança, nas artes plásticas, no teatro, os concursos serem anulados à revelia do prescrito. Há no ICAM resultados de concursos por atribuir há vários meses e concursos anulados por terem sido ultrapassados os prazos legais para o seu anúncio obrigatório. Vemos a anulação sucessiva de apoios aos mais frágeis, projectos pontuais na dança ou teatro, primeiras-obras no cinema. Vemos a indiferença arrogante de quem não quer ver os inadiáveis problemas da vida artística em Portugal. Vemos os vários Institutos dependentes do Ministério desnorteados, esvaziados, soçobrarem na sua própria inércia e burocracia. A repentina (mas, ao que lemos nos jornais, longamente negociada) substituição do Director do Teatro Nacional D. Maria II, sem poder ser invocado nenhum motivo estatutário relevante, contrariando disposições claramente expressas no Programa do Governo, demonstra o desconhecimento e desrespeito pelo que são os prazos de acção e o mandato de gestão de um organismo cultural público, e levanta uma insustentável dúvida que se vem juntar às muitas indignações anteriores: para quem está a trabalhar o actual Ministério da Cultura? Este acto aberrante tem alto valor simbólico e é por isso que nós, membros activos da comunidade artística, protestamos veementemente contra esta política que avança aos solavancos e no meio de contradições. Vemos instalar-se o mais retrógrado dirigismo populista numa área que o Governo, no seu programa, se comprometeu a tornar menos dependente da lógica de nomeação governamental directa. Não queremos mais isto. Queremos um Ministério da Cultura que reconheça os problemas do sector e que, com trabalho, rapidez e seriedade, os enfrente. Temos o direito de exigir, Senhor Primeiro-ministro, um Ministério de Cultura como aquele a que se comprometeu perante os legítimos representantes dos cidadãos, um Ministério capaz de qualificar o conjunto do tecido cultural na diversidade das formas e correntes que fazem a sua riqueza, e não o somatório de contradições, desconhecimentos, desrespeitos e incompetência que têm caracterizado o desgoverno da Profª Drª Isabel Pires de Lima.

Do cavaquismo ao socratismo o clientelismo evolui na continuidade

Recebi do Rui Namorado Rosa este imperdível mail:

O exemplo vem de cima, os impostos de baixo

Peço desculpa, mas creio que há coisas básicas inadmissíveis e que devem ser denunciadas por todos nas sociedades ditas democráticas e, por outro lado, porque estas coisas surgem num contexto em que há constantes insinuações da classe política de que não há dinheiro para a conservação da Natureza ... no mínimo revoltante diria ..."De acordo Com O Correio da Manhã, Maria Monteiro, filha do antigo ministro António Monteiro e que actualmente ocupa o cargo de adjunta do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, vai para a embaixada em Londres.Para que a mudança fosse possível, José Sócrates e o ministro dasFinanças descongelaram a título excepcional uma contratação de pessoal especializado. Contactado pelo jornal, o porta-voz Carneiro Jacinto explicou que a contratação de Maria Monteiro já tinha sido decidida antes do anúncio da redução para metade dos conselheiros e adidos das embaixadas. As medidas de contenção avançadas pelo actual governo, nomeadamenteo congelamento das progressões na função pública, começam a dar frutos. Os sacrifícios pedidos aos portugueses permitem assegurar a carreira desta jovem de 28 anos que, apesar da idade, já conseguiu, por mérito próprio e com uma carreira construída a pulso, atingir um nível de rendimento mensal superior a 9000 euros. É desta forma que se cala a boca a muita gente que não acredita nas potencialidades do nosso país, os zangados da vida que só sabem criticar a juventude, ponham os olhos nesta miúda. A título de curiosidade, o salário mensal da nossa nova adida de imprensa da embaixada de Londres daria para pagar as progressões de 193 técnicos superiores de 2ª classe, de 290 Técnicos de 2ª classe ou de 290 Assistentes Administrativos. O mesmo salário daria para pagar os salários de, respectivamente, 7, 10 e 14 jovens como a Maria, das categorias acima mencionadas, que poderiam muito bem despedir-se, por força de imperativos orçamentais. Estes jovens sem berço, que ao contrário da Maria tiveram que submeter-se a concurso, também ao contrário da Maria já estão habituados a ganhar pouco e devem habituar-se a ser competitivos. A nossa Maria merece.Também a título de exemplo, seriam necessários os descontos de IRS de 92 portugueses com um salário de 500 Euros a descontar à taxa de 20%. Novamente, a nossa Maria merece."

Último Recurso

A DECO revelou que o governo vai acabar com o limite ao valor da inflação dos aumentos das tarifas eléctricas para o mercado doméstico. Tal via levar a um aumento em 17% das contas domésticas. Referem também que apenas os consumidores domésticos irão suportar os custos da política de fomento das energias renováveis, ficando as empresas isentas desse custo, uma exclusão certamente condicionada por pressões dos grandes interesses económicos. E eles agradeçem : "A Associação Empresarial de Portugal (AEP), a Associação Industrial Portuguesa (AIP) e a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) registam a sensibilidade demonstrada pelo Governo ao atender às suas preocupações relativamente ao aumento dos preços da energia eléctrica para os consumidores industriais."

A DECO fez já um pedido ao Presidente Jorge Sampaio para que não promulge o diploma. Perguntem-se: com [inserir nome de candidato] em Belém, seria este diploma vetado? Uma forma de responder à pergunta é espreitar a lista de apoiantes. Onde se encontrem elementos ligados à AEP,AIP, CEP e demais empresários ligados ao grande capital [leia-se Cavaco Silva] a resposta é um claro não.

Jerónimo e a Educação

Teve lugar ontem uma iniciativa da candidatura do Jerónimo de Sousa sobre a Educação. Como tem vindo a ser hábito, a sua intervenção fundamentou-se no que a Constituição Portuguesa estabelece para este sector fundamental. Fez o que competiria a um Presidente da República: uma análise aprofundada da situação, um apontar das causas dos problemas e um chamar de atenção para desvios entre as políticas seguidas e o que vem estipulado na Constituição:

"[Quero] manifestar as mais profundas preocupações face ao rumo que o
sistema educativo está a tomar no nosso país. Estamos perante uma crise que é o resultado de uma prolongada ofensiva política de matriz neoliberal, sustentada numa grave limitação das soluções sociais do Estado, restringindo severmente o seu papel como instrumento para a promoção de igualdade entre os Portugueses. Ofensiva que não é mais que um ajuste de contas com as conquistasdo 25 de Abril de 1974"


Ao nível do ensino básico e secundário, notou como nos estamos a desviar do preceito constitutional: Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar. (Art. 74, 1). Referiu como ante-ontem o Secretário de Estado adjunto da Educação Jorge Pedreiro admitiu como quanto aos manuais escolares não está a ser cumprida a constituição. Estes ilustram apenas um aspecto de como temos vindo a afastar-nos do objectivo constitucional da progressiva "gratuitidade de todos os graus de ensino".

No seu discurso, recordou como durante os governos de Cavaco Silva foram travadas as grandes batalhas estudantis contra reformas que vieram modificar profundamente o perfil do cenário universitário: o sistema de acesso ao ensino superior, incluindo a contestada Prova Geral de Acesso, e um aumento significativo das propinas universitárias. Estas medidas vieram a dar o impulso ao desenvolvimento desenfreado do Ensino Superior Privado, muitas vezes de qualidade questionável.

A questão do custo de ensino foi sublinhada de forma dramático pelo Jerónimo:
"Enquanto existirem nas escolas portuguesas crianças que não conseguem seguir atentamente as aulas porque estão com fome; enquanto houver alunos que não têm acesso, em simultâneo com os outros, aos manuais escolares porque os pais não os podem comprar todos de uma vez, e ainda por cima levam falta de material; enquanto aquí e acolá se procura dividir as crianças pelos níveis de capacidade normalmente coincidentes com o estatuto social dos pais, numa manifestação inequivoca de exclusão; enquanto milhares de crianças e jovens Portugueses têm de abandonar os estudos porque as famílias não têm rendimento suficiente para os manterem a estudar; enquano assim for, a Constituição não estará a ser cumprida."

Quem acha estas palavras demasiado dramáticas e exageradas, é porque desconhece a realidad do pais onde vive. Um país com 2 milhões de pobres e mais de meio milhão de desempregados.

Jerónimo riticou o actual desrespeito demonstrado pelo Governo pelos professores e criticou o processo do Processo de Bolonha, que possui uma agenda escondida de substituir o ensino público pelo ensino privado financiado pelo estado. Numa altura onde se reconhece o atraso estrutural ao nível das qualificações (em grande parte responsabilidade dos governos PSD, que ocupou pasta da educação durante 20 anos, e desaproveitou os fundos comunitários que deveriam ter permitido elevar o nível de formação profissional), cabe também reconhecer, como o fez Jerónimo, que não se pode esperar colher frutos da educação sem nela investir generosamente.

No final da sua intervenção, Jerónimo baixou as suas notas, e com a franqueza, humanidade e simplicidade que o caracterizam, recordou como em criança perguntaram a si e aos seus amigos "o que queriam ser quando fossem grandes". Ao que ele e outros respondiam, operários nesta ou naquela fabríca, não por desejo mas por não ser concebível outro destino. Abril veio mudar essa limitação, abrindo na Constituição portas para que filhos de operários e camponeses tivessem acesso aos mais altos níveis de ensino e cultura. É preciso um Presidente que defenda esses princípios contra leis que os agridem e contra os que querem simplesmente eliminar esses artigos da Constituição.

Uma frase que passou em branco

Reparei há alguns dias que na altura passou sem o devido relevo uma frase de Cavaco no debate com Soares (cito de memória):"a política é a aplicação prática da opinião dos especialistas", síntese notável do que pensa um tecnocrata de direita. Compreende-se que para um homem com uma tal concepção da política o confronto democrático de diferentes posições seja insuportável, como o foi nos seus dez anos de governo. Ontem, no Prós e Contras, lá estiveram os habituais especialistas. Que tinham para dizer estas opiniões especializadas? Que a segurança social está na falência, que não é possível assegurar o pagamento das reformas num prazo já muito próximo, etc. Todos aqueles especialistas estão ligados aos grandes grupos económicos, que há anos trabalham para juntar aos seus colossais lucros a privatização da Segurança Social, outra mina de ouro.
Há portanto que corrigir a definição de Cavaco. Para ele, e para outros como ele, a política é a aplicação prática dos interesses do grande capital.
Para Jerónimo, e para todos os que estamos deste lado, a política é a defesa prática dos legítimos interesses, direitos e aspirações dos trabalhadores e do povo.
Quanto mais este confronto de concepções for visível e compreendido, mais Jerónimo avança.

No interior de Alegre há um Coelho


Lembram-se do "quem se meter com o PS leva"? Alegre é do mesmo calibre: "se volta a falar assim leva".
Já se tinha percebido que o decorrer da campanha iria fazer estalar vários vernizes em Alegre, e que viriam ao de cima outros traços: o oportunismo, a arrogância, a fanfarronada.
Era inevitável, num candidato cuja vaidade é infinitamente superior à consistência política, e cuja irresponsabilidade cresce na proporção da desorientação e do esvaziamento da sua candidatura.
Em Alegre, a exposição pública tem um efeito cruel: o que ele parece é o que ele é.
E como continua a exibir uma sólida memória selectiva, aqui deixamos uma lembrança acerca do que ele é.
*
A Margarida fez o favor de transcrever o texto do fac-simile:
A Direcção do Partido Comunista Português
Fez transmitir pela Rádio Portugal Livre
No dia 11 de Setembro a seguinte nota.
1. Em princípios de Setembro, dois membros da Junta da FPLN, com sede em Argel (Fernando Piteira Santos e Manuel Alegre), aproveitando a ausência dos dois outros membros da Junta (Manuel Sertório e Pedro Soares) e o condicionalismo político local fizeram uma reunião e declararam tomar conta dos meios materiais de propaganda e dos recursos financeiros da FPLN. Trata-se de um golpe de aventureiros, de uma tentativa de apropriação indevida da sigla FPLN e de meios de trabalho que foram obtidos apenas porque a JRP (FPLN) era uma emanação do movimento antifascista e anticolonialista português.Qualquer que seja o seu resultado imediato no plano local, esta manobra, caracterizada pela extrema deslealdade e desonestidade de processos, está, no plano político, condenada ao fracasso.
2. Estes dois indivíduos, procurando legitimar o seu golpe, dizem ter feito “uma consulta aos militantes do interior” (?!) que teriam aprovado a sua iniciativa, Numa carta sem assinatura nem data dirigida à Direcção do Partido Comunista Português escrevem que estiveram na Argélia “enviados do interior representativos de sectores vários – católicos, CDE e militantes comunistas”.Estas afirmações constituem uma escroqueria política. No que se refere a comunistas, o Partido Comunista Português desmente categoricamente tais afirmações. Quanto às outras forças e sectores citados não é necessário o desmentido do PCP. O ataque destrutivo à actividade e à própria existência da CDE tem sido a posição constante e conhecida destes dois elementos.Nenhum sector político responsável em Portugal está comprometido nesta manobra de divisão e diversão, objectivamente provocatória.
3. Num documento enviado a várias pessoas, esses dois elementos tornam explícito que pretendem apossar-se de meios de trabalho e de recursos que lhes não pertencem, tendo como objectivo o que chamam “a criação de uma nova aliança revolucionária” e de “uma estratégia revolucionária”.Se acaso (por razões completamente estranhas à opinião e à decisão das forças antifascistas e anticolonialistas em Portugal) elementos irresponsáveis conseguissem apropriar-se dos meios de trabalho e recursos da FPLN, não restem dúvidas de que os utilizariam contra o movimento antifascista e anticolonialista em Portugal, procurando esconder a sua acção de diversão e divisão, a sua desligação da luta do povo português e a sua incapacidade operativa, por detraz dum exaltado palavreado pseudo-revolucionário.De momento, tomam como centro da sua manobra ataques ao Partido Comunista Português. A plataforma com que procuram atrair elementos dispersos e desclassificados é o anticomunismo. Mas eles tomam ao mesmo tempo uma atitude completamente negativa em relação a todas as forças e sectores antifascistas e anticolonialistas que representam alguma coisa de sério em Portugal.No plano internacional, em vez da popularização da luta do nosso povo e do esforço para desenvolver a solidariedade a essa luta, não fariam (como já hoje fazem) senão denegrir aqueles que lutam em Portugal nas condições da repressão fascista, insistindo em apresentar-se eles, na emigração, como os únicos verdadeiros “revolucionários”.É por demais evidente que, divorciados das forças democráticas portuguesas e desde o seu golpe, eles não representando qualquer organização, pretendem, não servir a luta do nosso povo, mas servir-se desta para as suas ambições pessoais.As suas actividades receberão o merecido repúdio das forças antifascistas e anticolonialistas portuguesas.
4. O Partido Comunista Português informa que, desde o dia 8 de Setembro, tudo quanto tem sido e venha a ser feito a partir de Argel em nome da FPLN não tem a aprovação nem a participação do Partido Comunista Português e representa um uso abusivo da sigla FPLN.5. O Partido Comunista Português manterá as forças antifascistas e o povo de Portugal informados da evolução da situação da JRP (FPLN) em Argel.
Setembro de 1970

"Se ele volta a falar assim, leva a sério."

Estas são as declarações de Alegre, citado pelo DN, como conclusão da polémica do dia anterior em Peniche. Contudo não penso que Alegre seja assim, ou melhor, não penso que esta seja a verdadeira face de Alegre.
Houve muita gente que pensou votar em Manuel Alegre. Alegre, ganhou muitos votos no início da sua campanha com um discurso de mudança do sistema político, personificando a figura de alguém independente e que viria dar voz a um movimento de cidadania. Ora esse movimento, ao contrário de outros países, em Portugal não existe, e Alegre é, e continuará a ser, militante do PS. A sua independência cai por terra quando se dão trapalhadas como a do orçamento.
Por outro lado, é um facto que Alegre não tem ao seu lado as máquinas partidários, o que neste caso não o beneficia em termos de conteúdos políticos e conhecimento do país em toda a sua extensão. O encher de votos e expectativas inicialmente conferidas pelas sondagens, colidiram com o vazio de ideias de um movimento sem caminho.
Neste final de campanha, Alegre não sabe para onde ir, depois de ter estado na posição de candidato "transversal" procura que a esquerda não esvazie a sua candidatura.

O salto qualitativo

Não sei se repararam na diferença entre pré-campanha e campanha. Nos grandes media é bem visível. Num período em as santas almas da Comissão Nacional de Eleições e próprio futuro ex-presidente Sampaio fazem votos para uma cobertura "isenta e plural", o que se verifica é um evidente reforço dos mecanismos de manipulação da opinião a favor da candidatura da direita. Julgava-se que a SIC/Balsemão seria a mais destacada neste processo? Engano, as outras televisões, e em particular a RTP e a RTPN competem por esse honroso papel. Em primeiro lugar, na presença permanente dos comentadores de direita para explicar o sentido das notícias. Por outro lado, na cobertura noticiosa em que se reforça o papel quer da selecção de imagem quer do comentário do repórter "no local", em regra subsistituindo informação pela sua própria (e encomendada) opinião. Opinião em vários casos fundada numa sólida cultura política, como a do repórter RTP que constatou que numa iniciativa de campanha de Jerónimo não se cantou a "Internacional Socialista".

Evocações

Esta (pre-)campanha tem tido várias demonstrações de oportunismo marcado. Já vários candidatos evocaram pessoas e referências estranhas à sua habitual esfera política. Ora obviamente nem ninguem nem nenhum partido tem usufruto exclusivo de referências culturais. O Cavaco tem todo o direito a ir ao Barreiro e aí cantar A Internacional de punho no ar, se assim entender. Mas todos comprenderão que o faria não por sentir com paixão os seus versos, nem pela sua ligação ao movimento operário, nem por entender incutir o espírito de "não mais deveres sem direitos, não mais direitos sem deveres", mas unicamente para poder apelar a um sector de eleitorado que de outra forma lhe seria menos acessível. E como reconciliar o seu recem encontrado espírito de Abril com ele ter negar a pensão a Salgueiro Maia e ter condecorado dois agentes da PIDE/DGS? Ou em ter apoiantes que comemeram o dia 25 de Abril vestindo-se de negro? Daí que seja apropriada a crítica de oportunismo quando Cavaco fez uso da Grândola, Vila Morena. Não porque ele não possa cantá-la, obviamente, mas porque ele não a pode cantar naturalmente. É como um fato que não lhe serve.

Outro episódio de oportunismo, como já notado aquí neste blog, foi quando Francisco Louça na sua declaração final no debate com Jerónimo de Sousa, evoca a memória de João Amaral e Lino de Carvalho, com quem diz ter aprendido muito na Assembleia da República. Sem querer aquí repetir o que foi dito anteriormente, aproveito para lembrar umas palavras do Lino de Carvalho, para as quais um amigo me chamou recentemente à atenção. Dizia o deputado na sua intervenção de 29 de Março de 2000, no âmbito da discussão da Lei de Bases da Segurança Social:
Quanto ao projecto do Bloco de Esquerda, tem duas componentes bastante diferenciadas: dois terços é cópia, decalcada, do Projecto de Lei do PCP, como aliás o próprio Bloco assume na sua exposição de motivos.
É caso para dizer que FL terá de facto aprendido mesma bastante com Lino de Carvalho, tanto que a sua proposta presidencial para a Segurança Social ainda vai beber muito à proposta do PCP.

Por fim temos este caso mais recente de Manuel Alegre a evocar o nome de Álvaro Cunhal, e depois a ripostar à crítica de oportunismo, com este joia "Conheci Álvaro Cunhal antes do 25 de Abril. Até vivi na casa dele. O Jerónimo só o conheceu depois". Só faltava dizer que o conheceu melhor, que é ideologicamente mais perto de Cunhal que o Jerónimo, e que tomaram banho juntos sob o luar mirando-se olhos nos olhos. Mais uma vez, não está em causa do direito de evocar o nome de Cunhal, mas o facto de ao o fazer Alegre está a pintar afiliações que não são genuínas. Claro que tb Alegre foi combatente anti-fascista. Se ele quer puxar dos galões desse passado, que tal organizar um evento com os ex-combatentes anti-fascistas e recolher os seus apoios. Talvez porque os antifascistas organizados e empenhados, que ainda podem fazer uso da sua voz, e não se deixam manipular, deram o seu apoio ao Jerónimo.

Mais comunistas que os comunistas

Trazia um post de fim de semana e inacabado, sobre os que hoje afirmam ter estado sempre ao lado dos comunistas, mas o Nuno Ramos de Almeida escreve-o melhor em "Alegres mentiras".

Para Alegre pelos vistos vale tudo

Alegre, na linha coerente do oportunismo com que vem assumindo posições nesta campanha, resolveu enfeitar-se citando os nomes de Álvaro Cunhal e de Dias Lourenço. E insistiu mais tarde: "falarei de Álvaro Cunhal sempre que me apetecer. Tenho legitimidade para isso e tenho por ele um enorme respeito, mesmo enquanto figura histórica."
De onde retira ele essa "legitimidade", e de onde veio "o enorme respeito" de fresca data percebe-se, estamos em campanha e pelos vistos para ele em campanha vale tudo.
Agora não poderá é evitar que lhe lembremos que o respeito, se ele o tem, não era mútuo. E será útil reler a elevada estima com que Álvaro Cunhal refere (no Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista) os golpes e as manobras anticomunistas do "grupo de Argel", e a elevada consideração que tinha pelo papel assumido por Alegre na contra-revolução, como conspirador com a direita militar e pombo-correio entre Soares e a reacção spinolista.

Finalmente uma verdade!

Cavaco Silva afirmou hoje que as eleições de dia 22 podem condicionar o futuro do país nos próximos 10, 15 ou mais anos. Tem toda a razão.
Por isso é que é necessário derrotá-lo.

Mandatários somos todos
















Há candidaturas que têm mandatários para tudo: para as minorias, para o ambiente, para a juventude, para o choque tecnológico, para os OGM, para as sessões de espiritismo, para a gripe das aves, para o que vocês quiserem.
Nós, na candidatura de Jerónimo, somos todos mandatários. Por isso, enquanto as outras candidaturas têm campanha onde tiverem o candidato (o resto as televisões levam a casa) nós temos campanha em todo o lado (excepto nos grandes media, está claro, mas já estamos habituados, o que não quer dizer que aceitemos a manipulação e a exclusão).
E o que acontece é que isto, no final, faz sempre a diferença.
Cada apoiante um mandatário, cada mandatário um esclarecedor.
Todos os dias Jerónimo avança!

Mais Sondagens

Não partilho das visões que associam todas as sondagens a fenómenos políticos de promoção de um ou outro candidato - embora os artigos e títulos que as acompanham tenham sempre sentido único.
Contudo estas sondagens têm um denominador comum que lhes poderá dar alguma dose de falibilidade, são feitas para telefone fixo só abrangendo quem tem telefone fixo e quem estava em casa à hora em que telefonaram.
Por outro lado, apresentam uma distribuição de voto dos indecisos convencional. Ora os indecisos, embora parte possa não ir votar, distribuir-se-ão maioritariamente pelos candidatos de esquerda (a direita não tem dúvidas de quem a representará melhor) e nesse caso os votos somam-se contra todas as leituras do regresso sebastiânico de Cavaco.

À hora do chá

À hora do chá das cinco, as sondagens que sairão amanhã(!?), já se publicam por aqui e por aqui.
E por aqui:
Cavaco - 60%
Alegre - 16%
Soares - 13%
Jerónimo - 7%
Louçã - 4%
Garcia Pereira - 0%


A sondagem também já está no Diário Digital... e também no Público

Afinal havia também a sondagem da hora de almoço no Correio da Manhã (esta não tem distribuição de indecisos):
Cavaco - 54,6%
Alegre - 10,0%
Soares - 13,8%
Jerónimo - 4,0%
Louçã - 6,0%
Garcia Pereira - (não refere)

Preparemo-nos

Vem aí o fim de semana. Quer dizer que vai haver sondagens.
Querem apostar quais vão ser os títulos dos jornais?

Naquele dia em que Cavaco quis saber o que era CULTURA...

... foi à internet, abriu a página do Google e escreveu: Cultura

Marcha atrás

Então Cavaco não quer pôr Portugal a marchar?
Mais tarde ou mais cedo, o autoritarismo e o militarismo acabam sempre por se juntar. Mas, como tudo na vida, a coisa tem o seu aspecto positivo: é que ajuda a visualizar o Portugal de pesadelo que passa pela cabeça do homem.

Nem tudo o que parece é, o que é aborrecido...

A campanha de Cavaco tem duas semanas para fazer parecer várias coisas. Algumas são fáceis: parar o trânsito é canja, mesmo em Almada, quando se pode sempre recorrer àquele cortejo de camionetas que vem atrás, não é? Outra: os almoços e jantares com muita gente. Estando a crise como está, quem é que vai recusar uma refeição bem servida à borla? Não é problema, a única coisa que há que acautelar é algum operador de câmara mostrar inadvertidamente os seguranças a distribuir senhas -como já aconteceu- o que não pode deixar de dar algum mau aspecto (telefonar ao Balsemão para que a coisa não se repita).
Já outras aparências são mais complicadas. Por exemplo: Cavaco, o homem de Abril no Alentejo. A "Grândola" e Cavaco não pegam. Só resta mais uma tentativa: Cavaco, de capote, com um cravo vermelho. Som: "fui-te ver, estavas lavando, etc" (a outra está muito conotada).
Outro problema: a síndrome manequim da loja dos Fanqueiros. A assessoria de campanha merece 20 valores. Cavaco agora parece um manequim de loja na Rua Augusta.
O problema maior: Cavaco o democrata constitucional. Por mais voltas que dêem (e é inegável que o esforço tem sido enorme) o homem não larga a aparência do autoritário homem do leme de um barco que não é o deste regime. E estas coisas não vão lá com assessores de imagem, está-lhe na massa do sangue. No dele, e sobretudo no do núcleo duro dos que, investindo rios de dinheiro para o levar a Belém, julgam que assim arrumariam de vez com o que resta do Portugal de Abril.
E há o problema principal: o homem não está sózinho na campanha. Há outros. Há uma candidatura que avança com toda a confiança. E quanto mais esta candidatura avança, menos as aparências de Cavaco iludem.

Manuela Magno

É no mínimo estranha a história da recusa da candidatura de Manuela Magno descrita no seu blog. Aqui fica o link para o texto e aguarda-se o necessário desmentido/esclarecimento do Tribunal Constitucional.

Cavaco e o trânsito

"Eu percebo o nervosismo: não é todos os dias que um "candidato da direita" faz parar o trânsito em Almada... " - diz Pedro Picoito no Pulo do Lobo.
Caro Pedro Picoito, olhe que com Cavaco como primeiro ministro, nunca houve tanto trânsito parado. Não menospreze as habilidades do seu candidato.

Dois opostos

Cavaco em pessoa

Gosto de ver Cavaco nestas entrevistas mais pessoais, em que a pergunta é imprevisível e por isso a resposta não pode vir moldada pelos assessores de imprensa.
Cavaco, ainda assim, tentou preparar algumas respostas, ter ali à mão as folhas dos números do desemprego, as fotografias do próprio com Mitterrand, Bush (pai) e Clinton, para demonstrar "amizades". Mas Cavaco não consegue sair daquele estilo de resposta automática, por vezes até parece que não entende o que se lhe pergunta.
De Maria ficou a imagem de apêndice, "está sempre ao meu lado e complementa-me"... porque sabe de Literatura. Ficámos a saber que o que Cavaco gosta mesmo é de ler um bom romance hitórico (talvez Pacheco Pereira) e Biografias (a Mena Mónica regozija-se). Por outro lado não quis dizer o nome do autor do livro sobre o terramoto que estava a ler (o Rui Tavares terá tido insónias só de pensar que seria o seu), fica a dúvida se se lembraria.
Sempre foi muito pobrezinho, foi estudar para Londres, fazer modestas viagens para África e, para finalizar, confessou-se um péssimo jogador de golfe. Só insiste na modalidade porque os amigos da rua vão todos jogar e estão sempre a desencaminhá-lo. Más companhias.

Como arquitecto não pude deixar de estar atento à forma como Cavaco descreveu o processo da obra da sua casa no Algarve. Primeiro ficámos todos a saber que foi ele e a mulher que a construiram. Ah... o "arquitecto amigo" fez-lhes um "desenho", e depois eles só tiveram de construir. Como neste país, "desenhos" não são licenciáveis deduz-se que o sr. professor vive num clandestino, que não teve Projecto (de arquitectura, estruturas, águas e esgotos, electricidade, etc).
Aliás as imagens que se iam conseguindo ver da nova Vivenda Mariani são o espelho de uma mentalidade vulgarmente denominada de "pato-bravo". O país de Siza, Souto Moura e tantos outros, que conseguiram e continuam a conseguir pôr a arquitectura portuguesa num plano de referência ao nível internacional, não pode ter um Presidente assim.

"Paris vale bem uma missa"

Seguindo a dica de um comentário ao post do Filipe, aqui fica o link para o texto "Paris vale bem uma missa" do Vital Moreira no Causa Nossa.

Depois de ter recebido o "fax da Soeiro" para escrever este post, fico a aguardar a censura moral do Luís Raínha.

Obscenidade

A campanha já tinha tido bastantes episódios rascas. Ontem teve o seu primeiro momento verdadeiramente obsceno: Cavaco em Grândola, ao som da Grândola Vila Morena.

Uma maré popular a encher




A acção de rua de ontem, em Lisboa, foi mais uma prova. Cresce uma maré popular em torno da candidatura de Jerónimo. Crescem a confiança e a esperança. Irá tão longe quanto o povo quiser, e o povo, manifestamente, não só está cada vez mais virado para derrotar a candidatura de direita, como está cada vez mais virado para um grande resultado de Jerónimo.

Há qualquer coisa no ar.... serão nervos?

Há, pelos vistos, uns senhores que se acham donos da blogosfera. Definem critérios, avaliam, aceitam, excluem, censurariam, se pudessem.
Não têm importância nenhuma.
Nós sabemos ao que andamos. Sabemos o que combatemos, sabemos o que apoiamos. Não temos falta de pontaria.
Combatemos Cavaco e o seu cortejo. Apoiamos Jerónimo, com toda a confiança.

Ecos do Mais Livre

No final de um dia de trabalho leio o circo que o Luís Raínha montou com um post intitulado "Mais livre... para ecoar o partido" na Aspirina B. Esquecendo os comentários que faz tipo: "a única coisa que se aprende é a papaguear a linha oficial da candidatura" e "Safa, vocês nem espertos conseguem ser" vamos ao sumo da questão:

1. Até ao dia de ontem o Mais Livre tinha três links de blogs de candidatos: Jerónimo de Sousa, Manuela Magno e José Maria Martins - se havia mais candidatos que tivessem um blogue desconheço e agradeço que me alertem. Numa atitude perfeitamente sectária decidi tirá-los por já não serem candidatos. Escrevi o post a que se refere o Luís Rainha com um misto de ironia e lamento. Imaginava o que seria se Cavaco tivesse um blogue ...

2. O Mais Livre é um blogue de apoio ao Jerónimo, composto por pessoas que ainda nem sequer foram tomar um copo juntos. Sempre nos contactámos por email. É um blogue que surgiu depois do Super-Mário, Quadrado e Pulo do Lobo, mas que desde o início se estruturou em torno de dois critérios bloggeiros: estabelecer ligações e interagir com todos os outros blogues sobre as presidências e ter a caixa de comentários como uma caixa de ressonância de quem por cá passa. É óbvio que não nos ouvirão atacar o Jerónimo pois este é um blog de apoio à sua candidatura. Aliás não percebo a surpresa, olhando para os blogues das outras candidaturas sucede exactamente o mesmo.

3. Relativamente aquilo que o Luís Raínha escreve sobre o meu post de homenagem ao João Amaral contorcendo-o com o meu outro post sobre a abusiva apropriação da sua imagem feita pelo Francisco Louçã. É uma canelada espertalhona, mas pouco séria e mentirosa.

Depois deste post necessário, militantemente contido e suficientemente chato (porque não posso estar mais de acordo com o Ivan, quando se manifesta a favor das picardias na blogosfera) apetece-me escrever algo sobre bananas, sobre o Benfica ou sobre o Bitoque da Rua do Crucifixo no meu, ultimamente pouco cultivado, blog de desintoxicação das presidênciais... mas já não tenho tempo. Até amanhã!

Desculpem a linguagem

Há coisas para as quais já não há paciência. Então aqui não vêm ainda com a conversa de que se contam os minutos para Jerónimo desistir a favor de Soares? Há casos em que a miopia se aproxima da imbecilidade, nos apoiantes do candidato ressabiado.

Cavaco e os "€ de Pessoas Singulares"


Como prova do mais latente sectarismo (que aos comunistas lhes é incutido à nascença) aqui fica o estudo feito pela Helena Roseta e publicado no site da candidatura de Manuel Alegre (aquele candidato que nós tanto atacamos)
O gráfico comenta-se sozinho...

O Paradoxo de Alegre

A Helena Roseta n'O Quadrado, acusa a candidatura de Jerónimo de Sousa de, para além de desancar no governo "como é habitual", também atacar Manuel Alegre, apesar deste relativamente à questão dos aumentos na função pública se ter mostrado solidário com os trabalhadores. Contudo de que forma demonstrou Alegre a sua solidariedade? Desconheço.
Não querendo voltar às contas do OE, não nos podemos esquecer que Alegre não o foi votar, disse que discordava dele nalguns pontos, mas... que o votaria favoravelmente se o PS necessitasse do seu voto. Não sou dos que pensa que Alegre poderia facilmente fazer o jogo dos Coelhos, mas não caio na tese de que a sua candidatura é "indepente e apartidária". Manuel Alegre é um destacado dirigente do PS e tudo leva a crer, que o continuará a ser após estas eleições.
Para culminar o breve post a Helena, diz que o PCP poderá estar "mais uma vez" a passar ao lado de um dos fenómenos políticos mais importantes da esquerda portuguesa nos últimos anos. Ora um fenómeno político de esquerda não passa só por uma eleição e ainda menos por uma candidatura. Um fenómeno político de esquerda resiste e avança, para a mudança necessária.

Blogues de candidatos

Finalmente já se sabe quem são os candidatos. Dois dos candidatos que tinham blogues, não conseguiram ter o número de assinaturas necessárias. Assim, na coluna da direita, no tópico que diz respeito a "blogues dos candidatos", temos apenas o de Jerónimo. Aqueles que se afirmam jovens, modernos, digitais ou fenómenos, esqueceram-se da blogosfera...
Foi actualizada a listagem de "blogues sobre as presidênciais".

União Europeia

Teve lugar hoje o encontro com apoiantes da candidatura de Jerónimo de Sousa, sob o tema «20 anos depois da adesão à CEE», em que participaram os eurodeputados comunistas Ilda Figueiredo e Pedro Guerreiro, o professor catedrático Avelãs Nunes e o deputado Agostinho Lopes. Na sua intervenção, Ilda Figueiredo notou que não foi Portugal que entrou na CEE mas esta que entrou em Portugal. Apesar de Portugal ter recebido mais fundos do que contribuiu, o balanço da nossa adesão é negativo, pois perdemos valor incalculável ao hipotecarmos o nosso sector produtivo. Avelãs Nunes fez uma apreciação do "defunto" projecto de Constituição Europeia. Contudo, é importante assinalar que este projecto não foi ainda totalmente abandonado, tendo sido inclusivamente re-lançado pelo PM Socrates no passado dia 20 de Dezembro na sua intervenção no Debate Mensal da AR ("As perspectivas financeiras e o futuro da integração europeia")
(...) é bem possível que a própria questão do Tratado Constitucional europeu esteja ainda pendente ao tempo da nossa Presidência [da UE em 2007]. Quero recordar, a propósito, que o Conselho Europeu de Junho decidiu que cada País deveria promover um amplo debate e reflexão sobre a questão do Projecto de Tratado Constitucional. Por isso, o Governo apresentará sobre o assunto um programa de acção, já em Janeiro próximo. Este tema não pode ficar esquecido: o projecto de Tratado foi assinado por 25 Estados-membros, não é correcto fazer de conta de que se trata de um filho de pais incógnitos.
Na sua intervenção, Jerónimo caracterizou o projecto europeu como estando baseado em 3 eixos, o neoliberalismo, federalismo e militarismo, e o processo de integração pela marginalização dos povos do processo de decisão e pela apresentação de cada nova étapa de integração como a única saída para os problemas nacionais. Notou que candidatos à PR que agora fazem críticas à UE foram, enquanto estiveram no poder, responsáveis por "atrelar o país aos interesses das principais potencias capitalistas da Europa" e pela manipulação propagandista que apresentavam "factos consumados transformados em desígnios nacionais, isto é, fazendo da solução coincidente com os interesses do grande capital e das grandes potencias a única possível".
Jerónimo notou ainda como sucessivos PRs não velaram pela Constituição Portuguesa ao erraram repetidamente por omissão face a violações à Constituição, em particular a elementos fundamentais como a soberania una e indivísivel. Erram também ao não consultarem o povo Português em momentos cruciais, como a aprovação do Tratado de Maastricht ou a adesão à moeda única.
Jerónimo declarou-se claramente contra a criação de um estado supranacional, implícito no projecto federalista, que atenta à soberania nacional. Uma "constituição" europeia, sobreposta à constiuição nacional, não pode ser aceite por um PR, e foram feitas as merecidas críticas ao actual Presidente Jorge Sampaio que fez campanha pela Constituição Europeia.
Que Europa então? A que o PCP sempre defendeu. "Uma Europa livre, de união de Estados soberanos e iguais em direitos, empenhados na convergência económica e progresso social, na promoção da paz e numa cooperação exemplar com todos os povos do mundo."

As contabilidades do "Quadrado"

No Quadrado há uma curiosa contabilidade: quantas vezes Jerónimo critica Alegre, quantas vezes critica Soares. Qual é o problema, afinal? É Jerónimo criticar Alegre pelo seu alinhamento (ou o seu desalinhamento de circunstância, que dá tão mau aspecto) com as medidas e as políticas do Governo do seu partido. Ora isto, para o “Quadrado”, está mal. A candidatura de Alegre (membro, deputado e dirigente do PS) é independente e apartidária e é, até, “um dos fenómenos políticos mais importantes da esquerda portuguesa nos últimos anos”, coisa que só os devotos da candidatura conseguem descortinar.
Em vez de, na base dos seus critérios, considerarem que a candidatura de Alegre devia ser intocável, virem a sua contabilidade para as vezes em que Alegre tenha dito alguma coisa que seja uma demarcação de facto das políticas de direita, e que seja uma crítica de esquerda de facto das posições de Cavaco Silva. E, sobretudo, acabem com o seu descansado sono em relação aos perigos reais que a candidatura da direita representa.

30.330 minutos














Um bom ano para todos nós, para todos os que acreditam e se batem por um Portugal com futuro, a começar agora mesmo! Temos cerca de 30.330 minutos para levar até ao último voto uma grande campanha, para obrigar a candidatura da direita a uma 2ª volta, para levar Jerónimo a um grande resultado!
Está nas nossas mãos. Está nas mãos do povo.