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Novos cartazes de campanha

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Á direita instalou-se o nervosismo

Admito muito sinceramente que Cavaco até esteja um pouco mais tranquilo se o compararmos com todos aqueles que o rodeiam ou que o apoiam. Nas últimas semanas têm surgido um conjunto de "observações", "crónicas" e outras posições públicas por parte dos mordomos cavaquistas que fizeram e fazem transparecer um certo nervosismo e uma intranquilidade tal que acaba por contrastar nitidamente com a posição menos irrequieta do próprio Cavaco Silva.

Hoje fui surpreendido com uma ameaça "às pessoas de esquerda": "Pode ser que se lixem!" (ipsis verbis) - avisa Luís de Carvalho no Diário Digital.

Para ler, rir e se acharem conveniente, comentar.

O boletim de voto das televisões

Viram os noticiários das 20 nas televisões? Para a SIC e a TVI só há quatro candidatos: Cavaco, Soares, Alegre e Louçã. Jerónimo teve direito a uma pequena existência na RTP.
É de esperar que daqui para diante a coisa se modifique: afinal de contas também há o Garcia Pereira, não é verdade? Portanto, preparemo-nos para o boletim de voto das televisões: Cavaco, Soares,Alegre, Louçã, Garcia e, às vezes, o outro.
Não é bom ter amigos? Não é bom ver a engrenagem a funcionar?

apologia da satira

O melhoramento digital de um cartaz de Cavaco Silva que recentemente coloquei neste blog foi criticado num comentário de Fernando Alves como demonstrando que a candidatura de Jerónimo não é "séria", que se trata de "uma simples anti-candidatura". Ora, este blog não é o blog oficial de Jerónimo, é um blog de apoiantes da sua candidatura, e como tal ilustra quanto muita a sua base de apoio. Mas mesmo se assim não fosse, a crítica política por meio de sátira, comédia e caricatura tem uma larga tradição em Portugal que vai desde Rafael Bordalo Pinheiro, à Revista do Parque Mayer e ao Carnaval de Torres. O uso de humor na crítica política não torna a crítica menos séria e seguramente não tira mérito às verdades que sublinha.
Mas a crítica de FA sobre a seriedade da candidatura de Jerónimo remete para outro aspecto, em particular se Jerónimo se candidata com a intenção de vir realmente a assumir a presidência. As observações que são feitas neste contexto, inclusivamente por jornalistas, estão pejadas de contradições, pois confundem a intenção do candidato com o que julgam ser a sua possiblidade de assumir o cargo. Baseadando-se nas espectativas dos resultados, assumem que só são válidas, sérias e meretórias as candidaturas que apresentam projecções indicando percentagens "competitivas". Ora, se uma candidatura presidencial não "tem chance de vencer", não significa que não tem valor intrínseco, que o seu significado advém apenas enquanto "candidatura de oposição". Uma candidatura vem trazer valor a uma campanha eleitoral desde logo pelos argumentos, programas e temas que contribui, e pelo eleitorado que mobiliza para o acto eleitoral e para o involvimento na actividade democrática. Como Jerónimo tem afirmado com humildade, a sua candidatura irá o mais longe que o eleitorado a queira levar. A ambição é ir o mais longe possível, ao Palácio de Belém se o povo Português assim o entender.
E não é simplemente "anti-cavaco". É uma candidatura que faz da Constituição Portuguesa o seu elemento central, mas que dada as presentes perspectivas e o perfil da candidatura de Cavaco, não pode deixar de chamar atenção para os perigos que a candidatura de Cavaco representa, em particular contra a Constituição. FA pergunta: "Cavaco Silva é uma ameaça à democracia por ser de direita?". Bom, Cavaco Silva é uma ameaça a um Portugal de justiça social e desenvolvimento sustentado, por ser de direita. Ele é uma ameaça à democracia por ser arrogante e convencido que tem sempre razão, e por ter os apoios de elementos do grande capital financeiro e económico, que explicitamente criticam a Constituição e ambicionam assambarcar as rêdeas do poder. Jerónimo já várias vezes clarificou que não crê que com o Cavaco se caminhe para o fascismo. A pergunta pertinente é se Cavaco é uma ameaça ao projecto constitucional de democracia política, económica, social e cultural. Por quem é, pelo que tem demonstrado ao longo da sua carreira política, e sobretudo tendo em conta as forças que representa, a resposta é claramente sim. Com essa comprensão, uma candidatura que defende a Constituição, tem como objectivo essencial alertar para candidatos que constituam uma ameaça ao documento fundamental da nossa democracia.

Porque Jerónimo é como o algodão...

Muitas tentativas têm sido desencadeadas com o objectivo de rotular a candidatura de Jerónimo de Sousa como sendo apenas e só uma redutora candidatura "anti-cavaco". Apesar de todas essas tentativas - onde se incluem desde discursos na primeira pessoa até simples "post's", "comentários" e pseudo-votantes arrependidos - a campanha de Jerónimo de Sousa tem sido clara nos objectivos.

Desde a primeira hora e apesar do "saliente" facto da apresentação pública das propostas de Jerónimo de Sousa ter sido a única das principais candidaturas que não teve honras de transmissão directa nos principais órgãos de comunicação social (como a TSF), esta candidatura tem assumido e demonstrando aos portugueses uma linha de acção muito bem definida, com empenho prioritário na defesa dos princípios constitucionais e certa de ter para Presidente da República não um "calculista financeiro" nem um buscador de reverências e status, mas sim um homem cuja dignidade e sentido cívico NÃO PEDE MEÇAS a nenhum dos outros candidatos!

Para bem de uma campanha salutar e decorrida no respeito pelo sentido cívico que determinados "poetas florais" tanto apregoam como bandeira, é necessário que o nervosismo não dê lugar a verborreias de mau-estar!

Importa por isso repetir até à exaustão que esta candidatura é, pois, sinónimo da defesa intrasigente dos valores da nossa constituição e do seu integral cumprimento prático, personificada num homem cujos princípios políticos sempre se pautaram pela defesa de aspectos nobres e imprescindíveis para o ser humano e sua condição social. Ou seja, os direitos, as responsabilidades, liberdades e garantias do Homem, acima de interesses meramente económicos e/ou financeiros!

No entanto e não podendo ser simplesmente ignorado o facto de que existe à direita, uma candidatura que do nosso ponto de vista representa valores que vão contra os interesses reais dos portugueses e principalmente dos que menos têm, não podemos de maneira nenhuma deixar de exercer um combate político nesse sentido. Mas, como se disse, há um rumo e há um direito à esperança! Um voto em Jerónimo é um voto simultaneo na esperança de um Portugal mais justo, mais livre e mais fraterno, mas é também um voto de combate à politiquice de erros sucessivos, infelizmente com provas dadas no passado da vida dos portugueses!

Se os comentários forem honestos...

Estão a aparecer com alguma frequência comentários em posts do "Mais Livre" queixando-se de que aqui se ataca Cavaco em vez de, por exemplo, se falar mais do que Jerónimo propõe.
A esta última questão já o André Levy respondeu num post anterior.
Em relação à primeira, ou seja, de aqui se fazer a crítica e se avivar a memória acerca dos perigos reais que a candidatura de Cavaco representa para o regime democrático constitucional, convém assinalar que, felizmente, Cavaco tem vindo a mostrar-se um razoável anti-Cavaco. Durante a pré-campanha, e nos debates, refugiou-se num conjunto de declarações genéricas e fugiu ao confronto. Agora, e ainda bem, de cada vez que abre a boca, sai-lhe uma qualquer novidade que vem confirmar que nem se conforma com o papel do PR no actual quadro constitucional, nem deixaria, se fosse eleito, de tentar intervir directamente em todas as esferas da governação. Não para, como querem fazer crer os Coelhos do PS, dificultar a vida ao Governo, mas para associar à má política do Governo os poderes e a autoridade presidencial, na imposição autoritária das políticas e eventualmente, no controle antidemocrático e na repressão do protesto social e político.
Neste sentido, e respondendo a um comentário, se há uma candidatura que é uma anti-candidatura é a de Cavaco. Uma anti-candidatura contra a Constituição e contra o regime democrático constitucional.
A candidatura de Jerónimo, como qualquer outra, é contra e é por. Contra a candidatura da direita e contra as políticas de direita. Por uma ruptura democrática e de esquerda, por um Portugal mais livre, mais justo e mais fraterno.
É por isso que Jerónimo se bate, é por isso que Jerónimo avança!.

Se cartazes fossem honestos...

A verdadeira face

O tema pós-natal das eleições presidências tem sido a declaração de Cavaco ao propor uma nova Secretaria de Estado. Não é preciso ter-se desempenhado algum cargo público ou ser-se professor para saber que esta é uma competência que depende única e exclusivamente do Governo e do Primeiro Ministro. Também me parece um pouco tolo interpretar estas declarações como uma "gaffe" do candidato a presidente. Esta tal como a anterior, em que defendia uma Secretaria de Estado para a Emigração, são declarações num contexto específico e para um público alvo. Se a declaração em que Cavaco falou na Secretaria de Estado para a Emigração, foi feita no Brasil e era claramente para colher esses votos, esta foi feita em plena situação crítica da Auto Europa, como um piscar de olhos ao seu Conselho de Administração.
Este sim é o verdadeiro Cavaco! Sempre ao serviço dos mais favorecidos e capaz de incendiar multidões com uma simples frase.

Projectos de candidatura

Num comentário a um post recente, alguem mostrava curiosidade em ver neste blog "os projectos" de Jerónimo de Sousa na sua candidatura. Ora, este pedido partilha da confusão, alimentada por certos candidatos, de que nesta campanha estão em causa "projectos" de governação, para resolver problemas económicos, para estruturar o executivo, etc. Nada isto está em causa. O Presidente da República não tem poderes executivos. Existe uma Constituição da República, e ao novo Presidente cabe ser fiel ao juramente de "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República".

"Cabe ao povo português avaliar, face às candidaturas em presença para a eleição de 2006, e em particular face à candidatura apoiada pela direita, que candidatos dão garantia de corresponder a esse juramento solene. E convém que esse juízo seja formado não apenas sobre as palavras com que agora se apresentem, mas também sobre o seu percurso e passado políticos, sobre as políticas que empreenderam e apoiaram." Jerónimo de Sousa, Compromisso com o Povo

A meu ver apenas o Jerónimo demonstra comprender isto claramente, referindo-se constantemente à Constituição, e à totalidade do seu espirito, frizando que a democracia postulada na Constituição ter aspectos políticos, económicos, sociais e culturais, e declarando que é esta que exige um "Portugal de liberdade, de justiça social, de progresso e de desenvolvimento, no quadro de um regime de profundo potencial transformador e enraizamento democrático."

Quem quer saber o projecto de um candidato à Presidência da República, leia a Constituição. Quem quiser decidir em quem votar, avalie a capacidade dos candidatos em antes de mais respeitam o texto. Tal exclui à partida candidatos que não se distanciam de apoiantes que lançam ataques contra a Constituição.

Ainda a propósito da (não) proposta de Cavaco Silva para criação de uma Secretaria de Estado


"No entanto, hoje à tarde, o ex-primeiro-ministro afirmou que as suas declarações «não têm nada a ver com o Governo português», nem mesmo com a sua candidatura a Presidente da República."
in Expresso online, sob o título "Cavaco Silva desmente"

Pergunta: Então têm a ver com o quê?

«O que me preocupa é o desemprego. Não deixarei de contar o que é feito nos outros países para tentar resolver o problema de desemprego», disse."
ibidem

Pergunta: Quando andava por aí a destruir o aparelho produtivo português o que é que julgava que estava a fazer?
Pergunta: Será que no fundo Cavaco Silva gostava mesmo era de ser jornalista?

Não exageremos... (ou Autoeuropa III)...

Cavaco Silva desconhece a Constituição? Já se sabia.
Para ele, e sobretudo para os seus apoiantes com o coração mais ao pé da boca, o essencial a saber sobre a Constituição é que é para acabar com ela quanto antes.
Portanto, que o homem ache que o PR decide da estrutura orgânica do Governo é normal.
Agora o que convém não exagerar é na forma, de tal maneira que se passe por cima do conteúdo. Porque o que preocupa o prof. Cavaco é que haja no Governo um secretário de estado ou um director-geral só para tratar dos assuntos das multinacionais, para "antecipar problemas e para evitar deslocalizações".
Que "problemas"? Problemas quer dizer salários e direitos dos trabalhadores (quem é que julga que o professor não falou da Autoeuropa?) e aqui o prof. equivocou-se. Não é preciso um secretário de estado para fazer o frete às multinacionais. O próprio ministro tem tratado do assunto.

orçamentos das campanhas

Os orçamentos previstos dos candidatos presidências estão agora disponíveis na Entidade das Contas e Financiamentos Políticos do Tribunal Constitucional. Os totais são os seguintes:
  • Cavaco Silva - 3,76 milhões € (perto do limite permitido pela lei)
  • Mário Soares -2,9 milhões
  • Manuel Alegre - 1,5 milhões
  • Jerónimo de Sousa - 1,1 milhões
  • Francisco Louçã - 550 mil
  • Manuela Magno - 307 mil
  • Garcia Pereira - 22 mil
  • Luís Filipe Guerra - 5 mil
  • Carmelinda Pereira - 2 mil
Um resumo (não exaustivo) do repartido das 5 primeiras candidaturas é o seguinte:

Cavaco SilvaMário SoaresManuel AlegreJerónimo de Sousa Francisco Louça
Total3,700,0002,949,521
1,500,000 1,100,000546,948






Subvenção Estatal1,678,656899,280900,000350,000425,000
Contribuição partidos01,500,0000717,50066,948
Donativos pecuniários2,000,000358,550300,00020,00030,000
Anagariação de fundos pecuniários0323,741100,00012,50015,000
Donativos em Espécie21,34426,500200,000010,000






Despesas




Material de campanha402,0001,009,471500,000600,000258,400
Material para oferta
262,6345,00040,0000
Acções de campanha665,0001,095,69550,00080,000188,058
Publicidade1,470,000



Transportes Mercadorias/Pessoal3,00032,95010,000140,00015,237
Rendas e Alugueres350,000198,897200,000120,00058,453
Combustiveis2,00025,20015,00050,0006,247
Seguros1,0003,6502,00020,0001,000
Comunicação116,50095,34315,00015,0007,800
Honorários210,000171,327100,00020,0006,250
outros62,50039,506147,00010,0004,000

Quase todos os orçamentos têm as mesmas rubricas, excepto o de Cavaco Silva. O mais notável é que esta possui a rubrica "Publicidade", para a qual estão destinados 1470 mil euros (praticamente todo o orçamento de Alegre), embora esta rubrica não cubra as tradicionais rubricas de material de campanha. Irá Cavaco apostar em anúncios televisivos/radiofónicos à semelhança das campanhas dos EUA?
Também é ilustrativo das diferenças dos tipos de campanha que seja a de Jerónimo de Sousa a gastar mais em combustível (e em tranportes de mercadorias e pessoal), reflectindo quem vai de facto "ao terreno", para usar a expressão de Cavaco. O orçamento de Cavaco tem uma rubrica (ausente na tabela acima) de 160mil euros para "Deslocações, estadias e alimentação". Mas com tão pouco gasto em combustível, ou eles vão de barco à vela percorrer o país, ou vão fazer meia dúzia de paradas e ficar hospedados em hoteis de 5 estrelas a comer lagosta "no terreno".
Deixo os restantes números falarem por si. Apenas uma nota final sobre a "subvenção estatal".
Estes valores são previsões, proporcionais ao resultado eleitoral previsto. Segundo contas da SIC, o valor previsto de subvenção estatal pela candidatura de Cavaco presupõe uma vitória à primeira volta, Soares e Alegre preveêm ambos 25% dos votos, Jerónimo de Sousa presupõe atingir entre os 5-7% e Francisco Anacleto Louçã (desculpem a imaturidade, mas acho o nome Anacleto mesmo cómico) 8-9% dos votos.
Segundo entendo, estas subvenções são atribuidas apenas aos candidatos com resultado superior a 5% dos votos. Mas eis que Manuela Magno coloca no seu orçamento uma receita de quase 275 milhões de euros de subvenção estatal. Daí o seu orçamento total estar tão perto do de Louçã. Retirada a subvenção, o total do seu orçamento ascende apenas a 32500, ainda superior mas mais perto do de Garcia Perreira. Terá ela feito uma sondagem entre a sua família e amigos?

A "constituição europeia" volta a atacar

Ora aí está uma tema de campanha a clarificar.
Já era sabido que os federalistas e, sobretudo, todos aqueles cujo "projecto europeu" é a federação fundamentalista neoliberal (o neoliberalismo é o único deus e o directório das grandes potências é o seu profeta) não se conformavam com a morte prematura da sua "constituição". Derrotada nos referendos em França e Holanda, o cadáver não teria reanimação possível para quem respeitasse a vontade democraticamente expressa dos povos. Mas já se sabe que a "construção europeia" não assenta propriamente na vontade democraticamente expressa dos povos. E depois de um período de incubação aí está de novo a coisa a tentar ressucitar.
Ouçamos portanto a vozes que soam desse lado, não apenas na candidatura da direita, mas na de Soares (como Vital Moreira aqui), na de Alegre, cujo programa defende a solução cosmética da maquilhagem da defunta, ou na de Louçã, que defende uma Europa com todas as características do federalismo, com a diferença que quer fazer crer que a isso não se chama federalismo.
*
Da parte de Jerónimo, a posição é bem clara:
"Um novo rumo para a União Europeia, (....) exige a ruptura com os actuais vectores do neoliberalismo, militarismo e federalismo, (e) deve assumir plenamente o estatuto de igualdade de direitos e de soberania entre todos os Estados membros."
("Compromisso com o Povo")

Sondagens e os indecisos

Praticamente todos os sectores políticos desvalorizam as sondagens, mas elas não deixam de receber imensa atenção e (mais grave) de influenciar o movimento de voto. Sem dúvida que as sondagens estão a contribuir para a impressão que Cavaco irá ganhar na primeira volta. Somado aos problemas que as sondagens em Portugal têm sempre (amostragem enviesada, a descrição do método não ser explícita, separação entre os resultados e as conclusões extraídas, etc), parece-me que as referentes à primeira volta das presidênciais têm um problema addicional, que está claramente a beneficiar Cavaco.
Uma fracção das respostas durante a amostragem corresponde aos indecisos, os que contestam "não sei" ou "não respondo". Estes podem ser tratados como representando a percentagem de abstenção. Uma alternativa para re-calcular as precentagens dos diferentes candidatos, para que estas somem a 100%, é redistribuir os indecisos proporcionalmente entre os vários candidatos, ou redistribuí-los com base na resposta dada a uma pergunta sobre inclinação de voto. Ora, parece-me razoável pensar que muitos dos eleitores ainda indecisos neste momentos sejam eleitores de "esquerda", indecisos entre um dos candidatos de esquerda (sensu lato). Uma distruibuição proporcional dos indecisos inflaciona a percentagem correspondente a Cavaco. Este efeito será ainda maior se o nível de indecisão "real" for superior ao indicado nas sondagens, que se situa em geral cerca dos 13%. Mas infelizmente, o tratamento dos dados das sondagens e em particular como são processados os indecisos pela comunicação social não é muito clara. Vejam o blog Margens de erro para discussão mais promenorizada sobre sondagens e sua análise, e sobre a esta questão dos indecisos.

A avalancha

A avalancha das sondagens aí está. Porquê este fim de semana? Porque se avizinha uma pausa sem campanha, e é necessário inculcar mais uma vez a mesma ideia: Cavaco ganha à primeira volta.
Agora aqui para nós. Se mais de um em cada dois eleitores fosse votar Cavaco a coisa via-se, não é verdade? Um em cada dois portugueses a contar os euros para o jantar estaria a manifestar a sua estima por Cavaco. Um em cada dois trabalhadores da Administração Pública, que hoje ficaram a saber (como se não soubessem) que só qualquer coisa como um aumento de 52 euros reporia o poder de compra perdido, estaria a recortar um retrato de Cavaco para pendurar na árvore. Um em cada dois reformados estaria a escrever Cavaco no chorudo recibo da pensão. Um em cada dois jovens estaria à procura de uma t-shirt de Cavaco na inscrição no Centro de Emprego. Um em cada dois portugueses acharia que Cavaco é a cereja que falta para completar o florescente bolo nacional.
A coisa via-se. E vê-se?

Sondagens e o voto

Hoje publicou-se mais uma sondagem, desta vez no Correio da Manhã feita pela Aximage. Esta diz que três em cada cinco pessoas do meu país irão votar em Cavaco Silva. Não sei se isto é verdade, e desta vez nem me preocupo a tentar demonstrar as incongruências de cada sondagem, mas preocupa-me.
Preocupa-me pois dou por mim a pensar nos trabalhadores da Autoeuropa e nos do Vale do Ave, nos estudantes e professores, em todas as famílias carenciadas... Nos milhões de portugueses que poderão contar com cinco anos de poder cego e surdo das instituições que elegeram. Nos milhões de portugueses que poderão contar com mais cinco anos de favorecimento dos grandes interesses económicos.
Mas o meu voto de natal tem de ser um voto de esperança, porque o Jerónimo avança e irá até onde o povo quiser.

Começar um Bom Ano em Janeiro









Um bom Natal de campanha, uma boa campanha de Natal (à mesa também se ganham votos).

Autoeuropa II

O coro da chantagem sobre os trabalhadores da Autoeuropa continua a cantar afinado. Até no SuperAlegre o coro Governo/Administração/UGT exprime o "interesse nacional".
Cada um tem os apoios que merece.
Os trabalhadores têm a solidariedade que justificam e merecem.

Atenção: agora ainda vai ser mais difícil

Com o debate de ontem acabaram os debates, ou seja, a engrenagem está de mãos ainda mais livres. A partir de hoje, ainda é mais David contra Golias.
A campanha da direita vai tornar o país num gigantesco Gondomeiras (Gondomar+Felgueiras): almoços e jantares à borla para todos os que quiserem envergar o gorro e o cachecol. Um cortejo de camionetas para proporcionar "banhos de multidão" (se forem fracos, as televisões compõem). Um cortejo de artistas pimba para animar, porque já se sabe que o candidato não tem, digamos assim, o dom da palavra. E muitas, muitas sondagens, comentários "isentos", títulos nos jornais. Reportagens vídeo-clip nas televisões.
O silêncio ou a notícia envenenada sobre Jerónimo.
Deste lado, determinação incansável. Cada dia há novos votos a ganhar, trabalhadores a esclarecer, democratas a mobilizar.
Golias, como todos estão lembrados, foi derrotado.

Der Untergang

Cavaco Silva vs Mário Soares - Tenso, nervoso, irrequieto. O "lobo" virou "cordeirinho". Cavaco não conseguiu disfarçar o incómodo de debater com Mário Soares nem a incoveniência de ser confrontado com a sua herança política. E teve, na verdade, motivos para isso. Ao tentar "fugir para a frente" Cavaco continua a repetir que o importante é debater o futuro, e tão simplesmente porque sabe perfeitamente que discutir os seus erros do passado é a melhor forma de definir a sua incapacidade política para dirigir o que quer que seja. A Soares bastou usar o seu estilo mais populista para que Cavaco tivesse de enveredar pela escapatória das palavras (escondendo o que pensa, como já havia dito Jerónimo de Sousa) e fugir do passado como o diabo da cruz. Cavaco perdeu. Diria mesmo que se este debate se tratasse de um jogo de futebol poderia escrever-se hoje que Soares goleou o adversário. Um adversário que mais uma vez provou não ser capaz de fazer fluir um discurso nem um pensamento que não baseado na sua especialidade académica - a Economia. Compreende-se porque é que Mário Soares quer mais debates... ele sabe que os pode ganhar contra Cavaco Silva. Sabe melhor que ninguém que a confrontação directa é a melhor forma de jogar os seus trunfos contra o seu principal adversário. E se são os cavaquistas os primeiros a alegar razões de idade para atacar Soares (argumento falso que sempre recusei), o que na verdade se notou no frente-a-frente de ontem é que foi Cavaco Silva quem acusou escassez de frescura intelectual e destreza política. Cavaco não se soube defender nem teve grande margem de manobra para isso. Da altivez, do ego alimentado pelas sondagens deu-se a queda. Vamos ver com que "pele de lobo" se disfarçarão os cordeirinhos humilhados.

"Pensem nos vossos filhos!" - disse Cavaco


Penso no meu filho.
Como lhe poderei explicar que alguns meses antes de ele ter nascido os cidadãos do meu país entregaram o poder nas mãos de uma pessoa como Cavaco? Como lhe poderei explicar que alguns meses antes de ele ter nascido, os cidadãos do meu país entregaram o poder nas mãos daquelas pessoas que não têm rosto e das quais só conhecemos o nome, que têm vencimentos astronómicos e são os responsáveis por milhares de despedimentos? Como lhe poderei explicar quais foram os argumentos destas pessoas que atrairam os cidadãos do meu país?
(também publicado no Cavaco Fora de Belém)

Autoeuropa

A Administração, o Governo e a UGT ficaram muito decepcionados por os trabalhadores terem rejeitado o acordo.
Será preciso mais para confirmar que os trabalhadores têm razão?

Ainda não começou a campanha e a direita já quer dar a eleição por arrumada

A desorientação e a confusão na área PS é um dado preocupante. Entre outras razões, porque dá o flanco a uma das linhas estratégicas essenciais da candidatura da direita: a de que Cavaco já ganhou, e a votação será uma mera formalidade para confirmar esse facto. As "sondagens", e sobretudo os títulos dos jornais sobre as sondagens não têm outra finalidade.
Quatro candidaturas à esquerda da de Cavaco não é nenhum problema. Problema é que duas candidaturas dêem o espectáculo da dissenção e da divisão na mesma área política. A divisão dificilmente será um factor de mobilização.
Pode dizer-se, com razão, que isso é um problema do PS.
O que não é um problema do PS é os milhares e milhares de eleitores democráticos que este espectáculo, somado à insistente propaganda de que Cavaco já ganhou, pode desanimar e desorientar.
Por isso há que repetir com toda a força o apelo de Jerónimo: não há lugar para a desistência ou o desânimo. É possível derrotar a direita.
É um enorme combate de firmeza e convicção democrática. Felizmente que temos um enorme povo.

Para as memórias curtas e para os sonos pesados

No post anterior o Tiago chamou a atenção para uma opinião. Falta acrescentar que essa opinião não apenas está expressa num blogue de apoio a Soares, como foi retomada num blogue de apoio a Alegre. O preconceito anticomunista, um trunfo de Cavaco.
Outro, como já tenho aqui escrito, é o descrédito do Governo Sócrates.
Outro é a amnésia.
A política do governo actual (que pode haver quem julgue penalizar votando Cavaco) vem muito de trás, e Cavaco Silva foi um dos seus impulsionadores mais determinantes, primeiro como ministro das Finanças no governo da AD, depois como Primeiro-Ministro, porque este homem que “não é político” é há muito um dos principais executores e ideólogos da política de direita. Foram os governos de Cavaco, primeiro em minoria e viabilizado pelo PRD, entre 1985 e 1987, e depois de 1987 com maioria absoluta que aceleraram e aprofundaram ainda mais o processo contra-revolucionário. Baseado na tese de que a sua maioria absoluta consistia numa espécie de plebiscito às suas políticas, lançou uma ofensiva legislativa inconstitucional e global, assente numa sucessão de “pacotes”: o “pacote” anti-laboral, o das privatizações, o agrícola, o contra as liberdades, o eleitoral, o fiscal, o da justiça, o da saúde, o do ensino, cada um dos quais visando a imposição, através de legislação ordinária, de medidas inconstitucionais e de desfiguramento do regime democrático.
Foram governos de um duro autoritarismo, em que o protesto social e as lutas dos trabalhadores e das populações foram frequentemente alvo de violenta repressão. Foi também com Cavaco Silva que foram postos em prática os mais cínicos processos de instrumentalização do aparelho do Estado e dos meios de intervenção económica do Estado em função dos ciclos eleitorais, e assim conseguiu não apenas êxitos eleitorais, mas ainda uma imagem positiva junto de algumas camadas de trabalhadores, cuja memória curta retém mais as precárias melhorias alcançadas em anos de eleições, do que o brutal agravamento das condições de vida em todos os outros anos.
Este homem, intrinsecamente autoritário, que chamou forças do bloqueio a todas as instituições e órgãos de soberania que, no quadro das suas competências próprias, exerciam uma acção de fiscalização das medidas empreendidas pelo governo e pela maioria em que se apoiava, que papel não teria, se por acaso fosse eleito para o cargo que, por definição, não responde perante nenhum outro órgão?
Se Cavaco Silva fosse eleito, ele seria, em Belém, o garante de que as políticas de direita e o processo de destruição do regime democrático poderiam dar novos e perigosos passos, e nesse aspecto, e enquanto necessário, não teria dificuldade em entender-se com Sócrates. Bem pode agora afirmar que cumpriria escrupulosamente a Constituição da República, todo o seu passado garante o contrário.
Este candidato, para ter êxito, precisa de falar pouco, quando fala dizer o que nunca praticou, e sobretudo precisa de fazer esquecer o seu passado. O que está em causa, e deve ser julgado, não é uma pessoa, são as políticas e as posições a que esteve e está vinculado. Há quem não esqueça. Aos outros, convém lembrar.
Cavaco nunca mais!

"Sou dos que politicamente dorme mais descansado com Cavaco do que com Louçã ou Jerónimo"

Com a quantidade de textos que proliferam pela blogosfera, torna-se difícil para este modesto blogger ler todos os textos interessantes. Contudo fui ontem alertado para uma pérola do Pedro Adão e Silva que não posso deixar de mimar com o link. Se o Louçã incomoda muita gente, o Jerónimo incomoda muito mais.

Afinal não são assim tão diferentes as opiniões dos apoiantes das candidaturas da área do PS.
Agora foi a vez do nosso amigo Super Alegre ao nos brindar com o seu prévio apoio à candidatura de Cavaco, caso Jerónimo de Sousa passe à segunda volta. E assim se separam as águas e os lados da trincheira! Eu continuo a dizer que na segunda volta apoiarei qualquer que seja o candidato que se perfilhe contra Cavaco, sejam da esquerda, de centro esquerda ou o tranversal.

Sondagens


O Dn de hoje presenteia-nos com mais uma sondagem. Independentemente dos resutados de cada um dos candidatos há um dado que tem vindo expresso em todas as sondagens - Cavaco pode ter maioria absoluta. O DN regista-o bem com o título "Cavaco absoluto".

Alegre não gostou...

...de que Jerónimo o tivesse conotado com as decisões tomadas na Assembleia da República pelo Partido Socialista. A tentativa quase que desesperada de Alegre se afastar momentâneamente do seu partido, cego por essa falsa ideia da "independência", leva-o por vezes a renegar-se a si próprio e às posições que tomou. E se Cavaco foge a toda a pressa da sua sombra de primeiro-ministro, Manuel Alegre foge da responsabilidade de, enquanto deputado na Assembleia da República, ter aprovado determinadas leis que vão precisamente contra aquilo que diz defender agora enquanto candidato à Presidência da República. Neste último debate, Jerónimo foi sem sombra de dúvidas o mais clarividente. Não fomentou a ideia de consensos e concertações a todo o custo implícita nas "meias palavras" de Alegre antes reafirmou que é necessário muito cuidado no conteúdo, consciente dessa infeliz prática corrente no nosso país, de determinados sectores tirarem proveito dos chamados "pactos" ou "concertações" para se sobreporem a terceiros de forma desleal e desonesta. Jerónimo avança!

Ribeiro e Castro e a nova constituição


O líder do CDS-PP, Ribeiro e Castro, falou ontem no encerramento do congresso da Juventude Popular. Em fase de pre-campanha presidêncial, este apoiante da cadidatura de Cavaco Silva, lançou fortíssimos ataques à Constituição da República e defendeu uma nova revisão Constitucional. Devemos agradecer a Ribeiro e Castro por ter tão claramente expresso qual é a intenção da direita. Não se trata de eleger um presidente que "cumpra e faça cumprir" a Constituição, mas mudá-la, mais uma vez.
Recorde-se que o CDS foi o único partido da Assembleia Constituinte que chumbou a Constituição da nossa III República, mas vem agora falar que é preciso uma Constituição consensual. É preciso uma Constituição de "humanismo, de liberdade e democracia plena". Mas por estas palavras refere-se aos direitos à educação, saúde, trabalho, expressão, etc. ? Não. Refere-se ao direito de uma maioria parlamentar poder impor a sua vontade: "Uma Constituição não pode bloquear a escolha democrática do povo", sustentou.
Segundo Ribeiro e Castro, quando se defendem "os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores" não se está a defender o que vem consagrado no Capítulo III da Constituição, mas a promover "
a ideia de que o futuro de Portugal é inconstitucional". A grande culpada pelo atraso de Portugal afinal é o entrave da constituição portuguesa que "tem bloqueado algumas reformas estruturais, nomeadamente nos planos económico e social, por exemplo ao não permitir a revisão e flexibilização do código do trabalho.
"Muitas das reformas que estão a ser feitas na Europa não podem ser feitas em Portugal por causa de alguns mitos que estão inscritos na constituição, nomeadamente o mito de que tudo é universal e gratuito. As coisas não são gratuitas, têm de ser pagas". O mito aquí é que a Constituição diga que "tudo" tem de ser gratuito, e gratuito para todos. Tome-se o exemplo da saúde. O que a Constituição proclama é que o "sistema nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos [deve ser] tendencialmente gratuito". Isto é, está aberta a oscilações no pagamento, subidas e descidas, consoante o estado da economia e a riqueza do paciente. Mas havendo condições para tal esta deve ser gratuita. E mesmo quando o SNS não cobra não quer dizer que não se "pague". Paga-se através dos impostos, idealmente os mais ricos pagando mais. Não se cobra é directamente ao doente. Chama-se a isto solidariedade e justiça social. Ou "humanismo".
A palavra 'gratuito' aparece apenas mais uma vez na Constituição, no Art74, ponto 2b) quando se incumbe ao estado "Assegurar o ensino básico universal e gratuito". Segundo Ribeiro e Castro, a Constituição Portuguesa é um entrave porque diz que as crianças devem ir à escola primária de graça e os doentes mais pobres não devem ter que pagar para ficarem saudáveis. Onde está o mito?
No mesmo discurso, Riveiro e Castro lança ainda um ataque ideológico à esquerda, que acusa de ser responsável por todas as actuais ditaduras do mundo, e por muitos males do mundo incluindo a guerra, a violação dos direitos humanos e o terrorismo (?!). "Gostava de saber o que é que a esquerda portuguesa pensa das ditaduras que continuam em Cuba, na Coreia do Norte, da sementeira de ruína de miséria e destruição que caracterizou África, de uma forma geral, por mercê de regimes de esquerda". A Esquerda é responsável pelos males em África?! Então o apoio dos governos de direita na Europa e EUA ao regime racista da África do Sul, o apoio às forças da UNITA e RENAMO que se opuseram à construção de sociedades pós-coloniais em paz, etc. Cuba que eu saiba é uma democracia política, onde os eleitores têm a tão apregoada conexão com os seus eleitos para a Assembleia Nacional, onde está realizado dentro dos limites do possível o tal "mito" de saúde e educação gratuita e universal. E a Correia do Norte, porção de um país fragmentado pela guerra, que vive constantemente sob a ameaça de guerra nuclear, com um milhão de soldados mobilizados e virados contra si.
No próximo ano, 2006, iremos celebrar 30 anos da Constituição. Precisamos de defendê-la e cumpri-la, não revê-la e desvirtuá-la dos valores de Abril.

Comentário da Candidatura de Jerónimo de Sousa a propósito de declarações de dirigentes do PS

Embora este não seja um blog da candidatura mas de apoio, parece-me importante colocar aqui o seguinte comunicado:

1. As declarações de vários dirigentes do PS, no sentido de pressionarem uma hipotética desistência de outras candidaturas, não podem deixar de ser vistas no quadro das hesitações e ambiguidades que têm marcado a atitude do PS nestas eleições presidenciais e que objectivamente outro resultado não tem tido que não seja o de abrir espaço à afirmação da candidatura de Cavaco Silva.
2. A insistência em apelos patéticos a uma possível desistência de outros candidatos num quadro em que se sabe não ser politicamente possível nem eleitoralmente favorável em vez da adopção de medidas com vista a uma mais decidida acção e empenhamento deste partido nestas eleições, só podem ser entendidos como um gesto de resignação e demissionismo do PS perante esta difícil e exigente batalha política como um acto destinado a justificar precipitada e antecipadamente uma possível vitória do candidato da direita.
3. Rejeitando apelos e atitudes que só podem tender para credibilizar Cavaco Silva, a candidatura de Jerónimo de Sousa reafirma não apenas a sua determinação em não desistir deste combate mas também a sua inteira confiança na possibilidade de derrotar a direita e o seu candidato.

A cassete de Cavaco

"Porque é que a nossa vizinha Espanha apresenta uma economia dinâmica e um crescimento que é cerca de 10% ao ano, enquanto Portugal apenas cresce 0,2%? Estão envolvidos na mesma conjuntura internacional que nós, não acredito que os espanhóis tenham mais capacidade que os portugueses."

O trabalho

Não sei se repararam nos cartazes nas estações do Metro convidando à inscrição de "colaboradores" para o Rock in Rio, essa estranha organização por detrás da qual, segundo a grande jornalista Kátia Rebarbado de Abreu, se perfila o vulto sombrio da Opus Dei. No cartaz figurava o convidado-tipo, um jovem ou uma jovem tendo em comum gostar pouco de trabalhar.
É sabido que a publicidade não apresenta tipos. Apresenta o que pretende influenciar como personagens-padrão. O que estas mensagens dizem é isto: jovens, já que a perspectiva do mundo tal como o vemos é não terem trabalho, o que vos resta é não gostar de trabalhar. Trabalhar cansa, nós estamos cá para vos entreter ao preço da chuva no intervalo do desemprego.
O trabalho é um direito constitucional, porque o trabalho é um elemento essencial de realização humana, de realização dos objectivos, capacidades e competências de cada um, de realização e desenvolvimento dos próprios objectivos da sociedade no seu conjunto. A política de direita vem condenando o país, e em particular os jovens, à frustração de todas as expectativas de realização pessoal. Sucesso não é enriquecer a explorar o trabalho alheio, como faz a gente de sucesso que aparece a abrilhantar a candidatura de Cavaco. Sucesso é realizar, com a força criadora do trabalho humano, objectivos pessoais e objectivos colectivos, seja nas áreas da produção de bens e serviços, seja nas áreas da cultura e da criação artística e científica.
A direita desvaloriza e exclui a força criadora do trabalho.
A candidatura de Jerónimo tem as suas próprias raízes nessa força criadora.

A emoção e a anedota

Numa cerimónia emocionante, a candidatura de Jerónimo de Sousa recebeu hoje o apoio de mais de 1300 antifascistas. Como o próprio Jerónimo referiu na sua intervenção, os nomes dessa lista somam mais de mil anos nas prisões fascistas. Não cederam. Não cedem. Continuam no seu posto. A cada batalha, outra se sucede.
Na mesma cerimónia foi particularmente lembrado Fernando Lopes-Graça, tão presente como sempre, símbolo exemplar da cultura enquanto resistência, e da resistência enquanto cultura.
Não foi um simples momento de campanha. Foi um momento de homenagem daquilo que em cada ser humano o torna mais do que um simples ser humano: o sentido de pertença ao caminho da história.
*
Uma jornalista de uma televisão deu a notícia: Jerónimo recebeu o apoio de resistentes ao antifascismo (!!!)

Cilindragem


Aziz Issá escreve o seguinte no blog SuperCavaco
Cavaco Silva vem melhorando o seu desempenho de debate para debate. Com Jerónimo de Sousa esteve descontraído e cilindrou-o.
É possível que Aziz tenha estado a ver as obras no Marqués. Eu cá assisti em que as simplificações de Cavaco eram seguidas pelo Jerónimo a desconstruí-las. A título de exemplo, Cavaco insistiu num ponto já feito por Mário Soares: a Concertação Social é um bem. Enquanto processo, a trazer à mesa os vários pareceiros sociais, tal poderá ser verdade. Mas claramente, o resutado da Concertação não é necessáriamente um bem, em particular quando o dito acordo existe entre o patronato, os seus serventuários (o governo) e uma central sindical com reduzida representatividade cuja função histórica tem sido branquear os avanços do patronato (a UGT). Quando a central sindical que representa a larga maioria dos trabalhadores (a CGTP-IN) não assina um acordo, ou ainda mais importante quando o acordo inclui medidas que claramente constituem um assaltos aos direitos dos trabalhadores, não existe um acordo, existe uma imposição. Tal é clarament um mal social.
[Jerónimo] ofereceu-lhe uma soberba oportunidade para enaltecer os feitos do seu governo no domínio social e desenvolver um discurso humanista e moderno, aproveitando pelo caminho para esvaziar as críticas dos restantes candidatos. Cavaco Silva demonstrou de forma clara que o desenvolvimento de politicas sociais depende do desenvolvimento económico.
Lembro-me de facto de Cavaco fazer esta afirmação perfeitamente vazia, que apenas com desenvolvimento económico podia haver melhoria das condições sociais. Ora bolas, isto é obvio. Sem criar valor, não há riqueza para distribuir. Mas que dizer de quando há acumulação de riqueza em apenas magras fracções da sociedade. Uma das divisões económicas é COMO induzir o desenvolvimento económico, se melhorando o consumo, aumentando os salários, ou incentivando o investimento, por exemplo flexibilizando o trabalho e aumentando a possibilidade de exploração. Cavaco demonstrou claramente que favorece esta última via.
As sondagens demonstram que Cavaco Silva consegue ir buscar votos ao eleitorado comunista. Com este debate agarrou essa parte que tem apetência para votar nele.
Imagino que Assiz entrou aquí no túnel do Marquês e começou a ver coisas imaginárias no escuro. Onde é que vai buscar esta ideia? Suponho que tenha sido à sondagem Aximage/
Correio da Manhã de 6 de Dez:
No caso de Cavaco defrontar Soares, apenas 41,6 por cento dos comunistas votaria no antigo Chefe de Estado. Se fosse Alegre a concorrer contra o antigo presidente do PPD/PSD, esse valor atingiria os 67,8 por cento. Não deixa, ainda, de ser curioso que, num duelo Cavaco-Soares, o candidato da Direita recolhia mais votos dos comunistas (48,2 por cento) que o candidato da Esquerda.
No mesmo artigo, acrescenta que na primeira volta Cavaco ia buscar 13,8% dos seus votos ao eleitorado da CDU. E também que 14,5% do eleitorado da CDU estava ainda indeciso. A sondagem baseia-se numa amostragem de 480 respostas a entrevistas telefónicas. Destes quantos terão sido da CDU ou comunistas? Não negando que hajam alguns comunistas cujo ódio ao Soares seja superior à rejeição de Cavaco como Presidente, não estejam a contar com o apoio dos comunistas na primeira volta. Os comunistas e os apoiantes da CDU têm um candidato.

Às vezes irrita

Alegre continua a ser acarinhado pela engrenagem. Ele é apoios, ele é os seus importantes testemunhos, ele é a simpatia que suscita nos blogues cavaquistas e nos abundantes comentadores cavaquistas (um tratou-o de simpático Capitão Haddock). Não sei de que raio é que o homem se queixa.
Mas o que é certo é que a queixa é um dos dois temas de campanha do poeta. O outro é o não me intimidam, eu sou um resistente, eu sou um lutador contra a ditadura, antes e depois do 25 de Abril, etc.
Mas o que me irrita às vezes é o eu estou onde sempre estive. Para um homem que mudou quase tantas vezes de partido como o seu amigo Prado Coelho, francamente...
Ainda por cima houve umas mudanças em que se foi embora com a mobília que não lhe pertencia, não é verdade?

A frase do dia

"(...) O cavaquismo instalou a promiscuidade entre os empresários e o poder político, a subsidiodependência, a mentalidade dos jobs for the boys, o enriquecimento sem causa e a obediência e subserviência como dever cívico."

Miguel Sousa Tavares - in O Público 16/12/2005

«Vira o disco e toca o mesmo»

A ler esta nota interessante n'O Eleito.


Ou querem que Cavaco vença ou não sabem fazer contas

António Vitorino, António Costa e Jorge Coelho apelaram ao voto em Mário Soares. Os três dirigentes socialistas lembraram a possibilidade da vitória de Cavaco se não houver a concentração de votos em Soares.

Os Coelhos na loja de loiças

A Direcção do PS, com Coelho à frente, entrou na campanha. Em meia dúzia de dias conseguiu fazer passar a sua área da divisão à balbúrdia, e fez mais por Cavaco do que o descrédito do Governo Sócrates já vinha fazendo. Não comprendendo a questão elementar de que, neste momento, o objectivo possível e necessário é impedir que Cavaco ganhe à primeira volta, vêm colocar a questão, neste momento absurda e inviável, de uma candidatura única anti-Cavaco à primeira volta.
Conseguiram a proeza de ter dois candidatos. Conseguiram a proeza de ter dois candidatos que dificultam, por razões diferentes, qualquer convergência. Um problema do PS é que, além de dar tiros nos próprios pés, também tende a dar tiros nos pés dos outros. Só que, neste caso, os outros, nomeadamente Jerónimo, não têm os pés a jeito.
A derrota da direita é possível. Este PS não ajuda, e torna a campanha mais difícil. Mas a necessidade de derrotar a candidatura da direita não é um simples objectivo de forças políticas. É um objectivo nacional e um objectivo popular que a candidatura de Jerónimo exprime. A balbúrdia e desorientação na direcção do PS não alteram o facto de que a maioria dos eleitores que se situam nessa área constituem um vasto potencial a mobilizar contra a direita. Com PS ou sem ele, ainda há muito caminho a fazer. A derrota de Cavaco continua a estar nas nossas mãos.

A declaração final

A declaração final de Louçã é um manifesto de pulhice política. Utilizar o nome de dois militantes comunistas numa intervenção final de um debate (que vinha preparada de casa), para apelar ao voto em si, é no mínimo, pulhice e falta de respeito pela sua memória. Louçã pretendeu "encostar-se" à memória de dois militantes comunistas que já morreram, parecendo fazer crer que se ainda estivessem vivos estariam com ele e não com Jerónimo. Isto demonstra que Louçã só foi ao lançamento do livro de João Amaral para ser visto e não porque tivesse muito respeito pela sua memória.
Jerónimo aí aproveitou para ganhar o debate. Não comentou o ataque primário e à saída dos estúdios disse que aquelas declarações seriam julgadas pelo povo.

Louçã e a China

Porque pensará Louçã que o assunto China é mais embaraçoso para Jerónimo do que para ele?
Talvez se Fernando Rosas lhe explicasse...

Judite-Zé Alberto

Os entrevistadores estiveram bem. Defenderam quem lhes paga. Assumiram-se e isso é sempre bom. Chegou a haver momentos em que parecia ser um debate entre Jerónimo e Louçã e os entrevistadores. Tudo teria corrido melhor se Judite não tivesse demonstrado tantas dificuldades em perceber aquilo que se lhe dizia.

Jerónimo-Louçã (genericamente)

Genericamente acho que o debate correu bem aos dois candidatos. Tinham como adversários os entrevistadores, defensores do capital, e isso ajudou a manter a conversa animada. Ao contrário do debate Soares-Alegre, ontem discutiram-se coisas com significado para o país e percebeu-se o que une e desune os dois candidatos. Louçã é muito claro quando fala; Jerónimo sabe do que fala.

No fim do debate

O candidato Louçã conseguiu um êxito. Conseguiu ser mais oportunista e reles do que os próprios exemplares Soares, Alegre e Cavaco. É obra.

A meio do debate

A meio do debate, não resisto a uma observação: Louçã e a sua organização julgam, ou fingem julgar, que há um anticomunismo de esquerda. Não há. É um terreno onde se juntam à direita, porque é um terreno da direita.
E já agora, é um pouco cruel a realização dividir o écran a meio, e pôr lado a lado a convicção e a energia de Jerónimo e o esgar sacristão de Louçã.

Um Portugal Serôdio

Debate entre o Prof. Cavaco Silva e o Dr. Jerónimo de Sousa realizado na SIC em 13 de Dezembro

É assim que na página do candidato Cavaco Silva se anuncia o debate com Jerónimo. Esta é a triste realidade de uma parte deste país, mesquinha e bacoca, que continua a ver com reverência a figura de um professor para lhe alumiar o país. Ao outro candidato, que noutras épocas seria preso, toca de se lhe dar o Dr. para, a bem do decoro, se parecer tolerante.

Mais engrenagem

Ao que parece, a coisa continua a não estar fácil para a engrenagem mediática.
Em vista disso, foi acrescentada mais uma peça na RTPN. Trata-se de um programa chamado "Choque ideológico", nem mais. Com a lata do costume (a lata é um elemento essencial da engrenagem) o programa é apresentado como um debate diário entre personalidades independentes. A independência dessas personalidades consiste em serem apoiantes de Cavaco (4), ou apoiantes de Soares, Alegre e Louçã (os restantes 6). As opiniões estão em conformidade com esta independência, a que se acrescenta a independência dos dois pivôs.
Acontece que, apesar de tudo isto, Jerónimo avança. Não é impressionante a obstinação deste povo em pensar pela sua própria cabeça?
*
Correcção: apoiantes de Cavaco - 5 ; apoiantes Soares/Alegre/Louçã - 5; apoiantes Jerónimo - 0

O melhor tónico para votar Alegre, Soares ou Cavaco

Não ver os debates em que participam.

Por compromissos vários ainda não consegui ver o debate Jerónimo/Cavaco. Talvez depois do fim de semana possa dizer alguma coisa sobre como correu...

O disco rígido

O robô Cavaco lá se submeteu a mais um "debate" (respira fundo, Cavaco. Já só faltam mais dois para regressares à oficina).
Não tem ideias. Não tem passado. Não se compromete. É qualquer coisa de completamente artificial e formatada. Nunca a expressão disco rígido teve uma aplicação tão expressiva.
Jerónimo é o contrário: acredita, combate, argumenta, tem passado e futuro. Convence com palavras e argumentos, e convence porque é um de nós e nos representa.
Jerónimo avança.
*
E já agora, que escrevo este post enquanto Alegre e Soares trocam os seus mesquinhos rancores mútuos na TVI, há uma pergunta a fazer a muito português que os esteja a ver. A pergunta é a das "sondagens": entre estes dois, qual escolhe?
A resposta é: entre estes dois escolho Jerónimo!

Quem favorece e o que desfavorece

Na snob tertúlia cavaquista, ficamos a saber que: «Os dois "pivots" da SIC têm sido, até agora, os mais fracos e simultaneamente os mais "alinhados" pelo "modelo" que Cavaco aprecia e que claramente o favorece.» - diz João Gonçalves. É sempre bom registar quem e o quê favorece quem.

Há ainda uma outra frase curiosa: «Como lhe competia, Jerónimo, candidato e líder do PC, falou mais "para trás" e Cavaco, naturalmente, falou mais "para a frente".» E daqui há uma ilacção a tirar: reforça-se a tal ideia repetida e que não constitui qualquer novidade. Ou seja, que a Cavaco e aos cavaquistas falar muito para trás transforma-se na incoveniência eleitoral de recordar ou reavivar memórias do tal "tenebroso" passado de erros e crises sociais que os conduziram a autênticas humilhações eleitorais. Também é bom registar o quê e quem desfavorece o quê.

Neste estratagema da direita o que é preciso, portanto, é "fugir" para a frente. E rápido antes que o povo acorde. Antes que os sindicatos da UGT se lembrem que também estiveram presentes nas manifestações do período crítico da governação de Cavaco Silva e seus pares. Antes que os portugueses se recordem de quem foi ou de quem foram os principais responsáveis pela crise em que vivemos. Fugir, fugir, e rápido, ousando mediatizar terminologias como "credibilidade", "confiança", "investimento", "concertação social" para tentar escapar-se a toda a pressa da responsabilidade evidente pela vigência actual dos antónimos das respectivas palavras.

Fugir, fugir...!

Nota breve

A RTP está de parabéns por transmitir em diferido, no mesmo dia mas mais tarde, n'A Dois, os debates realizados na estação pública de televisão. De facto é necessário e muito positivo criar uma alternativa aos horários fixados. É um exemplo a seguir pelos outros canais. Menos "companhias" e mais serviço público.

Jerónimo vs Cavaco (debate hoje à noite na SIC)


Não quero saber se o debate será ordeiro e civilizado; não quero saber se os dois candidatos se cumprimentarão; não quero saber se os candidatos respeitam as regras do debate. Jerónimo é o candidato em que vou votar e Cavaco é o candidato contra o qual sempre combati e combaterei.
Por isso, Jerónimo, hoje vais ter de nos dar voz.
Vais ter de dizer a Cavaco e aos grupos económicos que o suportam, que nós não nos esquecemos. Vais ter de lhes dizer que eles nunca foram conciliadores, nunca foram isentos e muito menos sérios e, só foram rigorosos em seu proveito. Vais ter de lhes dizer que nós não esquecemos a Manuel Pereira Roldão, a TAP, o Buzinão e as Propinas. Não esquecemos Dias Loureiro, Eurico de Melo, Couto dos Santos, Cardoso e Cunha e tantos outros.
Independentemente de se estar com um ou outro candidato (ou de não se estar com nenhum) é isso que o povo te pede. Que não esqueças e não te deixes levar por esta "cultura do decoro" que só quer impor o pensamento único sem alternativas.
Na curva do mundo nós sabemos qual é o nosso lado da trincheira!

Luta de Classes

O governo vai fechar três hospitais (S. José, Desterro e Capuchos) que estão no centro de Lisboa e que acolhem as mihares de pessoa (em geral de idade) que ali vivem. Só quem não vê as autênticas romarias de desgraça e pobreza, é que consegue ter esta ideia. Este tipo de decisão transforma um governo num bando de malfeitores, pactuantes com os interesses imobiliários que continuam a especular e a destruir o centro de Lisboa.
Podemos eleger para a Presidência da República alguém que esteja do nosso lado da barricada.

Os Coelhos e os cordeiros entraram na campanha

A campanha na área PS (onde, como se sabe, há dois candidatos e meio, sem ofensa para Louçã) entrou numa nova fase. Alegre, no seu tom pomposo do costume, diz que com a formalização da sua candidatura nada ficará como antes em Portugal. Soares diz que não vai falar de nenhum outro candidato, o que é sempre uma boa notícia para Cavaco. Admite-se que outros falarão.
Aqui entram em campanha os Coelhos do PS. O Coelho lisboeta viabiliza na CM um entendimento aprofundado com a direita. O Coelho nacional vem berrar que a candidatura de Cavaco é um lobo disfarçado de cordeiro, que fala ao coração do eleitorado PS para depois das eleições, se ganhasse, vir fazer guerra a este excelente governo Sócrates que todos temos.
Ou seja, a campanha entrou de facto numa nova fase, a da pior demagogia PS.
Porque se há coisa em que Cavaco tem falado verdade é que ele seria um bom presidente para este governo. A política de Sócrates é a etapa actual de uma estafeta em que o testemunho passa de Cavaco a Guterres, de Guterres a Durão, de Durão a Santana, de Santana a Sócrates, e se mantém igual, ou seja, de mal a pior. Cavaco na Presidência seria, não uma contrariedade para esta política, mas mais uma garantia de que ela seria implacavelmente prosseguida.
Coelho quer fingir que haveria incompatibilidade entre uma presidência Cavaco e um governo Sócrates. É mentira. Um e outro fazem parte do mesmo rumo de desastre que é necessário interromper.
E nestas eleições há um voto capaz de exprimir essas duas urgentes necessidades nacionais, a derrota da candidatura da direita e a derrota da política de direita.
É o voto em Jerónimo.

Cavaco e o poder local

A Assembleia Constituinte em 1975, construiu uma árvore de organização do estado que, genericamente, se mantém até hoje.
Ao poder local, constitucionalmente consagrado através das Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, foi-lhe dada a possibilidade de construir governos locais não-dependentes do poder central; eleito num acto próprio, financeiramente independente e com políticas definidas localmente. Mais próximos das populações em geral, entendia-se que os autarcas poderiam responder melhor às exigências locais das populações e envolver o povo (na altura dizia-se assim...), nas decisões estruturantes do sítio no qual vivia.
Mas a Cavaco essa coisa "do povo decidir" sempre lhe fez confusão e com a sua necessidade de secar quem lhe está à volta, em 1987 (DL 384-87 - Regime dos Contratos - Programa de Cooperação entre a Administração Central e Local) e 1988 (DL 363-88 - Condições de Concessão de Auxílio Financeiro às Autarquias Locais), fez aprovar na Assembleia da República um regime jurídico de financiamento das autarquias que as castrou da independência financeira necessária.
Ora estas leis não tolhendo directamente os direitos constitucionais, diminuiram substancialmente as verbas do Estado para as autarquias, instituindo um poder local totalmente dependente dos licenciamentos. De uma forma ainda mais clara, estas leis fizeram com que os elencos camarários sejam obrigados a promover os licenciamentos de novas construções para deste modo conseguirem pagar as despesas de funcionamento interno das Câmaras.
Foram estas leis de Cavaco, que construiram e continuam a construir o território nacional, mais do que qualquer regulamento, plano ou documento na área do Ordenamento do Território. A partir de 1988, na primeira vaga de Planos Director Municipal, constata-se que todos os concelhos têm espectativas de aumentar os seus índices de construção e, designadamente de habitação. Sucede o patético; os planos passam a prever um Portugal para 60 milhões de habitantes.
Cavaco não precisava de ter a maioria dos concelhos nas mãos, pois entregava-os às construtoras, imobiliárias e aos grandes grupos económicos.

Perguntas sem resposta (ou com resposta implícita?)

Hoje, Mário Soares visitou o mercado da Ajuda. Vi-o na televisão. E no meio da confusão de que se reveste sempre este tipo de visitas, o candidato (já formalizado?) interpelou ou foi interpelado (não me apercebi bem) por uma senhora que lhe disse: “Voto em si, voto… [fez-se um compasso de espera], mas tem de ser com uma metralhadora apontada à cabeça. Se este país está como está é graças a si! Eu não me esqueço do que você fez aos trabalhadores!”.

Incomodado, embora tentasse disfarçar, o chamado “animal político” pergunta: “Então e em quem é que a senhora vai votar?”.

Ela, sem se atrapalhar, responde: “Isso é comigo!”

O que pretendia Soares com a pergunta?

Considerar que as opiniões mais duras são, necessariamente, vindas de apoiantes de outros candidatos? Perante as câmaras de televisão desacreditar uma crítica só porque ela vem de alguém que já escolheu candidato? E desse modo, rotular a vozes do desagrado como vindas de emissários de outros candidatos? Caso contrário, de que lhe serviria a resposta? E onde é que o velho Soares guarda estas críticas? Debaixo do tapete? Na gaveta? No estômago?

Há dias, num debate com Jerónimo, este candidato fundador do PS, dizia de peito inchado que a sua candidatura era perfeitamente independente, que contava com o apoio do seu partido, mas que tinha sido decidida sem ele (já Cavaco tem dito a mesma coisa – os seus respectivos partidos estão de facto muito mal cotados. Só assim se justifica tanta ânsia de afirmação própria). Nem parecia o mesmo Soares que umas semanas antes criticou Cavaco pelo seu querer distanciar-se da imagem do político (como se o político, em ambos os casos, fosse indissociável dos partidos!), ou com o Soares que sugere que o outro candidato militante do PS entregue o cartão. Enfim, é como já tenho ouvido: Soares é muito coerente com a sua incoerência.

Como pode um homem andar, por um lado, a bater-se por ter uma imagem de unificador, de presidente-de-todos-e-para-todos, de homem que confia no seu povo, e depois, à primeira voz crítica, zás: “…em quem é que vai votar?”

Será que Soares não concebe vozes críticas independentes? Ou melhor: será que concebe vozes críticas?

…E depois os comunistas é que eram os tiranos totalitários…

Porque será que não ouvem?

Um homem de direita, mas inteligente (estou a falar de Adriano Moreira), escreveu uma vez uma frase lapidar: "o PCP é um partido que diz o que quer e faz o que diz".
Porque será que alguns jornalistas não são capazes de perceber isto? Por que será que, sendo afirmado, reafirmado e reafirmado que a candidatura de Jerónimo é para ir a votos, e que cabe ao povo decidir até onde quer que esta candidatura vá, não percebem? Não querem perceber? Que desenho é preciso fazer? Havemos de ter Jerónimo na 2ª volta e ainda haver jornalistas a perguntar se desiste?
Ou a questão é outra, e esses jornalistas o que fazem é traduzir o sonho recalcado dos seus patrões, de que não existissem nem a candidatura nem a força política que a dinamiza?
Mas há outros jornalistas. Entre eles quero destacar a grande jornalista Kátia Rebarbado de Abreu (que já nos visitou algumas vezes, e está aqui). A sua entrevista ao sr. prof. Cavaco pertence à linhagem do clássico de Philip Roth, Our Gang, Tricky Dixon and his friends.

Hoje, este senhor veio ver o Mais Livre!


Pelos registos do Sitemeter conseguimos, não só saber quantas pessoas nos visitam, mas também conhecer melhor quem nos visita.

Jerónimo avança

Nos útlimos dias Jerónimo escreveu bastante no seu blog. Aproveito para destacar este texto inserido à uma da manhã do dia do debate na RTP.

É impressão minha ou nenhum dos blogues de apoio a Soares fala do debate de ontem?

Super-Mário, Osoarix, Venham Mais Cinco ou Forum Sede

Pacheco Pereira às vezes até acerta

"À esquerda é o discurso de Alegre o mais parecido com o de Cavaco, havendo pontos muito próximos entre os dois. Por isso, a campanha de Alegre mede-se hoje pelo confronto não nomeado, mas central com Soares, e não pelo confronto com Cavaco."
in Abrupto

Jerónimo e a China

A determinada altura Judite lançou a eterna esparrela: "Então e a China?". Jerónimo respondeu bem, e não caiu num erro em que já caiu (ele e muitos camaradas) muitas vezes. Disse que não era nada daquilo que queríamos construir. E basta! A China não é o modelo para a construção de um país mais justo, livre e democrático, que queremos. Aliás nem noutras épocas o defendemos como tal.

O debate e Cavaco

Jerónimo foi o único candidato que falou de Cavaco, ao contrário do que se disse. Jerónimo falou no candidato que diz ter assinado "concertações sociais" apenas com a UGT e o patronato, concertações estas, que foram sempre na óptica da perda dos direitos dos trabalhadores.

As gaffes de Soares

Não foram graves, mas tiveram piada:
- "O direito constitucional à casa própria"
- "Partido Socialista ajudou a derrubar o meu Governo"
- "O eleitorado que o PCP tem na mão"

Jerónimo, quem tens na mão?

Jerónimo já o disse que, independentemente de quem passe à segunda volta (Jerónimo, Soares, Alegre ou Louçã), o PCP apoiará o candidato que possa derrotar a direita personificada por Cavaco (de notar é que o PS nunca o disse, nem sobre Alegre). Ora Soares sabe que o candidato em quem o eleitorado que tradicionalmente vota comunista terá mais dificuldade em votar é ele próprio.
Por isso, Soares utilizou uma estratégia de aproximação e procurou acentuar as convergências com o PCP. Trinta anos depois, Soares falou no 1º de Maio, em Álvaro Cunhal, e no eleitorado comunista, tudo em tom lisonjeiro. Mais meia hora de debate e Soares diria que queria voltar a ser comunista, mas em conversões de última hora já ninguém acredita... Só a imprensa cavaquista.

Soares - o terceiro candidato independente

Soares procurou não falar do governo (o que até é sensato) mas afirmou-se como uma candidatura que surge a pedido do secretário-geral do PS, contudo diz-se… independente.

Houve debate

Não terá sido o melhor debate entre candidatos, mas houve debate. Troca de ideias, acentuação de divergências e estratégias... Política!

O único candidato da verdadeira esquerda

Jerónimo de Sousa demonstrou ontem perante todos os portugueses, de uma forma clara, aberta, com convicção e com a já característica firmeza política, que as suas posições são, sem sombra de dúvidas, o verdadeiro garante da defesa dos valores da esquerda no nosso país.

Como se esperava a entrevista obrigou a que os candidatos se debruçassem mais sobre questões governamentais do que propriamente sobre os temas que deveriam estar em cima da mesa. E esperava-se porque tal como havia já acontecido no programa "Grande Entrevista" de Judite de Sousa a Jerónimo, a estratégia de questões e temas a levantar por parte da RTP falhou redondamente.

Contrariamente à "concertação" sem diferenças de fundo que caracterizou o "não debate" de Alegre/Cavaco, neste outro foi muito clara a diferença de posições entre um candidato cujas preocupações se centram na defesa dos que menos têm e dos que menos podem e um candidato que é, acima de tudo, adepto de uma política de convergência com os interesses da União Europeia e que por isso mesmo secundariza os interesses singulares do nosso país e do nosso povo.

O slogan truncado

Cavaco tem um novo cartaz. A fotografia, insuperávelmente foleira, tem certamente a assinatura do autor do portfólio de Marco Paulo. O slogan, como era muito extenso, ficou truncado. Só ficou a primeira parte, que diz sei que Portugal pode ganhar. A frase completa, lamentavelmente empobrecida, é: sei que Portugal pode ganhar, por isso me candidato para lhe cortar as vazas.
Não era um exemplo para nós todos esta honestidade franca, infelizmente truncada por um publicitário qualquer?

Independência Nacional e a UE

Cavaco gaba-se de ser sido "protagonista activo no processo que conduziu à aceleração da construção europeia", incluindo "a adesão do escudo ao Sistema Monetário Europeu". Recentemente, tivemos um exemplo muito ilustrativo do significado da capitulação da nossa soberania monetária. Refiro-me claro à decisão do governador do Banco Central Europeu, Sr. Trichet, em subir em 0.25% as taxas de juro na Zona Euro, para 2.25%. O Governador do Banco de Portugal, Vítor Constância, garante que esta subida não irá prejudicar a retoma da nossa economia. Mas a verdade é esta medida não vem ao encontro das necessidades de recuperação especificamente Portuguesas. É uma resposta de um orgão central não eleito, funcionando numa visão particular da economia europeia, sem grande preocupação pelas consequências sobre as economias como a Portuguesa. O efeito desta medida vai sentir-se desde já nas prestações dos créditos de habitação. As famílias portuguesas estão crescentemente endividadas, gastando em média 116% do que ganham, em boa parte devido ao crédito immobiliário.
Não quero com isto discutir a medida em particular de aumentar a taxa de juros, mas sublinhar que tal teve lugar longe de Portugal, e sem um papel interveniente de representantes por nós eleitos numa decisão que pode ter sobre a nossa economia efeitos profundos.
Se há um elemento que claramente divide os 5 candidatos presidênciais é a sua posição face à União Europeia. Certo que existem vários que são críticos a aspectos parcelares (como a constituição europeia). Mas só Jerónimo de Sousa rejeita claramente o processo federalista, de entrega de elementos fundamentais da nossa soberania a estruturas supranacionais anti-democráticas e denominadas pelas elites económicas e financeiras europeias. Uma União Europeia deve respeitar a soberania das nações integrantes. Não é esse um dos aspectos implícitos no cargo de Presidente, como "
garante a independência nacional"?

E o candidato ideal do PCTP-MRPP é:




Ler aqui.

Provérbios

Hoje os acontecimentos do dia estão para provérbios. Lá vai:
1- Diz-me quem apoias, dir-te-ei quem és
2- Diz-me quem te apoia, dir-te-ei quem és
3- Diz-me como te apoiam, dir-te-ei quem és.
Os media (mesmo estes que temos) ensinam muito, para quem os saiba ler.
E já agora, a única esperança que Alegre transporta é um anti-provérbio: é a esperança de que águas passadas movam moinhos.

É tudo uma questão de tirar o sono...

Quem o ouviu... e quem o !

Sectarismos independentes

Os super blogs, não-autistas (porque o do professor vegeta numa angustiante agonia), reagiram à minha modesta provocação de ontem. O Super-Mário colocou-nos nos links e prepara-se para a troca de ideias e debate, ao invés o Super Alegre discorre, aliás mais uma vez, uma série de lugares comuns sobre o Mais Livre, o Jerónimo e o PCP.
O Alex retira do contexto as coisas que dizemos e analisa-nos pessoalmente o que nos é profundamente irrelevante, pois não estamos uma lógica de promoção pessoal ou de aspiração a algo mais. Quem nos conhece é quem melhor sabe quem somos.
Contudo interessa-me voltar a escrever duas coisas:
Notar que o Mais Livre continua a ter ligações para todas as candidaturas, porque nos interessa ver e ouvir o que os outros escrevem e porque consideramos que nesta coisa dos blogues o mais importante é comunicar, com todos. Actualmente temos ligações para blogues que apoiam outras candidaturas, e as outros candidaturas têm ligações para este blogue. Lamentável é que existindo tantos blogues de apoio à candidatura de Manuel Alegre, haja apenas um blogue, o ALEGRE PRESIDENTE, que respeita a lógica dos blogues, que não aplicando velhas tradições sectárias e próprias dos piores aparelhos partidários, faz uma ligação para a nossa página.
Aquilo que disse sobre o debate Cavaco-Alegre, e reafirmo, é que me angustiou que Alegre tivesse deixado Cavaco ir tão longe na hipocrisia e na ocultação do seu passado enquanto primeiro-ministro, contribuindo assim para o processo de ocultação da história em curso. Caríssimo Alex, naquele debate senti que me faltou a voz.

O PS no seu melhor

Segundo consta, o PS prepara mais uma negociata com a direita, como de costume contra a esquerda. Desta vez é a Presidência da Junta Metropolitana de Lisboa.
Esta presidência tem sido sempre atribuída à força política com maior número de presidências de câmara. Acontece que o povo da região quis que a CDU fosse essa força, elegendo-a maioria em oito Câmaras. Sendo o PS o que é, este facto muda a regra anterior e, portanto, vá de negociar com o PSD outra alternativa, que dará (dará?) ao PSD -que preside a três Câmaras- a presidência da Junta Metropolitana.
São favores e negociatas destas, mais do que todos os apoios que tem do grande capital, que constituem o grande trunfo de Cavaco: a ausência de credibilidade, política, ética e até democrática da linha política dirigente do PS. Não são alternativa a nada.
E todos os dias confirmam que a saída necessária, a derrota de Cavaco e a ruptura com esta política e esta prática residem, na batalha actual, no voto em Jerónimo.

João Amaral (1943-2003)

Hoje às 18.00h é lançado na Câmara Municipal de Lisboa um livro organizado por Luísa Gueifão Ferreira, de tributo e homenagem ao João Amaral (1943-2003).
Aqui no Mais Livre, não tem sido prática escrever sobre outras matérias que não as eleições presidências, mas não posso deixar passar em claro o evento e de me associar a esta homenagem ao camarada João Amaral. Muitas vezes não concordei com o João Amaral, noutras concordei. Todos conhecíamos as suas dúvidas relativamente ao rumo que o PCP estava a tomar e que eram também as minhas.
Soube algum tempo antes de morrer, que estaria com uma doença muito grave e que, como tal, teria informado o partido da sua indisponibilidade para continuar como deputado. Mas independentemente do que os opinion makers(ver aqui) pretendem fazer crer, João Amaral escolheu morrer comunista e militante do PCP.

Propaganda explícita

Título da Notícia: Cavaco Silva recebe apoio de ex-PCP Veiga de Oliveira.

Subtítulo: Veiga de Oliveira, ex-deputado do PCP, ministro do IV governo provisório de Vasco Gonçalves e militante do PS, vai apoiar a candidatura de Cavaco Silva a Presidente da República, anunciou hoje o gabinete do candidato.

Note-se bem que o dito cujo é actualmente militante do PS, mas o que importa é que é um ex-PCP... tirem as vossas conclusões porque isto é demasiado explícito para me merecer qualquer reparo! Ver artigo completo

Em ambiente natalício...

Entre acreditar que "Cavaco Silva, seus pares, seus esteios empresariais e seus compinchas partidários querem de facto servir todos os portugueses", e acreditar na "existência do Pai Natal"... meus amigos... até parece que já estou a ouvir um "OH, OH, OH" na minha chaminé.

Sondagem Aximage

Mais uma sondagem que pode ser vista aqui.
Três razões, muito pessoais, para não acreditar em sondagens:
1. Durante muito tempo não tive telefone fixo em casa, tal como uma grande maioria da minha geração.
2. Mesmo depois de ter telefone fixo, estou pouco tempo em casa para receber a chamada das sondagens, tal como uma grande maioria da minha geração.
3. Quando tinha telefone fixo e me conseguiam apanhar em casa, perguntando se tinha cinco minutos para responder a uma sondagem (em geral Marktest), a resposta foi sempre a mesma: NÃO!

PS - contudo reconheço que as sondagens dão indicações e sentido de deslocação de voto, das pessoas que estão muito em casa e têm telefone fixo.

Alegre segunda volta

O Manuel Alegre, num almoço em Guimarães apelou aos militantes do partidos de esquerda que escolhessem os valores do 25 de Abril. E como na maioria das sondagens ele está melhor posicionado para derrotar Cavaco Silva na segunda volta, acrescentou, não seria aceitável que ele não passasse à segunda volta devido «ao egoísmo de uma parte da esquerda».

Sendo de louvar que Alegre re-lembre e até reclame os valores de Abril, não esteja ele a pensar que é o único candidato que o tem feito ou tem legitimidade para o fazer.

Mas curiosa é também a afirmação sobre o 'egoismo da esquerda'. Suponho que tal se refere à existência de vários candidatos de esquerda eventualmente conduzirem à eleição de Cavaco na primeira volta. Este equívoco já o tenho ouvido demasiado.
O Cavaco tem o seu eleitorado assegurado. O que poderá decidir a existência de uma segunda volta é a mobilização do voto de esquerda. Quanto mais votos forem assegurados contra Cavaco, menor será a sua maioria. Isto é matemático. Ora, não seria com um único candidato do PS
na primeira volta, fosse ele Soares ou Alegre, que se lograria mobilizar a esquerda senso lato. Para tal fazem falta candidatos que tenham como objectivo primoridal a derrota da direita e do Cavaco, e não estejam com preocupações de parecer moderado e agradável para todos. Faz falta quem perca noites de sono ao imaginar a vitória das forças por detrás de Cavaco. Se não se chamar à atenção, recordar, o perigo que representa Cavaco, então podiamos estar certos que não seria o carisma do candidato do PS que iria derrotar Cavaco. O Alegre que se preocupe em como ganhar, caso chegue à segunda volta. Pois se lá chegar, será em parte porque outros candidatos de esquerda, quais lebres no atletismo, ajudaram a que houvesse a segunda volta.

O Cacete de Ivan Nunes

No Super-Mário, Ivan Nunes escreve mais um texto sobre Jerónimo.
Diz Ivan que "No contexto das presentes eleições, é difícil não ter simpatia pela candidatura de Jerónimo de Sousa", "um candidato que não confunde as escolhas essenciais, que lá cumpre a função panfletária de divulgar a mensagem do seu partido e de mobilizar os militantes". Depois o Ivan, lá vai discorrendo sobre a performance de Jerónimo na entrevista de Judite, diz que não meteu a cassete (enuncia que a deveria ter metido) e que por outro lado "o secretário-geral do PCP não disse uma; nem sequer a visão do PCP sobre a situação do país ficou esclarecida" - como se dúvidas houvesse...
Concordo, e já o fui dizendo, que a entrevista de Judite teve poucos resultados. Sobre Judite de Sousa já falei, mas julgo que Jerónimo, exactamente para contrariar a tese da cassete, procurou ir respondendo sempre às perguntas que lhe foram feitas. Aliás é curioso que Jerónimo, a determinada altura do debate, para responder a uma questão, pede desculpa, diz que antes quer dizer outra coisa, e que irá responder à pergunta de seguida. Esta forma de proceder, indubitavelmente diferente da de Álvaro ou de Carvalhas, revela que estamos em presença de outra pessoa que não os anteriores Secretários Gerais do PCP.
Como resultado, as entrevistas passam a depender mais do entrevistador e do interesse das perguntas que põe - para o bem e para o mal.

ALEGRE, non ti lasciare dare lezioni di cittadinanza è di giustizia!


Alegre ao centro procurava fazer um discurso de estado, e foi apanhado em contra-mão. Cavaco guinava à esquerda e falava nos desempregados (que não estão na sua Comissão de Honra).
Nanni Moretti em "Aprile", para além de ter uma célebre exclamação ao ver o debate Berlusconi-D'Alema ("D'Alema, dice qualcosa di sinistra!") continua num crescendo menos célebre, mas igualmente forte, "Diz qualquer coisa, não te deixes dar lições de cidadania, nem de justiça!". Na noite de ontem faltou-me a voz que, independentemente de tudo, esperava ter em Alegre. Bem sei, que em tempos de campanha, a estratégia política se sobrepõe ao ideal, mas dei por mim a reinventar a cena de "Aprile": - Ele mente! Diz qualquer coisa Alegre, é uma farsa! Desmente, não lhe deixes dar-te lições de cidadania nem de justiça. Ataca, diz alguma coisa, desmente-o recorda-nos, recorda-nos a todos Alegre. Não Alegre, não durmas descansado.

O "não debate"

Depois do que se viu ontem entre Cavaco Silva e Manuel Alegre, é caso para dizer que é "muito mais aquilo o que os une, do que aquilo que os separa." Já todos ficamos a saber o que não é a tal "esquerda folclórica"... Ela é nada mais nada menos do que a direita dissimulada!


Começou a concertação "social".

Hoje há debate

Hoje há debate entre Cavaco e Alegre, os dois candidatos "independentes". Um fala de menos, o outro fala demais. Os dois têm passado, mas não gostam que se saiba.
Vamos ver o que é que dá.

Ainda a entrevista de Judite

No seguimento da opinião que emiti sobre a entrevista de Judite de Sousa a Jerónimo, escreve Bruno Gonçalves que enuncio um eventual despedimento da entrevistadora. Olhe que não Sr. Dr... Olhe que não! Conhecido por fazer essas manobras de influência junto da comunicação social, do despedimento à promoção (quem não se lembra de Maria Elisa), é Cavaco e o PSD. Recorda-se disto?

Insultos e opiniões

Escrevo sobre o comentário a que o Tiago se refere num post anterior.
Um comentário sintomático, reflectindo um estado de espírito que Jerónimo já tem várias vezes lembrado. O BE, habituado às lisonjas dos jornalistas e à alta opinião que os seus dirigentes fazem de si próprios, não suporta a crítica. A resposta a uma crítica com um insulto é um péssimo sintoma do pior sectarismo.
Nós não enveredamos nem enveredaremos por aí. Nem no Mais Livre nem noutros lados. Nesta campanha, como na nossa luta de sempre, debatemos políticamente com todos, combatemos sem descanso os verdadeiros adversários.
Para os que gostem de falar de utopia (não é o meu caso), convém aprender a estabelecer a diferença entre utopia e miopia.

Links IV ou Outro post absolutamente sectário

Obrigado ao Causa Nossa e aos Super (Alegre, Cavaco e Soares) por nos continuarem a ignorar.

Um post absolutamente sectário

Num comentário anónimo, escrito sobre o post intitulado "A escolha de Louçã", fui acusado de desempenhar o papel dos habituais cães-de-fila dos comunistas e de ter iniciado a deriva sectária do Mais Livre. Por isso escrevo este post para não defraudar o leitor.
Este post é sobre tudo o que o leitor sempre esperou ler neste blogue. Escrevo que Soares é velho e preguiçoso, que Louçã é um perigoso esquerdista aburguesado e que Alegre é pateta. Faço estas afirmações, com as quais não concordo e não sendo mais do que palavras vãs sem qualquer significado porque só pretendem denegrir as pessoas em causa porque, no fundo, é este tipo de afirmações que dão notícia. Escrevo-as para satisfazer aquela "velha esquerda" que sempre preferiu disparar sobre o vizinho ajudando a construir as maiorias absolutas do adversário.

O inimigo principal

Os órgãos de informação ficaram muito surpreendidos com a revelação de que o PCP encarou a possibilidade de uma candidatura presidencial da área à esquerda do PSD. Só quem desconheça a forma de actuar do PCP pode ser surpreendido.
E só quem desconheça a forma de actuar de outras forças que se afirmam à esquerda poderá ficar surpreendido com a impossibilidade de essa perspectiva se ter concretizado. Nem o hegemonismo do PS, nem a obsessão bloquista com a sua própria afirmação deixavam margem para outra coisa.
A burguesia já foi em tempos uma força revolucionária, antes de a grande burguesia se organizar em classe dominante e se tornar uma força opressora e contra-revolucionária. Desses tempos guardou na memória genética a capacidade de definir o inimigo principal e de agir em função disso. A revolução portuguesa é um compêndio prático dessa actuação: em cada momento os quadros da contra-revolução trataram de estabelecer todas as alianças possíveis contra as forças progressistas. Hoje que se evoca a personalidade de Sá Carneiro é de lembrar a sua infatigável acção e conspiração contra a Revolução e o Portugal de Abril, e a sua capacidade de se entender com o PS e Mário Soares (e com Manuel Alegre, que tem muito a contar sobre as conspirações com Spínola...) nessa base. Já do lado de várias das forças democráticas civis e militares essa capacidade não existiu, com os resultados que se sabem.
Também nestas eleições presidenciais a lição tem que ser lembrada.
Nenhuma força democrática deveria ignorar o inimigo principal. Mas a desorientação é óbvia. Soares ataca Cavaco, é certo. Mas ataca a pessoa de Cavaco, ignorando o essencial, que é quem o apoia e promove, e quem se serviria do órgão de soberania que ele viesse a ocupar como plataforma para a liquidação definitiva do regime democrático tal com a constituição de 1976 o define.
Alegre diz umas coisas acerca de Cavaco. Mas o seu objectivo transparente é ajustar contas com o seu próprio partido, que primeiro lhe fez a desconsideração de não o eleger Secretário-Geral, e depois lhe fez a desconsideração de não o candidatar nestas eleições.
Louçã faz umas rábulas sobre Cavaco, mas o essencial da sua campanha é expor a retalho as linhas programáticas de governo do BE, para mostrar ao PS que está em condições de compartilhar essa tarefa.
Entretanto a candidatura de Cavaco vai fazendo o seu caminho.
Para uma força de esquerda digna desse nome só vale a pena identificar o inimigo principal enquanto é tempo de o derrotar.
Depois, já é tarde.

Algumas perguntas que ficaram por fazer:

- Em que medida é que a sua ideia de Pátria e de Estado-Nação difere da de Manuel Alegre?
- Como se compatibiliza a ideia de Estado-Nação com o Internacionalismo defendido pelo movimento comunista internacional?
- De que forma concreta, pode o Presidente da República defender os direitos sociais dos trabalhadores?
- Em que medida defende que a sua candidatura é de ruptura?
- Se passar à segunda volta, pensa contar com o apoio do Secretário Geral do PS?

A entrevista de Judite

A entrevista de Judite de Sousas a Jerónimo, ao contrário do que pretendeu fazer crer, não trouxe nada de novo no debate presidêncial. Não porque Jerónimo estivesse pouco disponível para responder mas porque nos parcos trinta minutos, a entrevistadora só quis que o candidato falasse sobre as tricas do passado que, neste momento, não têm qualquer interesse para o país. Se há tantos opinion makers, que argumentam que estes candidatos são do passado, então eu diria que nesta campanha o que se demonstra, é que chegou a hora de substituir os entrevistadores.

O tal apoio que Jerónimo não tem...

Depois de mais de 20 minutos a questionar Jerónimo de Sousa sobre o PS e seus candidatos, quase como que a forçar uma resposta para justificar "manchetes", Judite Sousa saíu-se com uma afirmação mais ou menos nestes termos:

Judite de Sousa: Houveram vários apoios de militantes do PCP a outros candidatos...

Jerónimo de Sousa: (com admiração) Quem, desculpe...

Judite: Tenho aqui nos meus apontamentos o ex-presidente da Câmara Municipal de Beja...

(Jerónimo de Sousa franziu o sobrolho, mas não a interrompeu na leitura das notas)

Judite: O presidente da Junta de (...) no concelho de (...) disse que apoiaria Manuel Alegre..

(Jerónimo sorria ao ouvir Judite de Sousa....)

Perante isto todos os apoiantes desta candidatura ficaram a saber que Jerónimo de Sousa está na iminência de sofrer uma pesada derrota eleitoral por não ter o apoio de um... presidente de Junta de não-sei-onde, no concelho de não-sei-quê.

Portugal no Afeganistão

Regressaram ontem 37 militares Portuguêses destacados no Afeganistão. Ainda lá permanecem 157. Entre os candidatos presidenciais, todos manifestaram pesar pela morte do Sargento Pereira, a 18 de Novembro. Mas de entre os candidatos, apenas o Jerónimo se manifestou abertamente contra a integração de Portugal na Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF), comandada pela NATO. (Aliás, seria legítmo perguntar porque esta aliança de segurança está em operações fora do território dos seus membros, quando o Afeganistão não atacou nenhum deles.)
«Não é tempo de falar do repensar da missão, mas apenas de se associar à dor dos familiares», afirmou Cavaco Silva. Mas é precisamente esta a altura para repensar a missão. Temos novo governo e vamos eleger o próximo Presidente da República e Chefe Supremo das Forças Armadas. Como defensor da Constituição, o PR terá também de defender o Artº7, ponto 2:
Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.
O Manuel Alegre limitou-se a afirmar que «as missões das Forças Armadas devem ser feitas no quadro do direito internacional segundo a carta das Nações Unidas e respeitando os princípios consagrados na constituição portuguesa». (Vejam acima e tirem as vossas conclusões.)
Soares admite que nunca gostou que as tropas fossem para o Afeganistão «mas nós tínhamos essa obrigação porque a guerra no Afeganistão foi feita com o aval da Nato, a que nós pertencemos» mas a saída de Portugal deve ser debatida a nível nacional.
Francisco Louça, ainda que afirmando que a missão portuguesa no Afeganistão "é injustificada e injustificável", também remete qualquer decisão sobre a retirada para "uma discussão [n]o dia de amanhã sobre o futuro das miss ões militares portuguesas."
O Jerónimo, porém, exige correctamente o regresso dos militares. Já. As tropas estão lá agora. A nossa presença no Afeganistão é desnecessária, servindo apenas como demostração da nossa submissão aos designíos imperiais dos EUA, e é contraria aos nossos valores constitucionais. Pela nossa soberania, e pela do próprio Afeganistão, devemos sair já.

A vez de Jerónimo

Hoje, às 21h, na RTP1, entrevista a Jerónimo de Sousa.

É por isto que precisamos Dele?


"As razões para apoiar a candidatura presidencial do Professor Cavaco Silva têm a ver, não com o candidato, não com a situação política ou com as conveniências eleitorais, mas com o País. É porque o País não pode perder mais tempo com modelos sociais obsoletos, com mitos ideológicos ou embirrações pessoais e políticas que é urgente escolher um candidato que não se dedique a essas coisas, mas conheça os nossos problemas e saiba como confrontá-los."
João Luís César das Neves

Neste pequeno texto demonstra-se o que Cavaco e os seus seguidores querem fazer na Presidência da República - um governo de ataque aos direitos sociais. É por isso que precisamos de estar todos contra Eles!

A frase mais esclarecedora desta campanha

Quem é Cavaco Silva?

É o candidato do PSD e do CDS, agora enfeitado de bandeiras nacionais.
Jerónimo de Sousa

A escolha de Louçã

Como nota prévia devo dizer que sempre considerei Francisco Louçã.
Normalmente o seu discurso é bem construído, coerente e inteligente, gosto de ler aquilo que escreve e reconheço-lhe uma carreira académica relevante (ao contrário da carreira académica de Cavaco).
Como segunda nota prévia devo dizer que fui dos que pensaram que com o surgimento do Bloco de Esquerda, e quando o discurso ainda era de abertura e não sectário, acreditaram que podia ser um projecto de fundo que significasse uma definitiva e necessária transformação social e de representação política.
Contudo foi já sem ilusões que acompanhei a entrevista de Francisco Louçã à Judite de Sousa.
Louçã actualmente posiciona-se claramente no centro do eleitorado do PS e, é para esse eleitorado que fala. Gente pouco politizada que se diz de esquerda e que gosta de ouvir alguém de esquerda dizer que se devia pagar menos impostos. É só para estas pessoas que o candidato do Bloco fala querendo demonstrar que poderá defender os seus interesses, melhor que Alegre e Soares e "dentro do quadro institucional". Louçã não fala de Jerónimo porque não é para o eleitorado do PCP que aponta, aliás bem mais interclassista que o de Louçã. Francisco Louçã já não toleraria hoje o Não lhe dês Cavaco porque já não quer ser a ovelha negra.
Não acredito, considerando Louçã como considero, que este não seja um discurso absolutamente pensado e com um sentido político. Desta forma o que Louçã torna mais claro nestas eleições, é que o BE tem um discurso de poder a qualquer preço e que a unidade e abertura que o BE procura é com o PS.

“Morre-se de fome no Alentejo. Ainda vota Cavaco?”

“Morre-se de fome no Alentejo. Ainda vota Cavaco?” dizia um mural que esteve durante anos pintado na estação de comboios da Damaia. Via-o todos os dias quando ia para a faculdade. Todas as manhãs e sempre que o comboio parava ali eu olhava a cara das pessoas para ver se reagiam como eu. Mas eram rostos insondáveis. Em silêncio prosseguiam a viagem rumo aos seus postos de trabalho.

Deixaram de votar Cavaco e com as obras na estação o mural também deixou de existir. De tempos a tempos lá se ouvia o homem que nunca-se-enganava-e-raramente-tinha-dúvidas dando professorais opiniões sobre o estado da economia nacional. Mas eram aparições pontuais. A poeira deveria assentar.

A dada altura apareceu à frente de uma onda, de olhos esbugalhados, demasiado assustador para uma época natalícia, e foi candidato, pela primeira vez, à presidência da República. Mas foi muito cedo (1996). Os portugueses ainda não tinham esquecido, entre muitas outras coisas, que durante o cavaquismo morreu gente à fome no Alentejo. A memória dessa política ainda estava muito viva. Mais não fosse, aquela frase ainda estava lá para lembrar.

A poeira finalmente assentou. Pelo menos aquela poeira. Outras se seguiram: a poeira Guterres, a poeira Durão, a poeira Sócrates. O tempo passou e as pessoas, talvez porque estivessem demasiado ocupadas a tossir e a limpar os olhos, esqueceram Cavaco. Sobretudo esqueceram o cavaquismo. Lá diz o velho cliché: “não há nada que o tempo não cure”.

Uma das consequências da acentuada bipolarização PS/PSD, da manipulação e desinformação trabalhadas pela comunicação social dominante é a subversão do sistema eleitoral e, com ela, parte da adulteração da própria democracia. Grande parte portugueses há muito que deixou de usar o seu voto como instrumento de escolha. Passaram, isso sim, a votar ao ostracismo, isto é, votam PS para penalizar PSD, votam PSD para penalizar PS. Em última análise, o serviço que esses “órgãos de informação” prestam ao despotismo capitalista é enorme; semeiam o ódio à política, criam mitos e mentiras, arrasam com a faculdade de análise crítica e conduzem assim muita gente à incapacidade de sonhar, desejar, acreditar e trabalhar um Portugal diferente e melhor. No entanto, esta gente sente na pele o resultado de políticas nefastas e muitas vezes desumanas e sabe, desse modo, identificar o que não quer. Assim, O voto em Guterres foi um voto contra Cavaco. O voto em Durão foi um voto contra Guterres. O voto em Sócrates foi um voto contra Durão e Santana.

Entretanto, e tal como na antiga Grécia, o ostracismo dura dez anos, tempo suficiente, nesta sociedade em que cada vez mais a memória morre nos livros, jornais arquivados e ficheiros perdidos, para que o castigado limpe a sua imagem e volte como Messias. Um Messias que tem sido cantado e ovacionado pelos grandes empresários de Portugal, que passará a mão pela cabeça de Sócrates e zelará pela política de destruição das conquistas e valores do 25 de Abril.

Em 2004, durante o governo de Durão Barroso, no qual a ministra das Finanças, era a odiada Manuela Ferreira Leite, e que é importante lembrar; uma fiel e admiradora de Cavaco Silva, foram divulgados os seguintes números sobre a pobreza em Portugal: 2 milhões de pobres e, desses, 200 mil pessoas a passar fome.

Tenho pensado voltar à Damaia e reescrever na parede da estação: “morre-se de fome no Alentejo. Ainda vota Cavaco?” e acrescentar: “2005 – 200 mil portugueses a passar fome. Vai voltar a votar Cavaco?”

Portugal (não) precisa de si...

Sr. Ex-Primeiro Ministro,

Atendendo a que os meus olhos esbarram diariamente contra o seu slogan e depreendendo por isso que essa sua frase de campanha também se dirige a mim, quero desde já agradecer toda a atenção prestada à minha simples e humilde condição social e respeito pelo meu contributo laboral e académico ao nosso país. Ainda bem que o senhor parece saber que os portugueses "comuns" fazem falta a Portugal.

Com muita sinceridade afirmo que durante a sua governação eu não imaginaria que, anos mais tarde, este slogan fosse sequer possível ou realizável. E não imaginaria tão somente porque a dada altura dos seus infelizes mandatos, cheguei a temer que a primeira palavra do slogan pura e simplesmente deixasse de existir. Ou ainda que face à catadupla de concessões de obras públicas a "certos e determinados" agentes económicos, já não fosse "preciso" esse "Si" para coisa nenhuma que não para pagamento de impostos ou para colocação de uma cruz que lhe permitisse a sua recondução.

De qualquer das formas e se acha que "Portugal precisa de mim", olhe, o mesmo não digo eu de "Si" (esta do "S" maiúsculo também tem a sua graça.). Para mim o senhor não só não é preciso como também não é necessário o seu aparecimento em público nos próximos 10 anos. Faça com que a história se repita (como muitos advogam poder vir a acontecer) e mantenha a mesma atitude "silenciosamente bela" com a qual se pautou desde a sua última e esmagadora derrota eleitoral. Só tem de se imitar a si próprio. Pode crer que Portugal precisa tanto dos portugueses, como do seu silêncio. Por muitos e bons anos.

Onde andam entretidos os boys?

A concelhia de Lisboa do PS vai retirar a confiança política a Manuel Maria Carrilho, o seu candidato derrotado nas eleições autárquicas de Outubro e também ao vereador Nuno Gaioso Ribeiro. A decisão foi comunicada pelo vereador socialista Dias Baptista, também vice-presidente do PS/Lisboa, e foi tomada porque a concelhia «considera inaceitável» que estes dois vereadores socialistas tenham «subscrito uma proposta em conjunto com o PCP sem comunicar tal acto previamente». Em causa está a proposta subscrita por Carrilho e Gaioso com os vereadores comunistas Ruben de Carvalho e Rita Magrinho, para que se inicie com urgência o processo de aprovação do Plano de Urbanização para o Vale de Santo António, «definindo os respectivos prazos de execução e os termos de referência».

MP3?

É hoje apresentado, pela candidatura de Soares, o movimento MP3. Uma página dos jovens da candidatura, com um look muito contemporâneo, mas com um site sem qualquer tipo de inter-actividade.
De facto nesta coisa da internet, e sobretudo nos blogues, não se aplica a lógica partidária de difusão de um sentido único. Torna-se impossível esconder os outros e o melhor é argumentar, porque senão ficamos a falar sózinhos. A inter-actividade é um critério muito mais contemporâneo que a forma ou o look, por isso aqui no Mais Livre publicamos os links dos blogues das outras candidaturas e aceitamos todos os comentários sem os "moderarmos".

Sindicalistas II

Dias atrás, a imprensa fazia grande questão de assinalar o apoio de 743 sindicalistas à candidatura de Cavaco Silva (o número vinha mesmo com grande precisão no título da notícia do DN). Entre os sindicalistas incluem-se João Dias da Silva, presidente da UGT, o que diz volumes sobre o compromisso desta central sindical com o capital e a sua falta de empenho em verdadeiramente confrontá-lo na luta pelos direitos laborais. Dias da Silva afirmou que «desde que o antigo primeiro-ministro deixou São Bento que não houve "um crescimento significativo" e que o movimento reconhece no candidato os valores da "confiança" e da "estabilidade"». Sinto arrepios quando quem quer que seja considera estabilidade um valor. Sendo certo que favorece um clima de investimento, também é certo que a estabilidade era também um valor defendido pelo regime fascista, durante o qual tivemos uma estabilidade de 48 anos. Podia também Dias da Silva perguntar-se se a falta de crescimento significativo desde Cavaco não estará relacionado com a destruição do sistema productivo nacional e as privatizações inciadas durante os seus governos.

O que não deixa de ser curioso é sublinha-se o apoio de alguns sindicalistas a Cavaco, mas não se assinala que dos vários candidatos, é Jerónimo de Sousa o único com experiência de operário e de sindicalista. E já agora, na mesma semana, o Jerónimo almoçou com um milhar de sindicalistas e representantes dos trabalhadores, no Seixal. Mas para ler sobre esse grande evento, é preciso ler o Avante!.

Ontem num jantar com duas centenas de intelectuais, apoiantes da sua candidatura, o Jerónimo mais uma vez distingui-se dos restantes candidatos por fazer referências sistemáticas à Constituição Portuguesa. Sendo a defesa da Constituição um dos principais papeis da Presidência, é relevante que os restantes candidatos não incluam nos seus discursos uma defesa mais acérima desse solene documento. O Jerónimo, ex-deputado da Constituinte, conheçe a Constituição por dentro e por fora, traz no coração o espírito que a criou, e tem plena consciência das forças que têm como objectivo reformula-a uma vez mais, para a descaracterizar e depurar dos valores de Abril. Em particular, sabe que derrotar Cavaco assume importância não apenas para derrotar o candidato da direita, mas por quem ele representa: exactamente os elementos que desejam destruir a Constituição. Que dizer de um candidato que conta entre os seus apoiantes pessoas que combatem o documento que o cargo terá de defender.

A trapalhada:

Mário Soares defendeu ontem o papel dos sindicatos na contestação às políticas do Governo, apesar de ter deixado claro o seu apoio às medidas apresentadas por José Sócrates.

"Escrevo-te na tua qualidade de Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista para te comunicar a minha intenção de não participar na votação final global do Orçamento de Estado. Entendo que, sendo candidato à Presidência da República, não devo confundir nesta matéria esse papel com o de deputado. Acrescento no entanto que, também na qualidade de candidato, estarei pronto a votar o Orçamento de Estado." - Carta de Manuel Alegre ao Presidente do seu Grupo Parlamentar.

É de facto confrangedor a forma como os candidatos da área política do PS se estão a relacionar com o governo, ambos dizem estar contra e a favor ao mesmo tempo. Nisso Cavaco tem uma posição clara. Quem votar Cavaco sabe que está a dar uma muleta a Sócrates.

A engrenagem

A engrenagem mediática (media/"comentadores"/"sondagens") já está oleada.
As linhas são bem nítidas:
a) Cavaco não tem concorrência. Se não for eleito à primeira, é à segunda;
b) Dois candidatos disputam o segundo lugar, Alegre e Soares, por esta ordem;
c) Alegre é o "candidato poeta", independente, e tem um passado selectivo; Soares é um idoso fora de prazo;
d) Dois candidatos são irrelevantes, Louçã e Jerónimo, por esta ordem;
e) Louçã é interessante e faz "denúncias" (políticas, claro); Jerónimo não vai a votos. Se fosse, ficava atrás de Louçã, única coisa que o preocupa.
Todos os dias este realejo toca, sob diferentes formas.
Ontem, no Clube de Jornalistas da RTP2, um senhor com aspecto de dirigente do futebol sob suspeita no "apito dourado" defendia que uma diferença de quase 50% entre o resultado que a sua empresa de sondagens apresentou e o resultado real alcançado pela CDU três dias depois era perfeitamente normal e científico. Outro defendia que os resultados das sondagens não influenciam comportamentos eleitorais, embora reconhecesse que alguns jornalistas tendem a apresentar resultados de sondagens de forma que muitas vezes induz em erro, e eventualmente distorce as conclusões da própria sondagem. Mas concluiu que os eleitores são adultos e decidem pela sua própria cabeça.
Pois decidem. Por isso é que está montada mais uma vez a engrenagem para lhes fazer a cabeça.
Mas muitos são, e serão, os que recusam a manipulação e decidem por si, com a sua inteligência, com o seu coração, com o seu legítimo interesse.
Nenhuma das alíneas do realejo é verdadeira. A eleição está em aberto. É possível derrotar Cavaco. E Jerónimo, que vai a votos (registem isso de uma vez por todas), irá tão longe quanto o povo queira.

O produto SIC (2)

O candidato Cavaco teve um encontro com jovens. A sua "mandatária para a juventude" entoou-lhe uma peça de música de fusão (um fado/pimba). A SIC deu a notícia. Imagem: o professor e a mandatária, mutuamente embevecidos, dirigem-se um para o outro em câmara lenta!
A campanha ainda não começou e já vai nos efeitos especiais. As "notícias" já tinham passado a tempos de antena. Agora vão passar a videoclips.

Links III

Agradecimentos pela referência ao Alegre Presidente (primeiro blog de candidatos de esquerda a referênciar o Mais Livre), Cavaco Fora de Belém e ao Miguel Vale de Almeida no seu Renas e Veados

Por lapso meu, atribui a autoria do blog Renas e Veados ao Miguel Vale de Almeida, aos autores peço desculpas.