Tradução de artigo sobre as sondagens
A tradução desde artigo publicado no Margens de Erro, foi feita pela Margarida.
"O uso de sondagens pode alastrar além da razão. Nas eleições nos USA já atingiram este ponto. Como foi relatada pela imprensa americana, uma campanha é uma luta espectacular: seguidores repentinos, encontros de vida ou de morte, estratégia, tácticas, vencedores e perdedores. Uma campanha, para se ter a certeza, tem todas estas coisas, mas é mais do que estas coisas. É uma oportunidade para escolher o líder da nação. (…) A cobertura americana duma eleição conduzida pelas sondagens,enfatiza tende a desvalorizar conteúdos que informarão o julgamento dos votantes.
As histórias induzidas pelas sondagens também distorce a percepção pública dos candidatos. (…) Os candidatos são estrategas, com certeza. Mas o facto deles dramatizarem os seus apelos e encenarem as suas mensagens não é nenhuma novidade. Tais manobras são tão velhas quanto a política. O que é novo é a intensidade penetrante sob a qual as actividades dos candidatos são expostas, dissecadas e criticadas. E não deve constituir surpresa que ao mesmo tempo que os candidatos são apresentados como mestres de estratégia e manipulação, os americanos os tenham em menor consideração.
Nem deve constituir surpresa que os americanos se tenham azedado com as campanhas. As eleições tornaram-se negócios negativos, cheios de comentários e análises de corridas de cavalo. (…) As sondagens não podem ser culpadas por todas ou mesmo a maioria dos males das campanhas americanas. Mas esta técnica poderosa tomou o seu lugar ao lado das grandes fortunas, publicidade negativa, jornalismo de ataque e outros desenvolvimentos que em combinação diminuíram as eleições americanas."
In Thomas E. Patterson, "Of Polls, Mountains: U.S. Journalists and their Use of Election Surveys", Public Opinion Quarterly, Vol. 69, nº 5, pp. 716-724.
O João nos comentários notou um problema na tradução anterior. A frase "America's poll-driven election coverage squeezes out content that would inform voter's judgment" surge traduzida como "A cobertura americana duma eleição conduzida pelas sondagens, enfatiza conteúdos que informarão o julgamento dos votantes" devendo, de acordo com o João, ter a seguinte tradução: "A cobertura das eleições norte-americanas centrada e motivada pelos resultados das sondagens reduz a importância dos conteúdos sujeitos ao julgamento dos eleitores".
Embora me pareça que a frase do João vai no sentido correcto do texto original, não resisto a lançar-me na procura da frase mais correcta (embora ainda não fique muito satisfeito com o resultado): "A cobertura americana duma eleição conduzida pelas sondagens tende a desvalorizar conteúdos que informarão o julgamento dos votantes"
"O uso de sondagens pode alastrar além da razão. Nas eleições nos USA já atingiram este ponto. Como foi relatada pela imprensa americana, uma campanha é uma luta espectacular: seguidores repentinos, encontros de vida ou de morte, estratégia, tácticas, vencedores e perdedores. Uma campanha, para se ter a certeza, tem todas estas coisas, mas é mais do que estas coisas. É uma oportunidade para escolher o líder da nação. (…) A cobertura americana duma eleição conduzida pelas sondagens,
As histórias induzidas pelas sondagens também distorce a percepção pública dos candidatos. (…) Os candidatos são estrategas, com certeza. Mas o facto deles dramatizarem os seus apelos e encenarem as suas mensagens não é nenhuma novidade. Tais manobras são tão velhas quanto a política. O que é novo é a intensidade penetrante sob a qual as actividades dos candidatos são expostas, dissecadas e criticadas. E não deve constituir surpresa que ao mesmo tempo que os candidatos são apresentados como mestres de estratégia e manipulação, os americanos os tenham em menor consideração.
Nem deve constituir surpresa que os americanos se tenham azedado com as campanhas. As eleições tornaram-se negócios negativos, cheios de comentários e análises de corridas de cavalo. (…) As sondagens não podem ser culpadas por todas ou mesmo a maioria dos males das campanhas americanas. Mas esta técnica poderosa tomou o seu lugar ao lado das grandes fortunas, publicidade negativa, jornalismo de ataque e outros desenvolvimentos que em combinação diminuíram as eleições americanas."
In Thomas E. Patterson, "Of Polls, Mountains: U.S. Journalists and their Use of Election Surveys", Public Opinion Quarterly, Vol. 69, nº 5, pp. 716-724.
O João nos comentários notou um problema na tradução anterior. A frase "America's poll-driven election coverage squeezes out content that would inform voter's judgment" surge traduzida como "A cobertura americana duma eleição conduzida pelas sondagens, enfatiza conteúdos que informarão o julgamento dos votantes" devendo, de acordo com o João, ter a seguinte tradução: "A cobertura das eleições norte-americanas centrada e motivada pelos resultados das sondagens reduz a importância dos conteúdos sujeitos ao julgamento dos eleitores".
Embora me pareça que a frase do João vai no sentido correcto do texto original, não resisto a lançar-me na procura da frase mais correcta (embora ainda não fique muito satisfeito com o resultado): "A cobertura americana duma eleição conduzida pelas sondagens tende a desvalorizar conteúdos que informarão o julgamento dos votantes"
Terça-feira, 17 Janeiro, 2006Uma das teses centrais do artigo esta mal traduzida.
A frase:
America's poll-driven election coverage squeezes out content that would inform voter's judgment
Deveria ter sido traduzida por:
A cobertura das eleicoes norte-americanas centrada e motivada pelos resultados das sondagens REDUZ A IMPORTANCIA dos conteudos sujeitos ao julgamento dos eleitores.
Terça-feira, 17 Janeiro, 2006
Concordo consigo João. É mesmo assim como diz!
Quarta-feira, 18 Janeiro, 2006
Como diz o João, esta frase é uma das teses centrais do artigo.
E sugiro outra tradução, quase à letra, atendendo a que o verbo "squeeze" significa "espremer", "extrair o sumo" - creio que a tradução correcta, neste contexto, seria "expurgar", ou, mais elegante,"esvaziar". Também me parece melhor "conduzidas" como traução de "driven", e ´"juízo" como tradução de "judgement"
E ficaria assim:
"A cobertura das eleicoes norte-americanas CONDUZIDA pelas sondagens ESVAZIA-AS DOS conteúdos que deveriam informar o JUÍZO dos votantes".
E é exactamente isto que deliberadamente está a ser feito pelos maiores meios de informação em Portugal, "esvaziar de conteúdo político" todo o acto eleitoral.
As sondagens são uma das facetas relevantes desta "condução", mas também, e não menos importante, é a selecção das notícias e extractos das campanhas centrada em "incidentes" e em todo o género de extractos exógenos à discussão de políticas e de conteúdos. Neste sentido também a ocultação da campanha de Jerónimo de Sousa (ver p.ex. post de André Levy, sobre a estatística de notícias televisivas, e o de Manuel Gusmão, sobre o comício) que se centra exactamente no conteúdo político.
E é relevante ainda, para além "quantidade", a "qualidade" do que é seleccionado para "mostrar", centrado no que é marginal ao conteúdo político do projecto proposto por cada candidato, ocultado no "folclórico" e irrelevante.
Tudo junto, trata-se de uma manipulação deliberadamente conduzida, para ofuscar o "juízo dos eleitores", para impedi-los de "ver" o sentido de voto que corresponde ao seu interesse.
As traduções propostas para a frase "America's poll-driven election coverage squeezes out content that would inform voter's judgment" retiram-lhe a afirmação subjacente de intencionalidade e de forçamento contidas no verbo "squeeze", uma acção concreta e que exige força intencional, "espremer" (e não apenas "reduzir" ou "tender a desvalorizar")
Parece-me mesmo importante trazer à luz esta manipulação. Daí um comentário tão grande à tradução de uma frase ...
Quarta-feira, 18 Janeiro, 2006
O Cavalo Vencedor e o Cavaco Perdedor
Hoje, no Forum da TSF sobre as sondagens, às tantas ouvi o Pedro Magalhães (Director do Centro de Sondagens da Católica) e (pondo as barbas de molho como o Mais Livre já alertou) a dizer que “as sondagens não servem para prever resultados eleitorais, servem para descrever intenções de voto”, “para o eleitorado da direita o Cavaco é o seu candidato” e até que “as eleições decidem-se no voto e não nas sondagens”.
Nessa altura, mais do que nunca ficou para mim claro que estas “sondagens” (e particularmente as “diárias” do DN e da TSF) foram a arma a que desta vez os cavaquistas (i.e. os grupos económicos e financeiros que pretendem pôr Cavaco na PR), deitaram a mão com mais força, para nos levarem na conversa deles..
Estas “sondagens” tentam fazer Cavaco parecer o que não é. Tentam dar dele a imagem de “vencedor”, escondendo que Cavaco é um candidato banal e minoritário. Banal, como se viu pelas generalidades que debitou nos debates e continua a debitar na campanha. Minoritário porque só tem o apoio do PSD e do PP. E bem nos lembramos das encenações com o Veiga e o Carlos Beato para “provar” apoios fora do seu campo, quando o Veiga se representa a si próprio e o Beato já antes o tinha apoiado...
Isto é tentam vender-nos o Cavaco como (durante muitos anos) nos venderam o sabonete Lux, não porque fosse um sabonete melhor do que os outros, mas porque era usado por nove em cada dez estrelas de Hollywood. Agora impingem-nos Cavaco, não porque seja melhor mas porque 60, 55, ou 53 por cento dos portugueses alegadamente vão votar nele...isto é, jogam no facto das pessoas gostarem de apostar no cavalo vencedor.
Mas estas “sondagens diárias” têm tão pouca credibilidade que nem sequer o Pedro Magalhães as inclui no gráfico do seu blogue Margens de Erro. É que as variações diárias que desde o dia 9, fazem as manchetes do DN e da TSF, estão todas dentro da margem de erro da própria sondagem e assim essas tais variações diárias podem portanto não significar rigorosamente nada. Mas disto ninguém avisa nem os ouvintes da TSF nem os leitores do DN...
Mesmo “pegando” nestas “sondagens”, em números brutos nem uma única vez sequer o Cavaco atingiu os 50%...no máximo foi aos 48% em 10 e 11 de Janeiro e hoje quedou-se pelos 41%. Isto é, nas 600 pessoas que em quatro dias foram inquiridas, nem 300 disseram que vão votar nele e hoje 240 dizem que sim mas 360 dizem que não.
E assim, apesar das “sondagens” se esvai a máscara do Cavalo Vencedor e começa a surgir o verdadeiro Cavaco Perdedor.
As sondagens – não as subestimemos – são técnicas poderosas para fazer a cabeça às pessoas, para criar modas, para nos porem a comprar coisas de que antes nunca necessitámos, para nos porem a simpatizar com quem não conhecemos (ou vice-versa). As sondagens custam dinheiro, muito dinheiro. Por isso quem o tem e quer atingir um determinado fim usa e abusa delas.
Mas sendo as “sondagens” a arma “deles”, é bom que a malta não esqueça que o voto é a nossa arma. E eu como trabalhadora e mulher vou usar o meu voto para eleger o nosso candidato: Jerónimo!
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